{"id":1558,"date":"2009-04-12T01:28:10","date_gmt":"2009-04-12T04:28:10","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/100nexos\/2009\/04\/o_que_e_ciencia_o_que_e_pseudo\/"},"modified":"2009-04-12T01:28:10","modified_gmt":"2009-04-12T04:28:10","slug":"o_que_e_ciencia_o_que_e_pseudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/2009\/04\/12\/o_que_e_ciencia_o_que_e_pseudo\/","title":{"rendered":"O que \u00e9 ci\u00eancia? O que \u00e9 Pseudoci\u00eancia?"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"mt-enclosure mt-enclosure-image\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" alt=\"katerscience.gif\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-content\/uploads\/sites\/219\/2011\/08\/katerscience1.gif\" width=\"500\" height=\"432\" class=\"mt-image-none\" \/><\/span><\/p>\n<p>Por <strong><a href=\"http:\/\/www.lhup.edu\/~dsimanek\/pseudo\/scipseud.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Donald E. Simanek<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Um visitante de meu website pergunta &quot;Qual \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o de pseudoci\u00eancia?&quot;. \u00c9 uma pergunta justa, mas desafiadora. Normalmente esperar\u00edamos que os praticantes de uma disciplina a definam, mas neste caso os praticantes de pseudoci\u00eancia n\u00e3o reconhecem a validade do r\u00f3tulo.<\/p>\n<p>A pergunta se traduz para &quot;Como se distingue entre ci\u00eancia e pseudoci\u00eancia&quot;. Talvez n\u00f3s dev\u00eassemos primeiro chegar a uma defini\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia. Mesmo isto n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil, j\u00e1 que ela tem tantas nuances. Livros inteiros foram escritos sobre o assunto.<\/p>\n<p>O cientista poderia responder &quot;eu reconhe\u00e7o pseudoci\u00eancia quando eu a vejo&quot;. Mas os limites entre a ci\u00eancia e a pseudoci\u00eancia s\u00e3o nebulosos. \u00c0s vezes \u00e9 dif\u00edcil distinguir especula\u00e7\u00e3o cient\u00edfica sofisticada de pseudoci\u00eancia.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Vamos reconhecer dois usos da palavra &#8216;ci\u00eancia&#8217;. Primeiro, \u00e9 uma atividade executada por cientistas, com certas mat\u00e9rias-primas, prop\u00f3sitos e metodologia. Segunda, \u00e9 o <em>resultado<\/em> desta atividade: Um corpo bem estabelecido e bem testado de fatos, leis e modelos que descrevem o mundo natural.<\/p>\n<p>Os cientistas aceitam que as observa\u00e7\u00f5es e os resultados de ci\u00eancia devem ser &quot;objetivos&quot;. Isto \u00e9, que eles devem ser repet\u00edveis, test\u00e1veis e pass\u00edveis de confirma\u00e7\u00e3o por outros cientistas, at\u00e9 mesmo (e especialmente) os c\u00e9ticos. O edif\u00edcio de lei e teoria que a ci\u00eancia constr\u00f3i deve ser representante de uma percep\u00e7\u00e3o &quot;compartilhada&quot; que pode ser observada e verificada por qualquer pessoa equipada com boas habilidades de observa\u00e7\u00e3o e ferramentas de medi\u00e7\u00e3o apropriadas. Muito da ci\u00eancia moderna usa linguagem e conceitos que v\u00e3o muito al\u00e9m do direta e imediatamente observ\u00e1vel, mas deve sempre haver v\u00ednculos l\u00f3gicos e v\u00ednculos operacionais experimentais entre estes conceitos e coisas que n\u00f3s <strong>podemos<\/strong> observar.