{"id":1420,"date":"2009-01-03T09:12:00","date_gmt":"2009-01-03T12:12:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/100nexos\/2009\/01\/o-ceu-em-movimento-e-o-planeta-em-perspectiva\/"},"modified":"2009-01-03T09:12:00","modified_gmt":"2009-01-03T12:12:00","slug":"o-ceu-em-movimento-e-o-planeta-em-perspectiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/2009\/01\/03\/o-ceu-em-movimento-e-o-planeta-em-perspectiva\/","title":{"rendered":"O c\u00e9u em movimento e o planeta em perspectiva"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\">\nV\u00eddeo espetacular combinando 7.000 fotografias em quatro minutos destacando a beleza do c\u00e9u estrelado em movimento. N\u00e3o \u00e9 surpresa que os antigos acreditassem que havia literalmente uma ab\u00f3bada celeste, com pequenos furos por onde uma luz divina podia ser vista. O Sol, a Lua e as estrelas passeiam placidamente, perturbados ocasionalmente por meteoros e estes novos sat\u00e9lites artificiais, e em contraste com a agita\u00e7\u00e3o das nuvens, do mar ou das criaturas humanas sobre o planeta.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cNossa vida di\u00e1ria, o calend\u00e1rio e nossos rel\u00f3gios s\u00e3o acertados pelo movimento c\u00f3smico. O nascer e o p\u00f4r do Sol, as esta\u00e7\u00f5es e o movimento da Lua (mar\u00e9s) t\u00eam um impacto importante em nossa vida. Esta \u00e9 a principal raz\u00e3o por que o interesse na astronomia surgiu em tempos antigos. O dia \u00e9 marcado pelo nascer e p\u00f4r do Sol (a rota\u00e7\u00e3o da Terra), o m\u00eas pela trajet\u00f3ria da Lua em torno do planeta, e o ano e suas esta\u00e7\u00f5es pelo movimento aparente do Sol na ecl\u00edptica (o movimento da Terra ao redor do Sol). Este \u00e9 nosso programa de astronomia di\u00e1rio j\u00e1 h\u00e1 milh\u00f5es de anos, e por muitos a vir. Estabilidade e tranq\u00fcilidade em contraste com nossa vida moderna\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>O v\u00eddeo foi promovido <a href=\"http:\/\/www.apod.astronomos.com.br\/apod.php?lk=ap081231.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">como <strong>imagem astron\u00f4mica do dia da NASA<\/strong> no final de 2008<\/a>, e os outros v\u00eddeos de <strong>Till Credner<\/strong> podem ser vistos no imperd\u00edvel <strong><a href=\"http:\/\/www.theskyinmotion.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">The Sky in Motion<\/a><\/strong>.<br \/>\nO v\u00eddeo lembrou um ensaio inspirad\u00edssimo de <strong>Oliver Morton<\/strong> publicado no NYT pouco antes do Natal que passou. Comemorando o 40 anivers\u00e1rio da viagem da <strong>Apollo 8<\/strong>, a primeira viagem de seres humanos a outro mundo, e as famosas fotografias tomadas pelo astronauta <strong>Bill Anderson<\/strong> do \u201cnascer da terra\u201d como visto da \u00f3rbita da Lua, traduzo um trecho:<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.nytimes.com\/2008\/12\/24\/opinion\/24morton.html?_r=1&amp;partner=permalink&amp;exprod=permalink&amp;pagewanted=all\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" style=\"border-top-width: 0px;border-left-width: 0px;border-bottom-width: 0px;border-right-width: 0px\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-content\/uploads\/sites\/219\/2011\/08\/nasaapollo8dec24earthrised1.jpg\" border=\"0\" alt=\"nasa-apollo8-dec24-earthrised\" width=\"500\" height=\"272\" \/><\/a><\/p>\n<blockquote><p>\u201c<strong>Que a Terra \u00e9 pequena \u00e9 ineg\u00e1vel<\/strong>. Se o sistema solar fosse do tamanho dos Estados Unidos, a terra teria o tamanho de um campo de futebol americano; se a dist\u00e2ncia ao centro da gal\u00e1xia fosse de uma milha, a Terra seria menor que um \u00e1tomo. Mas se a foto do \u201cnascer da Terra\u201d pudesse ter capturado nosso planeta na dimens\u00e3o do tempo ao inv\u00e9s de espa\u00e7o, as coisas pareceriam diferentes. <strong>Em sua dura\u00e7\u00e3o, em contraposi\u00e7\u00e3o a seu di\u00e2metro, a Terra deve ser medida em uma escala c\u00f3smica<\/strong>. Com mais de quatro bilh\u00f5es de anos, ela se estende a um ter\u00e7o da hist\u00f3ria do universo, um ter\u00e7o do caminho de volta ao pr\u00f3prio Big Bang. Muitas das estrelas que voc\u00ea v\u00ea em uma noite clara de inverno s\u00e3o mais jovens que o planeta abaixo de seus p\u00e9s.