{"id":1495,"date":"2009-02-05T14:16:29","date_gmt":"2009-02-05T17:16:29","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/100nexos\/2009\/02\/como-vencer-um-debate-sem-ter-razo\/"},"modified":"2009-02-05T14:16:29","modified_gmt":"2009-02-05T17:16:29","slug":"como-vencer-um-debate-sem-ter-razo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/2009\/02\/05\/como-vencer-um-debate-sem-ter-razo\/","title":{"rendered":"Como vencer um debate (sem ter raz\u00e3o)"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" style=\"border-top-width: 0px;border-left-width: 0px;border-bottom-width: 0px;border-right-width: 0px\" height=\"229\" alt=\"Argument_Clinic\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-content\/uploads\/sites\/219\/2011\/08\/argument-clinic1.jpg\" width=\"500\" border=\"0\" \/> <\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201c<strong>A arte de discutir, e discutir de forma a vencer um debate, quer se esteja certo ou errado, por meios l\u00edcitos ou il\u00edcitos<\/strong>. Um homem pode estar objetivamente certo, e ainda assim aos olhos de espectadores, e por vezes a seu pr\u00f3prio ver, parecer estar errado\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>\u00c9 assim que o fil\u00f3sofo alem\u00e3o <strong>Arthur Schopenhauer<\/strong> (1788-1860) introduz \u201c<strong><a href=\"http:\/\/prascabecas.blogspot.com\/2006\/10\/como-vencer-um-debate-sem-precisar-ter.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A Arte da Controv\u00e9rsia<\/a><\/strong>\u201d, onde detalha exatamente as t\u00e1ticas e em sua maior parte as fal\u00e1cias pelas quais se pode vencer um debate \u201cquer se esteja certo ou errado, por meios l\u00edcitos ou il\u00edcitos\u201d.<\/p>\n<p>A obra completa, em alem\u00e3o e ingl\u00eas, est\u00e1 <strong><a href=\"http:\/\/coolhaus.de\/art-of-controversy\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">dispon\u00edvel na \u00edntegra na rede<\/a><\/strong>, mas circula tamb\u00e9m uma lista resumida de \u201c<strong><a href=\"http:\/\/www.pessoal.utfpr.edu.br\/bertoldo\/38maneirasdevencerumaargument.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">38 maneiras de vencer uma discuss\u00e3o<\/a><\/strong>\u201d baseada na obra de Schopenhauer e que deve ser muito esclarecedora.<\/p>\n<p>Reproduzimos a lista traduzida das p\u00e1ginas de <strong>Bertoldo Schneider Jr.<\/strong> na continua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>N\u00ba 1. Leve a proposi\u00e7\u00e3o do seu oponente al\u00e9m dos seus limites naturais; exagere-a. Quanto mais geral a declara\u00e7\u00e3o do seu oponente se torna, mais obje\u00e7\u00f5es voc\u00ea pode encontrar contra ela. Quanto mais restritas as suas pr\u00f3prias proposi\u00e7\u00f5es permanecem, mais f\u00e1ceis elas s\u00e3o de defender.<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00ba 2. Use significados diferentes das palavras do seu oponente para refutar a argumenta\u00e7\u00e3o dele. Exemplo: a pessoa A diz: \u201cVoc\u00ea n\u00e3o entende os mist\u00e9rios da filosofia de Kant\u201d. A pessoa B replica: \u201cAh, se \u00e9 de mist\u00e9rios que estamos falando, n\u00e3o tenho como participar dessa conversa\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00ba 3. Ignore a proposi\u00e7\u00e3o do seu oponente, destinada a referir-se a alguma coisa em particular. Ao inv\u00e9s disso, compreenda-a num sentido muito diverso, e em seguida refute-a. Ataque algo diferente do que foi dito. <\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00ba 4. Oculte a sua conclus\u00e3o do seu oponente at\u00e9 o \u00faltimo momento. Semeie suas premissas aqui e ali durante a conversa. Fa\u00e7a com que o seu oponente concorde com elas em nenhuma ordem definida. Por essa rota obl\u00edqua voc\u00ea oculta o seu objetivo at\u00e9 que tenha obtido do oponente todas as admiss\u00f5es necess\u00e1rias para atingir o seu objetivo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00ba 5. Use as cren\u00e7as do seu oponente contra ele. Se o seu oponente recusa-se a aceitar as suas premissas, use as pr\u00f3prias premissas dele em seu favor. Por exemplo, se o seu oponente \u00e9 membro de uma organiza\u00e7\u00e3o ou seita religiosa a que voc\u00ea n\u00e3o pertence, voc\u00ea pode empregar as opini\u00f5es declaradas desse grupo contra o oponente.