{"id":1477,"date":"2009-01-27T11:11:00","date_gmt":"2009-01-27T14:11:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/100nexos\/2009\/01\/todos-bebs-japoneses-so-ainda-mais-iguais\/"},"modified":"2009-01-27T11:11:00","modified_gmt":"2009-01-27T14:11:00","slug":"todos-bebs-japoneses-so-ainda-mais-iguais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/2009\/01\/27\/todos-bebs-japoneses-so-ainda-mais-iguais\/","title":{"rendered":"Todos os (beb\u00eas) japoneses s\u00e3o (ainda mais) iguais?"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" style=\"border-top-width: 0px;border-left-width: 0px;float: none;border-bottom-width: 0px;margin-left: auto;margin-right: auto;border-right-width: 0px\" height=\"165\" alt=\"keufner1\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-content\/uploads\/sites\/219\/2011\/08\/keufner11.png\" width=\"250\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p>Deve ser f\u00e1cil perceber que os dois rostos acima pertencem a duas pessoas diferentes. Mas e quanto aos beb\u00eas abaixo? Seriam mesmo dois beb\u00eas?<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"border-top-width: 0px;border-left-width: 0px;float: none;border-bottom-width: 0px;margin-left: auto;margin-right: auto;border-right-width: 0px\" height=\"165\" alt=\"keufner2\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-content\/uploads\/sites\/219\/2011\/08\/keufner2.png\" width=\"250\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com\/cognitivedaily\/2009\/01\/are_all_adults_doomed_to_think.php\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Cognitive Daily<\/a><\/strong> comenta um estudo liderado por <strong>Dana Keufner<\/strong> em que estudantes italianos precisavam identificar rostos de beb\u00ea, e provavelmente como voc\u00ea acima, os resultados de dois experimentos indicaram que \u201cadultos reconhecem mais facilmente faces de adultos do que faces de rec\u00e9m-nascidos e crian\u00e7as\u201d. <strong>Todos os beb\u00eas realmente parecem ter cara de joelho<\/strong>.<\/p>\n<p>Em um terceiro experimento, no entanto, conduzido com adultos que passam muito tempo com crian\u00e7as \u2013 <strong>professores de pr\u00e9-escola<\/strong> \u2013 a diferen\u00e7a foi muito menor. Passar pelo menos 30 horas por semana olhando para rostos de crian\u00e7a realmente fez com que percebessem as diferen\u00e7as das caras de joelho muito melhor.<\/p>\n<p>Nossa dificuldade em diferenciar rostos de pessoas muito mais novas ou velhas \u00e9 o chamado \u201c<strong>efeito da outra idade<\/strong>\u201d, e como brincamos no t\u00edtulo deste post, o efeito da outra idade \u00e9 an\u00e1logo ao mais bem documentado \u201c<strong><a href=\"http:\/\/www.google.com\/search?q=other-race+effect\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">efeito da outra ra\u00e7a<\/a><\/strong>\u201d, que nem deve ser necess\u00e1rio explicar.<\/p>\n<p>H\u00e1 v\u00e1rias pesquisas fascinantes tamb\u00e9m sobre o efeito da outra ra\u00e7a, como este indicando <a href=\"http:\/\/www3.interscience.wiley.com\/journal\/118505475\/abstract?CRETRY=1&amp;SRETRY=0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">como o efeito se desenvolve em beb\u00eas<\/a>, e \u00e9 curioso descobrir que beb\u00eas de alguns meses de idade n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o exibem os efeitos de outra idade ou ra\u00e7as, como tamb\u00e9m <a href=\"http:\/\/www.scienceonline.org\/cgi\/content\/abstract\/296\/5571\/1321\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">podem reconhecer a diferen\u00e7a entre faces de animais de outras esp\u00e9cies<\/a>. Se para voc\u00ea todo chimpanz\u00e9 \u00e9 igual, a um beb\u00ea que s\u00f3 sabe mamar e sujar as fraldas as diferen\u00e7as podem ser \u00f3bvias.<\/p>\n<p>Depois de nove meses, contudo, os efeitos de outras idades, ra\u00e7as (e esp\u00e9cies) j\u00e1 entram em a\u00e7\u00e3o. Mas h\u00e1 outro estudo <a href=\"http:\/\/www.pallier.org\/papers\/SangrigoliPallier_finaldraft.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">evidenciando como o efeito \u00e9 revers\u00edvel<\/a> (PDF): crian\u00e7as coreanas adotadas entre as idades de 3 a 9 anos por fam\u00edlias caucasianas europ\u00e9ias identificaram faces\u2026 caucasianas com maior facilidade, exatamente como o grupo de controle de crian\u00e7as francesas. O c\u00e9rebro pode se adaptar a novos tipos de rostos sem tanta dificuldade, como os professores de jardim de inf\u00e2ncia j\u00e1 devem ter sugerido.