<\/p>\n<p>Como parte do processo de elaborar modelos e teorias cient\u00edficas, cientistas devem exercitar a imagina\u00e7\u00e3o, inovar e especular. Este \u00e9 o componente criativo da atividade. Mas eles tamb\u00e9m devem manter um rigor disciplinado para assegurar que suas teorias e modelos se ajustam a uma estrutura l\u00f3gica e consistente inter-relacionada. O edif\u00edcio final chamado <em>ci\u00eancia<\/em> permite a dedu\u00e7\u00e3o de predi\u00e7\u00f5es sobre o mundo, predi\u00e7\u00f5es que podem ser testadas contra observa\u00e7\u00f5es e contra medidas precisas feitas na natureza. A natureza n\u00e3o perdoa enganos, e quando experi\u00eancias discordarem com as predi\u00e7\u00f5es de leis e modelos cient\u00edficos, ent\u00e3o essas leis e modelos devem ser modificados ou descartados.<\/p>\n<p>Estilos pessoais dos cientistas, preconceitos e at\u00e9 limita\u00e7\u00f5es s\u00e3o realidades sempre presente no processo. Mas teste rigoroso e c\u00e9tico do resultado de final deve ser suficientemente completo para revelar quaisquer enganos.<\/p>\n<p>\u00c9 bastante f\u00e1cil distinguir ci\u00eancia de pseudoci\u00eancia com base no produto final, as leis e teorias. Se os resultados (1) n\u00e3o podem ser testados de qualquer forma, (2) foram testados e sempre falharam no teste, ou (3) predizem resultados que s\u00e3o contradit\u00f3rios \u00e0 ci\u00eancia bem estabelecidas e bem testada, ent\u00e3o n\u00f3s podemos com razo\u00e1vel seguran\u00e7a dizer que estamos lidando com pseudoci\u00eancia.<\/p>\n<p>J\u00e1 no n\u00edvel de especula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil. Considere estes dois exemplos.<\/p>\n<ol>\n<li>A no\u00e7\u00e3o de que part\u00edculas hipot\u00e9ticas (t\u00e1quions) podem viajar mais r\u00e1pido que a luz \u00e9 uma id\u00e9ia pseudocient\u00edfica? Bem, esta especula\u00e7\u00e3o foi proposta por cientistas com credenciais perfeitamente respeit\u00e1veis, e outros experimentadores respeit\u00e1veis passaram tempo procurando por tais part\u00edculas. Nenhuma foi achada. N\u00f3s esperamos mais encontrar alguma, mas n\u00e3o consideramos a id\u00e9ia como tendo sido &quot;n\u00e3o cient\u00edfica&quot;.<br \/>\n<\/li>\n<li>\u00c9 cient\u00edfico sugerir a hip\u00f3tese de que se poderia construir uma m\u00e1quina de movimento perp\u00e9tuo que funcionaria para sempre produzindo energia, sem nenhuma entrada de for\u00e7a? A maioria dos cientistas responderia &quot;N\u00e3o&quot;.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Qual \u00e9 a diferen\u00e7a essencial entre estes dois exemplos? No primeiro caso, os t\u00e1quions hipot\u00e9ticos n\u00e3o violariam quaisquer princ\u00edpios conhecidos da f\u00edsica. No segundo caso, uma m\u00e1quina de movimento perp\u00e9tuo violaria as leis muito bem estabelecidas da termodin\u00e2mica, e tamb\u00e9m violaria at\u00e9 leis mais fundamentais, como as leis de Newton, de conserva\u00e7\u00e3o momento e momento angular.<\/p>\n<p>Mas as leis e teorias da f\u00edsica s\u00e3o sagradas? Claro que n\u00e3o; elas representam parte da estrutura l\u00f3gica chamada &quot;f\u00edsica estabelecida&quot; que \u00e9 a culmina\u00e7\u00e3o de nosso conhecimento cient\u00edfico acumulado. Esperamos certamente que descobertas e id\u00e9ias futuras nos levar\u00e3o a modificar esta estrutura de algumas formas. Isto n\u00e3o invalidar\u00e1 o todo da f\u00edsica, uma vez que as leis e teorias antigas continuar\u00e3o a funcionar t\u00e3o bem quanto sempre funcionaram, mas estrutura mais nova teria mais precis\u00e3o, poder, escopo ou abrang\u00eancia, e poderia ter uma estrutura conceitual mais atraente. Tal evolu\u00e7\u00e3o e modifica\u00e7\u00e3o ininterruptas da f\u00edsica \u00e9 gradual e geralmente muda apenas uma por\u00e7\u00e3o pequena do vasto edif\u00edcio da f\u00edsica. De vez em quando, uma &quot;revolu\u00e7\u00e3o&quot; de pensamento acontecer nos levando a repensar ou reformular uma grande parte da f\u00edsica, mas mesmo elas n\u00e3o tornam as formula\u00e7\u00f5es antigas inv\u00e1lidas dentro de seu \u00e2mbito original de aplicabilidade.