<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00ba 6. Deixe a quest\u00e3o confusa mudando as palavras do seu oponente ou aquilo que ele est\u00e1 procurando provar. Chame uma coisa por um nome diferente: diga \u201cboa reputa\u00e7\u00e3o\u201d ao inv\u00e9s de \u201chonra\u201d, \u201cvirtude\u201d ao inv\u00e9s de \u201cvirgindade\u201d, \u201canimais de sangue quente\u201d ao inv\u00e9s de \u201cvertebrados\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00ba 7. Declare a sua proposi\u00e7\u00e3o e demonstre a verdade dela fazendo ao oponente uma longa lista de perguntas. Fazendo muitas perguntas abrangentes ao mesmo tempo, voc\u00ea pode ocultar aquilo que est\u00e1 tentando fazer com que o seu oponente admita. Voc\u00ea em seguida avan\u00e7a o argumento a partir de uma admiss\u00e3o do oponente.<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00ba 8. Deixe o seu oponente furioso. Uma pessoa enfurecida \u00e9 menos capaz de usar o seu julgamento ou de perceber onde residem as suas vantagens.<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00ba 9. Use as respostas que o seu oponente d\u00e1 \u00e0 sua pergunta de modo a alcan\u00e7ar conclus\u00f5es diferentes ou opostas.<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00ba 10. Se o seu oponente responde a todas as suas perguntas negativamente e recusa-se a ceder em qualquer ponto, pe\u00e7a que ele concorde com a vers\u00e3o oposta das suas premissas. Isso pode confundir o seu oponente quanto ao ponto em particular a respeito do qual voc\u00ea est\u00e1 tentando fazer com que ele ceda. Pois a natureza humana \u00e9 tal que, se \u201cA\u201d e \u201cB\u201d est\u00e3o refletindo em conjunto, e comunicando as suas opini\u00f5es um ao outro a respeito de qualquer assunto, e \u201cA\u201d percebe que os pensamentos de \u201cB\u201d sobre o mesmo assunto n\u00e3o s\u00e3o os mesmos que os seus, ele n\u00e3o come\u00e7a revisando o seu pr\u00f3prio processo de racioc\u00ednio, a fim de descobrir qualquer erro que possa ter cometido, mas pressup\u00f5e que o erro tenha ocorrido no racioc\u00ednio de \u201cB\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00ba 11. Se o seu oponente admite a verdade de algumas de suas premissas, abstenha-se de pedir que ele concorde com a sua conclus\u00e3o. Mais tarde introduza suas conclus\u00f5es na conversa como coisa resolvida ou admitida por ele. O seu oponente e outros na assist\u00eancia poder\u00e3o ser levados a acreditar que foi de fato com a sua conclus\u00e3o que ele concordou.<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00ba 12. Se o argumento move-se para o terreno de id\u00e9ias gerais que n\u00e3o t\u00eam nomes particulares, voc\u00ea deve usar uma linguagem ou met\u00e1fora que seja favor\u00e1vel \u00e0 sua proposi\u00e7\u00e3o. Exemplo: O que uma pessoa imparcial chamaria de \u201cf\u00e9 pessoal\u201d ou \u201cop\u00e7\u00e3o religiosa\u201d \u00e9 descrito pelo seu partid\u00e1rio como \u201csantidade\u201d ou \u201cdevo\u00e7\u00e3o\u201d, e pelo seu oponente como \u201cpreconceito\u201d ou \u201csupersti\u00e7\u00e3o\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00ba 13. A fim de fazer com que o seu oponente aceite a sua proposi\u00e7\u00e3o, apresente tamb\u00e9m uma contra-proposi\u00e7\u00e3o oposta. Se o contraste for acentuado, seu oponente acabar\u00e1 aceitando a sua proposi\u00e7\u00e3o para evitar parecer controverso. Exemplo: Se voc\u00ea quer que ele admita que um rapaz deve fazer absolutamente qualquer coisa que o seu pai manda que ele fa\u00e7a, pergunte se o seu advers\u00e1rio acredita que \u201cdevemos em tudo desobedecer aos nossos pais\u201d. \u00c9 como colocar o cinza ao lado do preto e cham\u00e1-lo de branco, ou colocar o cinza perto do branco e cham\u00e1-lo de preto.