<\/p>\n<p>Tudo isso sugere que n\u00e3o s\u00e3o tanto as faces de outras idades ou ra\u00e7as que s\u00e3o todas iguais, e sim as faces com que convivemos mais que se tornam mais facilmente diferenci\u00e1veis. Perceber rostos como diferentes \u00e9 pelo visto um processo cognitivo r\u00e1pido mas que s\u00f3 funciona em determinado tipo de faces. N\u00f3s trocamos a habilidade de diferenciar uma ampla variedade de rostos que quase nunca vemos, mas a grande esfor\u00e7o e tempo, pela capacidade de diferenciar sem dificuldade em uma fra\u00e7\u00e3o de segundo os rostos que vemos todos os dias.<\/p>\n<p>No experimento de Keufner com beb\u00eas, <strong>inverter os rostos apresentados<\/strong> fez n\u00e3o s\u00f3 com que a precis\u00e3o da identifica\u00e7\u00e3o diminu\u00edsse tanto para adultos como para beb\u00eas, mas que tamb\u00e9m se tornasse igual. <strong>De cabe\u00e7a para baixo, todos t\u00eam cara de joelho, sejam adultos, beb\u00eas, caucasianos ou asi\u00e1ticos<\/strong>.<\/p>\n<p>Descobrir estes atalhos e \u201cbugs\u201d de como nosso c\u00e9rebro processa rostos n\u00e3o deve ser tanto surpresa, em especial <strong><a href=\"http:\/\/lablogatorios.com.br\/100nexos\/2009\/01\/11\/quando-voc-perceber-a-iluso-thatcher\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">rostos de ponta cabe\u00e7a<\/a><\/strong>.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Cognitive Daily<\/strong>: <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com\/cognitivedaily\/2009\/01\/are_all_adults_doomed_to_think.php\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Are all adults doomed to think all kids look alike?<\/a> <\/li>\n<li>Dana Kuefner, Viola Macchi Cassia, Marta Picozzi, Emanuela Bricolo (2008). Do all kids look alike? Evidence for an other-age effect in adults. Journal of Experimental Psychology: Human Perception and Performance, 34 (4), 811-817 DOI: <a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1037\/0096-1523.34.4.811\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">10.1037\/0096-1523.34.4.811<\/a> <\/li>\n<li>Pascalis, O. and de Haan, M. and Nelson, C.A. (2002) <a href=\"http:\/\/www.scienceonline.org\/cgi\/content\/abstract\/296\/5571\/1321\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Is face processing species-specific during the first year of life?<\/a> Science, 296 (5571). pp. 1321-1323 <\/li>\n<li>Kelly, D. J., Quinn, P. C., Slater, A. M., Lee, K., Ge, L., &amp; Pascalis, O. (2007). <a href=\"http:\/\/www3.interscience.wiley.com\/journal\/118505475\/abstract?CRETRY=1&amp;SRETRY=0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">The other-race effect develops during infancy: Evidence of perceptual narrowing<\/a>. Psychological Science, 18, 1084-1089. <\/li>\n<li>Sangrigoli, S., Pallier, C., Argenti, A.-M., Ventureyra, V.A.G., &amp; de Schonen, S. (2005). <a href=\"http:\/\/www.pallier.org\/papers\/SangrigoliPallier_finaldraft.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Reversibility of the other-race effect in face recognition during childhood<\/a> (PDF). Psychological Science, 16(6), 440-444. <\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Deve ser f\u00e1cil perceber que os dois rostos acima pertencem a duas pessoas diferentes. Mas e quanto aos beb\u00eas abaixo? Seriam mesmo dois beb\u00eas? Cognitive Daily comenta um estudo liderado por Dana Keufner em que estudantes italianos precisavam identificar rostos de beb\u00ea, e provavelmente como voc\u00ea acima, os resultados de dois experimentos indicaram que \u201cadultos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":467,"featured_media":1478,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-1477","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-content\/uploads\/sites\/219\/2011\/08\/keufner1.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1477","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/467"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1477"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1477\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1478"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1477"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1477"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1477"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}