<br \/>\nMera persist\u00eancia n\u00e3o \u00e9, em si mesma, uma grande fa\u00e7anha. As rochas in\u00f3spitas da Lua persistiram por quase tanto tempo. Mas a terra n\u00e3o apenas persistiu, ela viveu. Por quase 90 por cento de sua hist\u00f3ria o planeta tem sido habitado e moldado pela vida. Os mecanismos biol\u00f3gicos que funcionaram inicialmente na aurora da vida movimentam as criaturas da Terra at\u00e9 os dias de hoje, formando uma cadeia cont\u00ednua de pelo menos 3,8 bilh\u00f5es de anos de tamanho.<br \/>\n<strong>Esta vida ininterrupta demonstra que o planeta est\u00e1 longe de ser fr\u00e1gil<\/strong>. A Terra viva \u00e9 resistente em escalas dif\u00edceis de considerar. A vida assistiu aos continentes colidirem e se despeda\u00e7arem, c\u00e9us brilhando como carv\u00e3o em brasa, mares tropicais congelados e imobilizados: ela sobreviveu. Atingida pela radia\u00e7\u00e3o de uma supernova pr\u00f3xima, por aster\u00f3ides, ela mal se afetou e nunca parou. Nossa civiliza\u00e7\u00e3o pode estar \u2013 ou est\u00e1 \u2013 fora de equil\u00edbrio com seu ambiente, os modos de vida humanos atuais podem ser assustadoramente prec\u00e1rios. Mas aplicar a fragilidade de nosso modo de vida \u00e0 pr\u00f3pria vida \u00e9 tolice\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>Algu\u00e9m precisa traduzir <strong><a href=\"http:\/\/www.nytimes.com\/2008\/12\/24\/opinion\/24morton.html?_r=1&amp;partner=permalink&amp;exprod=permalink&amp;pagewanted=all\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">todo o ensaio<\/a><\/strong>. <strong>George Carlin<\/strong> j\u00e1 <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=X_Di4Hh7rK0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">o disse de forma mais sucinta e engra\u00e7ada, com 100% mais palavr\u00f5es<\/a>. S\u00e3o boas reflex\u00f5es e imagens para come\u00e7ar o ano internacional da astronomia.<br \/>\nFoi observando os c\u00e9us atrav\u00e9s de um telesc\u00f3pio h\u00e1 400 anos que Galileu deu um enorme impulso que culminou com aquela foto do nascer da Terra como vista da Lua. As crateras que o g\u00eanio italiano viu com uma clareza que nenhum outro ser humano havia visto antes j\u00e1 foram visitadas em pessoa por alguns de seus parentes.<br \/>\nA vida \u00e9 espetacularmente resistente, e nossa intelig\u00eancia \u00e9 inimaginavelmente poderosa. Mas precisamos us\u00e1-la. Nada garantir\u00e1 melhor a nossa continuidade do que o progresso democr\u00e1tico da ci\u00eancia. S\u00f3 ela permitir\u00e1 a coloniza\u00e7\u00e3o de outros mundos, e s\u00f3 a compreens\u00e3o de tal por toda a humanidade concretizar\u00e1 tal sonho. S\u00f3 assim a intelig\u00eancia poder\u00e1 ser elevada a algo que possa ser medido em escalas c\u00f3smicas, e mesmo as estrelas da distante e antiga ab\u00f3bada celeste estar\u00e3o a nosso alcance.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>V\u00eddeo espetacular combinando 7.000 fotografias em quatro minutos destacando a beleza do c\u00e9u estrelado em movimento. N\u00e3o \u00e9 surpresa que os antigos acreditassem que havia literalmente uma ab\u00f3bada celeste, com pequenos furos por onde uma luz divina podia ser vista. 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