<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00ba 14. Tente lograr o seu oponente. Se ele respondeu diversas de suas perguntas sem que as respostas inclinem-se em favor da sua conclus\u00e3o, avance a sua conclus\u00e3o triunfantemente, mesmo se n\u00e3o procede. Se o seu oponente for t\u00edmido ou est\u00fapido, e se voc\u00ea possuir uma grande dose de descaramento e uma boa voz, essa t\u00e9cnica pode funcionar.<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00ba 15. Se voc\u00ea quer apresentar uma proposi\u00e7\u00e3o que \u00e9 dif\u00edcil de provar, coloque-a de lado por um momento. Ao inv\u00e9s disso, pe\u00e7a que o seu oponente aceite ou rejeite alguma proposi\u00e7\u00e3o verdadeira, como se fosse atrav\u00e9s disso que voc\u00ea fosse extrair a sua prova. Se o seu oponente rejeit\u00e1-la suspeitando de alguma armadilha, voc\u00ea obt\u00e9m o seu triunfo demonstrando o qu\u00e3o absurdo \u00e9 o seu oponente rejeitar uma proposi\u00e7\u00e3o que \u00e9 obviamente verdadeira. Se o seu oponente aceit\u00e1-la, a raz\u00e3o permanece com voc\u00ea pelo momento. Voc\u00ea pode ent\u00e3o ou tentar demonstrar a sua proposi\u00e7\u00e3o original ou, como no N\u00ba 14, agir como se a sua proposi\u00e7\u00e3o original tivesse sido provada pelo que o seu oponente admitiu. Essa t\u00e9cnica requer um grau extremo de descaramento para que funcione, mas a experi\u00eancia j\u00e1 comprovou in\u00fameras vezes a sua efic\u00e1cia. A Controv\u00e9rsia Dial\u00e9tica \u00e9 a arte de debater, e debater de modo a sair por cima, quer voc\u00ea esteja certo ou n\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00ba 16. Quando o seu oponente apresenta uma proposi\u00e7\u00e3o, considere-a inconsistente com as declara\u00e7\u00f5es, cren\u00e7as, a\u00e7\u00f5es ou omiss\u00f5es do oponente. Exemplo: Se o seu oponente defende o suic\u00eddio, pergunte imediatamente: \u201cEnt\u00e3o porque voc\u00ea n\u00e3o se enforca?\u201d Se ele observar que a sua cidade n\u00e3o \u00e9 um lugar bom para se viver, pergunte: \u201cEnt\u00e3o por que voc\u00ea n\u00e3o parte no primeiro avi\u00e3o?\u201d<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00ba 17. Se o seu oponente pression\u00e1-lo com uma evid\u00eancia contr\u00e1ria, voc\u00ea pode com freq\u00fc\u00eancia safar-se defendendo alguma distin\u00e7\u00e3o sutil. Tente encontrar algum significado subjacente ou ambig\u00fcidade na id\u00e9ia do seu oponente. <\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00ba 18. Se o seu oponente abriu uma linha de argumenta\u00e7\u00e3o que acabar\u00e1 levando inevitavelmente \u00e0 sua derrota, n\u00e3o permita que ele a leve at\u00e9 a sua conclus\u00e3o. Interrompa o debate, retire-se imediatamente ou leve o seu oponente a mudar de assunto.<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00ba 19. Se o seu oponente desafi\u00e1-lo expressamente a apresentar uma obje\u00e7\u00e3o a algum ponto definido da sua argumenta\u00e7\u00e3o e voc\u00ea n\u00e3o tem mais nada a dizer, tente fazer o argumento dele menos espec\u00edfico. Exemplo: Se ele pedir algum motivo pelo qual determinada hip\u00f3tese n\u00e3o deva ser aceita, fale da falibilidade do conhecimento humano e ilustre com v\u00e1rios exemplos.<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00ba 20. Se o seu oponente aceitou todas ou a maior parte das suas premissas, n\u00e3o pe\u00e7a que ele concorde diretamente com a sua conclus\u00e3o. Ao contr\u00e1rio, exponha a conclus\u00e3o voc\u00ea mesmo como se ela tamb\u00e9m tivesse sido admitida. Uma pessoa pode estar objetivamente com a raz\u00e3o, e mesmo assim sair por baixo na opini\u00e3o dos observadores (e algumas vezes na sua pr\u00f3pria opini\u00e3o). Por exemplo, suponha que eu apresente uma prova para demonstrar uma afirma\u00e7\u00e3o minha. Se o meu advers\u00e1rio refutar a prova, dar\u00e1 a impress\u00e3o de estar refutando tamb\u00e9m a afirma\u00e7<br \/>\n\u00e3o \u2013 para a qual podem, no entanto, haver outras provas. Nesse caso, \u00e9 claro, meu advers\u00e1rio e eu trocamos de posi\u00e7\u00e3o: ele sai por cima quando, na verdade, est\u00e1 errado.