<\/p>\n<p>Certos princ\u00edpios, leis e teorias da hist\u00f3ria mais antiga da f\u00edsica t\u00eam sobrevivido inc\u00f3lumes. Leis das m\u00e1quinas de Arquimedes, e suas leis de l\u00edquidos funcionam hoje t\u00e3o bem quanto funcionavam. As leis de Newton ainda funcionam bem, embora a relatividade tenha se estendido tremendamente sobre a abrang\u00eancia da mec\u00e2nica cl\u00e1ssica. Mesmo o modelo geoc\u00eantrico j\u00e1 descartado de Ptolomeu do sistema solar (com seus ciclos, epiciclos, exc\u00eantricos e deferentes) previa corretamente os dados das posi\u00e7\u00f5es planet\u00e1rias no c\u00e9u, e se ningu\u00e9m hoje se importasse em fazer isso, aquele modelo ptolemaico poderia facilmente ser estendido e aperfei\u00e7oado para funcionar com nossos dados melhorados das posi\u00e7\u00f5es planet\u00e1rias para predizer posi\u00e7\u00f5es planet\u00e1rias passadas e futuras. Mas seria \u00fatil apenas <strong>para esse prop\u00f3sito limitado<\/strong>, j\u00e1 que n\u00e3o leva for\u00e7as gravitacionais em conta e n\u00e3o modelou corretamente as dist\u00e2ncias de planetas de n\u00f3s e uns aos outros. A mec\u00e2nica de Newton e sua teoria de gravidade deram um \u00e2mbito muito maior para a mec\u00e2nica celestial, unificou-a com a mec\u00e2nica terrestre, e tornou-a uma ferramenta poderosa na compreens\u00e3o de todo o universo, n\u00e3o s\u00f3 nosso sistema solar local.<\/p>\n<p>Assim, \u00e9 razo\u00e1vel esperar que as leis de Newton e as leis da termodin\u00e2mica ser\u00e3o de repente tornadas inv\u00e1lidas pelas experi\u00eancias de algum inventor de fundo de quintal para alcan\u00e7ar o movimento perp\u00e9tuo? N\u00e3o. Essas pessoas recebem apropriadamente o r\u00f3tulo de &#8216;pseudocientista &#8216; ou mesmo &#8216;malucos&#8217;.<\/p>\n<p>Os que buscam o movimento perp\u00e9tuo s\u00e3o um exemplo perfeito do impulso cient\u00edfico mal direcionado. Eles exibem a maior parte das qualidades de pseudocientistas de todos os tipos. N\u00f3s listamos abaixo algumas qualidades da, ou sintomas da, pseudoci\u00eancia. Isto tamb\u00e9m \u00e9 um cat\u00e1logo das muitas coisas que podem levar a enganos e erros em ci\u00eancia. A hist\u00f3ria da pr\u00f3pria ci\u00eancia fornece exemplos de alguns destes, mas esperamos que aprendemos com os enganos de nossa hist\u00f3ria passada. Poucas pseudoci\u00eancias exibem <strong>todas<\/strong> estas caracter\u00edsticas.<\/p>\n<ol>\n<li>Pseudocientistas t\u00eam conhecimento e compreens\u00e3o deficientes ou superficiais da ci\u00eancia bem estabelecida.<\/li>\n<li>Suas propostas s\u00e3o ent\u00e3o baseadas em uma compreens\u00e3o incorreta de princ\u00edpios muito b\u00e1sicos e bem estabelecidos da f\u00edsica e engenharia.<\/li>\n<li>Os inventores podem n\u00e3o estar sequer cientes destas falhas em seu racioc\u00ednio.<\/li>\n<li>Eles sentem que a f\u00edsica \u00e9 desnecessariamente complicada porque f\u00edsicos s\u00e3o &#8216;cegos&#8217; para explica\u00e7\u00f5es mais simples.<\/li>\n<li>Alguns reclamam que a f\u00edsica \u00e9 &quot;muito matem\u00e1tica&quot; enquanto outros iludem os inocentes com gin\u00e1stica matem\u00e1tica, pensando erradamente que matem\u00e1tica \u00e9 f\u00edsica, n\u00e3o entendendo que \u00e9 apenas uma ferramenta de modelagem.<\/li>\n<li>Eles se concentram obsessivamente em um problema estreito sem captar a poderosa interconex\u00e3o da teoria f\u00edsica. Podem desta forma n\u00e3o estar cientes das implica\u00e7\u00f5es e conseq\u00fc\u00eancias mais amplas de suas id\u00e9ias.