{"id":1390,"date":"2008-12-06T01:41:28","date_gmt":"2008-12-06T04:41:28","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/100nexos\/2008\/12\/a-misteriosa-arca-mgica-e-o-magnetismo-terrestre\/"},"modified":"2008-12-06T01:41:28","modified_gmt":"2008-12-06T04:41:28","slug":"a-misteriosa-arca-mgica-e-o-magnetismo-terrestre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/2008\/12\/06\/a-misteriosa-arca-mgica-e-o-magnetismo-terrestre\/","title":{"rendered":"A \u201cMisteriosa\u201d Arca M\u00e1gica e o Magnetismo Terrestre"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\">\n<p>\u00c9 uma pe\u00e7a s\u00f3lida com o formato do casco de um navio, lembrando a b\u00edblica Arca de No\u00e9. Tamb\u00e9m conhecida como \u201c<strong>pedra celta<\/strong>\u201d, devido a artefatos antigos similares, apresenta um comportamento enigm\u00e1tico. Gire-a no sentido anti-hor\u00e1rio, e ela se movimentar\u00e1 livremente at\u00e9 parar, como toda pedra comum. Mas movimente-a <strong>no sentido inverso, e ela logo oscila at\u00e9 parar e passa a girar ent\u00e3o ao contr\u00e1rio<\/strong>. Ou d\u00ea um toque em uma de suas extremidades, e ela logo passar\u00e1 a girar espontaneamente, produzindo um momento angular aparentemente do nada.<\/p>\n<p>\u00c9 como se o objeto possu\u00edsse <strong>uma tend\u00eancia m\u00e1gica a girar, e apenas em uma dire\u00e7\u00e3o<\/strong>, sem qualquer mecanismo elaborado em seu interior para tal. Em efeito, \u00e9 exatamente para exibir este aspecto que a pe\u00e7a costuma ser vendida hoje em dia como uma \u201carca\u201d transparente, feita de um material uniforme. \u00c9 como um m\u00e1gico mostrando n\u00e3o ter cartas na manga. N\u00e3o h\u00e1 gremlins dentro da arca, n\u00e3o h\u00e1 molas, pesos ou baterias. Ela parece violar leis fundamentais da f\u00edsica como a conserva\u00e7\u00e3o de momento. <strong>Como explicar o fen\u00f4meno?<\/strong><\/p>\n<p>A m\u00e1gica aparente motiva todo tipo de id\u00e9ias e teorias enganosas indo desde fluxos energ\u00e9ticos invis\u00edveis, passando por dimens\u00f5es superiores, motos perp\u00e9tuos, adivinha\u00e7\u00e3o, campos magn\u00e9ticos ou uma explica\u00e7\u00e3o pseudo-racional que pode soar at\u00e9 convincente. A pedra Celta seria uma demonstra\u00e7\u00e3o fabulosa do <strong>efeito Coriolis<\/strong>, aquele que faz com que a \u00e1gua des\u00e7a pelo ralo sempre no sentido anti-hor\u00e1rio no hemisf\u00e9rio norte (e no sentido inverso no hemisf\u00e9rio sul).<\/p>\n<p>O detalhe \u00e9 que <a href=\"http:\/\/www.projetoockham.org\/boatos_coriolis_1.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">o efeito Coriolis n\u00e3o determina o sentido com que a \u00e1gua desce pelo ralo,<\/a> muito menos tem qualquer papel relevante na pe\u00e7a aqui. A Arca, pedra celta ou, \u201c<a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Rattleback\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">rattleback<\/a>\u201d, em ingl\u00eas, \u00e9 um exemplo fascinante de como efeitos n\u00e3o-intuitivos podem levar ao engano. <strong>Ela \u00e9 um \u201ctruque\u201d<\/strong>.<\/p>\n<p>A olho nu, o \u201ccasco\u201d parece sim\u00e9trico, o que nos leva a intuir que n\u00e3o deve haver nenhuma propens\u00e3o para girar em qualquer sentido. Em verdade, o segredo do objeto est\u00e1 no fato de que seu centro de gravidade, assim como seus eixos de in\u00e9rcia, est\u00e3o sutilmente deslocados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 superf\u00edcie inferior. Este \u00e9 o truque. <strong>A pedra celta \u00e9 torta<\/strong>, e as caracter\u00edsticas da assimetria ir\u00e3o determinar para qual dire\u00e7\u00e3o o objeto gira de maneira est\u00e1vel ou n\u00e3o. Complicado?<\/p>\n<p>Em verdade \u00e9 um tanto mesmo. A primeira publica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica sobre o fen\u00f4meno ocorreu em 1896, mas levou quase um s\u00e9culo para <a href=\"http:\/\/www.autolev.com\/WebSite\/SampleProblemRattleback\/Rattleback.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">uma descri\u00e7\u00e3o f\u00edsico-matem\u00e1tica exata<\/a> ser divulgada. Isso mesmo: foi s\u00f3 por volta de 1986 que cientistas chegaram \u00e0s equa\u00e7\u00f5es e explica\u00e7\u00f5es exatas sobre este efeito milenar.<\/p>\n<p>Em meio \u00e0 complica\u00e7\u00e3o, contudo, o v\u00eddeo abaixo pode dirimir qualquer d\u00favida a respeito de \u201cradi\u00f4nica\u201d, esp\u00edritos ou Coriolis terem qualquer efeito aqui. \u00c9 o fen\u00f4meno reproduzido entortando um chiclete.