<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00ba 21. Quando o seu oponente utilizar um argumento superficial e voc\u00ea enxergar essa falsidade, refute-o estabelecendo a natureza superficial desse argumento. Melhor ainda \u00e9 rebater o oponente com um contra-argumento t\u00e3o superficial quanto o dele, s\u00f3 para venc\u00ea-lo \u2013 afinal de contas \u00e9 em ganhar que voc\u00ea est\u00e1 interessado, n\u00e3o na verdade. Exemplo: Se o seu oponente apelar para o preconceito, para a emo\u00e7\u00e3o ou para ataques pessoais, devolva o ataque na mesma moeda.<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00ba 22. Se o seu oponente pedir que voc\u00ea admita alguma coisa a partir da qual o ponto em discuss\u00e3o pode ser conclu\u00eddo, recuse-se a faz\u00ea-lo, declarando que ele incorre em peti\u00e7\u00e3o de princ\u00edpio.<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00ba 23. Contradi\u00e7\u00e3o e contenciosidade irritam a pessoa de modo a faz\u00ea-la exagerar suas declara\u00e7\u00f5es. Contradizer o seu oponente pode lev\u00e1-lo a estender a sua declara\u00e7\u00e3o al\u00e9m dos limites, e quando voc\u00ea contradiz essa manifesta\u00e7\u00e3o exagerada parece estar refutando a declara\u00e7\u00e3o original. Do modo correspondente, se o seu oponente tentar estender a sua pr\u00f3pria declara\u00e7\u00e3o mais do que voc\u00ea tencionou, redefina os limites da sua declara\u00e7\u00e3o e afirme: \u201cfoi isso que eu disse, e n\u00e3o mais do que isso\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00ba 24. Recorra a um falso silogismo (Silogismo: A=B e B=C, ent\u00e3o A=C). Seu oponente faz uma declara\u00e7\u00e3o, e voc\u00ea por falsa infer\u00eancia e distor\u00e7\u00e3o das id\u00e9ias dele extrai \u00e0 for\u00e7a proposi\u00e7\u00f5es n\u00e3o-tencionadas e absurdas da afirma\u00e7\u00e3o original. Fica parecendo assim que a proposi\u00e7\u00e3o do seu oponente trouxe \u00e0 luz essas inconsist\u00eancias, restando a impress\u00e3o de que ela mesma foi indiretamente refutada.<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00ba 25. Se o seu oponente est\u00e1 fazendo uma generaliza\u00e7\u00e3o, encontre uma inst\u00e2ncia que demonstre o contr\u00e1rio. Basta uma contradi\u00e7\u00e3o v\u00e1lida para derrubar a proposi\u00e7\u00e3o do seu oponente. Exemplo: \u201cTodos os ruminantes tem chifres\u201d \u00e9 generaliza\u00e7\u00e3o que pode ser subvertida pela inst\u00e2ncia \u00fanica do camelo. [esta \u00e9 uma ferramenta honesta. BSJ]<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00ba 26. Uma manobra brilhante \u00e9 virar a mesa e utilizar os argumentos do seu oponente contra ele mesmo. Exemplo: Seu oponente declara: \u201cfulano \u00e9 ainda uma crian\u00e7a, voc\u00ea deve fazer-lhe uma concess\u00e3o\u201d. Voc\u00ea retruca: \u201cjustamente porque ele \u00e9 crian\u00e7a devo corrigi-lo, caso contr\u00e1rio ele persistir\u00e1 em seus maus h\u00e1bitos\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00ba 27. Se o seu oponente surpreender voc\u00ea ficando particularmente indignado diante de um argumento seu, insista nesse argumento com ainda maior zelo. Isso n\u00e3o apenas deixar\u00e1 o seu oponente furioso, mas vai deixar a impress\u00e3o de que voc\u00ea tocou um ponto fr\u00e1gil na argumenta\u00e7\u00e3o dele, e de que seu oponente est\u00e1 mais suscet\u00edvel a um ataque no que diz respeito a esse ponto do que voc\u00ea esperava.