<\/li>\n<li>Eles t\u00eam confian\u00e7a incomum em si mesmos, somada a uma f\u00e9 quase religiosa de que suas intui\u00e7\u00f5es e palpites fornecem um guia confi\u00e1vel para a verdade cient\u00edfica.<\/li>\n<li>Qualquer um que falhe em ver seu g\u00eanio \u00e9 rotulado como &#8216;cego&#8217;. Eles adoram comparar-se a inovadores do passado cujas id\u00e9ias foram inicialmente rejeitadas. &quot;Eles riram de Galileu, n\u00e3o \u00e9?&quot;<\/li>\n<li>Pseudocientistas est\u00e3o descontentes com o fato de que suas id\u00e9ias s\u00e3o ignoradas pela comunidade cient\u00edfica. Eles se comportam como se cientistas devessem largar tudo que estejam fazendo para investigar suas propostas especulativas, embora estas propostas n\u00e3o sejam motivadas por conhecimento cient\u00edfico estabelecidos, e possam ser cientificamente improv\u00e1veis.<\/li>\n<li>Pseudocientistas confiam demais no testemunho pessoal de indiv\u00edduos e outras evid\u00eancias aned\u00f3ticas.<\/li>\n<li>Pseudocientistas t\u00eam uma obsess\u00e3o com observa\u00e7\u00f5es an\u00f4malas que parecem para n\u00e3o ajustar se ajustar \u00e0 teoria cient\u00edfica estabelecida.<\/li>\n<li>Pseudocientistas freq\u00fcentemente exibem uma atitude &quot;Se parece certo para mim, deve estar certo&quot;.<\/li>\n<li>Pseudocientistas sentem que &quot;Coincid\u00eancias n\u00e3o existem&quot;.<\/li>\n<li>Pseudocientistas t\u00eam uma obsess\u00e3o em encontrar &quot;padr\u00f5es&quot; em dados. Os cientistas devem buscar padr\u00f5es tamb\u00e9m, mas \u00e9 um engano buscar significado em padr\u00f5es de coisas que n\u00e3o t\u00eam nenhuma conex\u00e3o ou rela\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, como padr\u00f5es de estrelas no c\u00e9u (constela\u00e7\u00f5es), folhas de ch\u00e1 ou borr\u00f5es de tinta.<\/li>\n<li>Pseudocientistas freq\u00fcentemente cometem v\u00e1rios abusos da estat\u00edstica.<\/li>\n<li>Pseudocientistas s\u00e3o motivados por considera\u00e7\u00f5es que se situam fora do escopo da ci\u00eancia, ou que j\u00e1 foram completamente desacreditadas. Exemplo, a aceita\u00e7\u00e3o de acupunturistas da realidade de &quot;caminhos de energia&quot; espec\u00edficos no corpo humano. Outro exemplo: A vis\u00e3o de criacionistas de que a ci\u00eancia deve estar em harmonia com sua interpreta\u00e7\u00e3o particular da tradu\u00e7\u00e3o da B\u00edblia.<\/li>\n<\/ol>\n<h3>Respostas a Correspondentes<\/h3>\n<h4>Motiva\u00e7\u00f5es Filos\u00f3ficas.<\/h4>\n<p>Um correspondente me lembra de que n\u00e3o disse muito sobre as <strong>motiva\u00e7\u00f5es<\/strong> de pseudocientistas que acredita em certos fen\u00f4menos &quot;paranormais&quot;. Aqui est\u00e3o alguns que s\u00e3o comumente vistos.<\/p>\n<ul>\n<li>Um sentimento de que o mundo descrito por ci\u00eancia \u00e9 muito ordenado e restrito. Eles anseiam pela possibilidade de magia e milagres.<\/li>\n<li>Uma convic\u00e7\u00e3o de que existem na natureza poderes ocultos que podem ser dominados pela mente humano, se o praticante for suficientemente dedicado.<\/li>\n<li>Nada que possa ser imaginado \u00e9 imposs\u00edvel.<\/li>\n<li>Uma ci\u00eancia que n\u00e3o agrada a meu bom senso n\u00e3o pode estar correta.<\/li>\n<li>A ci\u00eancia verdadeira devia ser compreens\u00edvel por todos. <\/li>\n<\/ul>\n<p>As tr\u00eas primeiras atitudes t\u00eam muito em comum com a filosofia Herm\u00e9tica dos alquimistas. Eles acreditavam que se algu\u00e9m fosse puro de esp\u00edrito poderia obter poder sobre natureza, um poder equipar\u00e1vel ao de um deus.