<\/p>\n<p align=\"center\">\n<p>Tamb\u00e9m se pode <a href=\"http:\/\/br.youtube.com\/watch?v=0_145zVizxM\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">reproduzir o fen\u00f4meno entortando uma colher<\/a>. Atentando sempre para, seja com chiclete ou colher, deslocar o centro de gravidade. Alguns <a href=\"http:\/\/br.youtube.com\/watch?v=q1q5yv7UZ-8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">telefones<\/a> ou mesmo <a href=\"http:\/\/br.youtube.com\/watch?v=9kWmz7Q3kag\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">controles remotos<\/a> tamb\u00e9m podem exibir o efeito \u201cde f\u00e1brica\u201d, simplesmente por terem centros de gravidade deslocados. Eles podem ser mesmo sim\u00e9tricos de fato, n\u00e3o tortos, bastando terem centros de gravidade deslocados. Saia girando coisas \u00e0 sua frente e o \u201cmist\u00e9rio\u201d poder\u00e1 se repetir.<\/p>\n<p>O efeito pode parecer mera <strong>curiosidade in\u00fatil<\/strong> \u2013 ou \u00fatil apenas para contestar charlat\u00e3es que vendam o efeito como misterioso \u2013 mas <strong>em ci\u00eancia n\u00e3o h\u00e1 \u201cconhecimento in\u00fatil\u201d<\/strong>.<\/p>\n<p>No v\u00eddeo abaixo, da <a href=\"http:\/\/www.newscientist.com\/blog\/shortsharpscience\/labels\/toy.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">New Scientist em ingl\u00eas<\/a> apresentando demonstra\u00e7\u00f5es curiosas incluindo a arca com tartarugas m\u00f3veis, o doutor <strong>Tadashi Tokieda<\/strong> da Universidade de Cambridge explica como o comportamento da pedra celta \u00e9 extremamente an\u00e1logo a um outro efeito envolvendo objetos que revertem \u201cmisteriosamente\u201d seu sentido de rota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/p>\n<p>S\u00e3o os fluidos e n\u00facleos ferrosos no interior de nosso planeta, que giram um em rela\u00e7\u00e3o aos outros e <strong>induzem o campo magn\u00e9tico terrestre<\/strong>. A id\u00e9ia \u00e9 a de que a distribui\u00e7\u00e3o assim\u00e9trica da massa em rota\u00e7\u00e3o, como nas pedras celtas, pode eventualmente fazer com que haja oscila\u00e7\u00f5es e uma eventual revers\u00e3o do movimento, o que <strong>poderia explicar as famosas <a href=\"http:\/\/lablogatorios.com.br\/100nexos\/2008\/09\/19\/reverso-dos-plos-o-experimento\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">revers\u00f5es de p\u00f3los magn\u00e9ticos da Terra<\/a><\/strong>.<\/p>\n<p>Quando comecei a escrever esta nota pretendia apenas divulgar o brinquedo curioso e sua explica\u00e7\u00e3o, e foi uma surpresa descobrir a sua rela\u00e7\u00e3o com um tema t\u00e3o importante. <strong>Ver as pedras celtas reverterem seu giro \u201cespontaneamente\u201d pode ser um an\u00e1logo \u00e0s revers\u00f5es magn\u00e9ticas do planeta<\/strong>.<\/p>\n<p>O modelo preciso para o efeito da pedra celta s\u00f3 foi produzido em 1986, depois de 90 anos. Ainda se est\u00e1 muito longe de produzir uma explica\u00e7\u00e3o para a revers\u00e3o dos p\u00f3los magn\u00e9ticos, mas \u00e9 fabuloso descobrir ainda outra vez como a ci\u00eancia de verdade pode ser infinitamente mais rica e fascinante que a pseudoci\u00eancia.<\/p>\n<p>&#8211; &#8211; &#8211;<\/p>\n<p>H\u00e1 um \u00f3timo arquivo em portugu\u00eas, produzido por <strong>Bruno Bueno<\/strong> da Unicamp que menciona e explica em mais detalhe o efeito da pedra celta: \u201c<strong><a href=\"http:\/\/www.ifi.unicamp.br\/~lunazzi\/F530_F590_F690_F809_F895\/F809\/F809_sem1_2006\/BrunoMartins_Lunazzi_F809_RF1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Instrumenta\u00e7\u00e3o para o Ensino<\/a><\/strong>\u201d (PDF 207Kb)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 uma pe\u00e7a s\u00f3lida com o formato do casco de um navio, lembrando a b\u00edblica Arca de No\u00e9. Tamb\u00e9m conhecida como \u201cpedra celta\u201d, devido a artefatos antigos similares, apresenta um comportamento enigm\u00e1tico. Gire-a no sentido anti-hor\u00e1rio, e ela se movimentar\u00e1 livremente at\u00e9 parar, como toda pedra comum. Mas movimente-a no sentido inverso, e ela logo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":467,"featured_media":1391,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-1390","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-content\/uploads\/sites\/219\/2011\/08\/0190.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1390","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/467"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1390"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1390\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1391"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1390"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1390"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1390"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}