<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00ba 28. Quando a audi\u00eancia consistir de indiv\u00edduos (ou uma pessoa) que n\u00e3o sejam autoridade no assunto, voc\u00ea pode levantar uma obje\u00e7\u00e3o inv\u00e1lida e o seu oponente parecer\u00e1 ter sido derrotado aos olhos da sua audi\u00eancia. Esta estrat\u00e9gia \u00e9 particularmente efetiva quando a sua obje\u00e7\u00e3o faz o seu oponente parecer rid\u00edculo, ou quando a audi\u00eancia ri. Se o seu oponente tiver de fazer uma longa, prolixa e complicada explica\u00e7\u00e3o para corrigi-lo, a audi\u00eancia n\u00e3o estar\u00e1 disposta a ouvi-lo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00ba 29. Se voc\u00ea perceber que est\u00e1 sendo vencido na argumenta\u00e7\u00e3o, crie uma divers\u00e3o \u2013 isto \u00e9, comece de repente a falar sobre outra coisa, como se isso tivesse import\u00e2ncia na mat\u00e9ria em quest\u00e3o. Isso pode ser feito sem medo se a divers\u00e3o mostrar ter alguma rela\u00e7\u00e3o mesmo que gen\u00e9rica com a quest\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00ba 30. Apele para a autoridade ao inv\u00e9s de para a raz\u00e3o. Se o seu oponente respeita determinada autoridade ou especialista, cite essa autoridade para avan\u00e7ar o seu argumento. Se necess\u00e1rio, cite o que essa autoridade disse em outro sentido ou circunst\u00e2ncia. Autoridades que o seu oponente n\u00e3o chegou a entender s\u00e3o em geral \u00e0s que ele admira mais [s\u00e3o?]. Voc\u00ea pode, se necess\u00e1rio, n\u00e3o apenas distorcer as autoridades citadas em seu favor, mas tamb\u00e9m falsific\u00e1-las, citando algo inteiramente inventado por voc\u00ea. Falam sem pensar, e mesmo que depois percebam que est\u00e3o errados, querem parecer o contr\u00e1rio. O interesse da verdade d\u00e1 lugar aos interesses da vaidade: assim, por causa da vaidade, o que \u00e9 verdadeiro deve parecer falso, e o falso verdadeiro.<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00ba 31. Se sabe n\u00e3o ter uma resposta para os argumentos apresentados pelo seu oponente, voc\u00ea pode num golpe de ironia declarar-se um juiz incompetente. Exemplo: \u201cO que voc\u00ea diz ultrapassa os meus pobres poderes de compreens\u00e3o. Pode muito bem ser verdade, mas n\u00e3o sou capaz de entender, por isso abstenho-me de expressar qualquer opini\u00e3o sobre o assunto\u201d. Desta maneira voc\u00ea insinua \u00e0 sua audi\u00eancia, diante da qual permanece com uma boa imagem, de que o que seu oponente est\u00e1 dizendo \u00e9 um contra-senso.<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00ba 32. Um m\u00e9todo r\u00e1pido de livrar-se da declara\u00e7\u00e3o de um oponente, ou de coloc\u00e1-la sob suspeita, \u00e9 classific\u00e1-la debaixo de uma categoria odiosa. Exemplo: Voc\u00ea pode dizer: \u201cIsso \u00e9 fascismo\u201d, ou \u201cate\u00edsmo\u201d, ou \u201cnazismo\u201d, ou \u201csupersti\u00e7\u00e3o\u201d. Fazendo essa obje\u00e7\u00e3o voc\u00ea est\u00e1 pressupondo tacitamente que: 1) a declara\u00e7\u00e3o em quest\u00e3o \u00e9 id\u00eantica \u00e0 categoria mencionada ou est\u00e1 pelo menos contida nela; e 2) o sistema mencionado foi inteiramente rejeitado pela presente audi\u00eancia.<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00ba 33. Admita as premissas do seu oponente mas negue a sua conclus\u00e3o. Exemplo: \u201cIsso \u00e9 muito bom na teoria, mas na pr\u00e1tica n\u00e3o funciona\u201d. [n\u00e3o \u00e9 necessariamente desonesto&#8230; s\u00f3 o \u00e9 se a conclus\u00e3o realmente for procedente]<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00ba 34. Se voc\u00ea apresenta uma pergunta ou um argumento e seu oponente n\u00e3o lhe d\u00e1 uma resposta direta, contorna-os com outra pergunta ou tenta mudar de assunto, \u00e9 sinal claro de que voc\u00ea atingiu um ponto fraco, por vezes de forma n\u00e3o intencional. Voc\u00ea, por assim dizer, reduziu seu oponente ao sil\u00eancio. Insista, portanto, ainda mais no ponto em quest\u00e3o, e n\u00e3o deixe que seu oponente o evite, mesmo quando voc\u00ea n\u00e3o sabe ainda em que consiste a fraqueza que acaba de descobrir. Ao seguirmos estas regras com esta finalidade, n\u00e3o devemos nos preocupar em qualquer sentido com a verdade objetiva, porque normalmente n\u00e3o sabemos onde est\u00e1 a verdade.<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00ba 35. Ao inv\u00e9s de concentrar-se no intelecto do seu oponente ou no rigor de seus argumentos, concentre-se nos motivos dele. Se voc\u00ea conseguir fazer com que a opini\u00e3o do seu oponente, caso se mostre verdadeira, pare\u00e7a distintamente prejudicial ao seu pr\u00f3prio interesse, ele a abandonar\u00e1 imediatamente. Exemplo: Um cl\u00e9rigo est\u00e1 defendendo algum dogma filos\u00f3fico. Demonstre que sua proposi\u00e7\u00e3o contradiz alguma doutrina fundamental da sua igreja, e ele se ver\u00e1 for\u00e7ado a abandonar o argumento. [n\u00e3o necessariamente desonesta]<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00ba 36. Voc\u00ea pode tamb\u00e9m confundir e desconcertar seu oponente atrav\u00e9s de grandiloq\u00fc\u00eancia pura e simples. Se seu advers\u00e1rio \u00e9 fraco ou se n\u00e3o deseja aparentar n\u00e3o ter id\u00e9ia sobre o que est\u00e1 falando, voc\u00ea pode impor facilmente sobre ele algum argumento que pare\u00e7a profundo e erudito, ou soe como inquestion\u00e1vel.<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00ba 37. Se seu oponente estiver certo mas, felizmente para voc\u00ea, apresentar uma prova deficiente, voc\u00ea pode com facilidade refutar a prova e em seguida alegar que refutou a posi\u00e7\u00e3o inteira. \u00c9 dessa forma que maus advogados perdem boas causas. Se seu oponente for incapaz de produzir uma prova irrefut\u00e1vel, voc\u00ea ganhou o dia.<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00ba 38. Parta para o ataque pessoal, insultando grosseiramente, t\u00e3o logo perceba que seu oponente est\u00e1 com a vantagem. Pa<br \/>\nrtindo para o ataque pessoal voc\u00ea abandona o assunto por completo, passando a concentrar o seu ataque na pessoa, fazendo uso de observa\u00e7\u00f5es ofensivas e malevolentes. Esta \u00e9 uma t\u00e9cnica muito popular, porque requer pouca habilidade para ser colocada em pr\u00e1tica.<\/strong> <\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Os <strong><a href=\"http:\/\/skepticblog.org\/2009\/02\/02\/how-not-to-argue\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">38 pontos em ingl\u00eas podem ser lidos aqui<\/a><\/strong>, e aos que se interessarem pelo assunto e tamb\u00e9m quiserem uma obra acess\u00edvel em bom portugu\u00eas sobre boa argumenta\u00e7\u00e3o, a dica \u00e9 o livro \u201c<strong><a href=\"http:\/\/www.intelliwise.com.br\/pcrit.asp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pensamento Cr\u00edtico e Argumenta\u00e7\u00e3o S\u00f3lida<\/a><\/strong>\u201d de <strong>Sergio Navega<\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA arte de discutir, e discutir de forma a vencer um debate, quer se esteja certo ou errado, por meios l\u00edcitos ou il\u00edcitos. Um homem pode estar objetivamente certo, e ainda assim aos olhos de espectadores, e por vezes a seu pr\u00f3prio ver, parecer estar errado\u201d. \u00c9 assim que o fil\u00f3sofo alem\u00e3o Arthur Schopenhauer (1788-1860) [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":467,"featured_media":1496,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-1495","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ceticismo"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-content\/uploads\/sites\/219\/2011\/08\/argument-clinic.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1495","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/467"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1495"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1495\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1496"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1495"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1495"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1495"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}