<\/p>\n<p>As \u00faltimas duas s\u00e3o uma rea\u00e7\u00e3o contra a complexidade da ci\u00eancia, que realmente exige um bom embasamento em matem\u00e1tica para ser compreendida. Eu inventei um &quot;slogan&quot; de brincadeira para ilustrar isto: &quot;Se os deuses quisessem que n\u00f3s entend\u00eassemos f\u00edsica, eles a teriam feito mais simples&quot;.<\/p>\n<h4>Mais motiva\u00e7\u00f5es.<\/h4>\n<p>O questionamento do pseudocientista \u00e0 ci\u00eancia \u00e9 freq\u00fcentemente motivado por alguma coisa que o questionador n\u00e3o gosta, ou n\u00e3o aceita, ou algo que entra em conflito com uma convic\u00e7\u00e3o emocional apaixonadamente defendida. Eles est\u00e3o normalmente totalmente ignorantes de que &quot;corrigindo&quot; a coisa de que n\u00e3o gostam de modo que lhes agrade tem implica\u00e7\u00f5es muito mais profundas.<\/p>\n<p>Por exemplo, o inventor de movimento perp\u00e9tuo diz, &quot;Eu n\u00e3o gosto da terceira lei do Newton, e eu suspeito que essa lei n\u00e3o \u00e9 correta. Se estiver errada, eu poderia criar um motor sem ra\u00e7\u00e3o e facilmente alcan\u00e7ar o movimento perp\u00e9tuo&quot;. Sim, realmente, mudar a terceira de Newton demoliria a conserva\u00e7\u00e3o de momento, a conserva\u00e7\u00e3o de energia, as leis da termodin\u00e2mica e quase tudo que n\u00f3s pensamos que sabemos sobre qu\u00edmica, f\u00edsica at\u00f4mica e nuclear, etc. etc. Tais pessoas simplesmente n\u00e3o percebem a vasta interconex\u00e3o de tudo em ci\u00eancia. Agora n\u00f3s perguntamos: &quot;\u00c9 razo\u00e1vel supor que tudo isto est\u00e1 errado? Eu quero dizer, <strong>seriamente<\/strong> errado? Voc\u00ea est\u00e1 preparado para refazer a f\u00edsica desde o in\u00edcio, descartando e substituindo algo como 11 s\u00e9culos de desenvolvimento hist\u00f3rico? O que ser tem a ganhar fazendo isto?&quot;.<\/p>\n<p>Claro que o pseudocientista n\u00e3o \u00e9 equipado para essa tarefa monumental e realmente n\u00e3o se importa com o quadro maior&#8211;apenas aquela pequena coisa ou n\u00famero pequeno de coisas na ci\u00eancia convencional que achou inaceit\u00e1vel.<\/p>\n<p>Agora, se o pseudocientista pudesse apontar para apenas uma experi\u00eancia s\u00f3lida, reproduz\u00edvel, bem testada que <strong>demonstrasse conclusivamente<\/strong> uma falha ou exce\u00e7\u00e3o \u00e0 terceira lei de Newton, isso poderia ser uma boa raz\u00e3o para questionar a lei, conduzir mais provas independentes, e se a lei for realmente descoberta como deficiente, procurar por um caminho para modific\u00e1-la para deix\u00e1-la de acordo com a experi\u00eancia. Mas o pseudocientista nunca pode produzir tal evid\u00eancia. Ele s\u00f3 &quot;pensa&quot; ou &quot;espera&quot; ou tem a &quot;intui\u00e7\u00e3o&quot; ou a &quot;sensa\u00e7\u00e3o&quot; de que a ci\u00eancia est\u00e1 errada de modo que poderia permitir a ele alcan\u00e7ar sua meta estimada de movimento perp\u00e9tuo. Al\u00e9m disso, pseudocientistas quase sempre t\u00eam uma compreens\u00e3o deficiente da ci\u00eancia que eles menosprezam (ou pelo menos questionam), que os leva eles a cometer erros de an\u00e1lise ou julgamento que envergonhariam um aluno de primeiro ano de f\u00edsica.<\/p>\n<p>Outro exemplo \u00e9 visto naquelas pessoas que desejam reavivar a teoria cl\u00e1ssica do \u00e9ter. N\u00f3s perguntamos a eles &quot;Por qu\u00ea?&quot;. Normalmente \u00e9 apenas que eles n\u00e3o podem conceber o espa\u00e7o com nada, ou eles n\u00e3o podem aceitar a a\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia, ou eles n\u00e3o entendem que campos sejam modelos meramente matem\u00e1ticos, e n\u00e3o algo &quot;no&quot; espa\u00e7o. \u00c9 um apego sentimental.<\/p>\n<p>Eu perguntei a um crente no movimento perp\u00e9tuo por que ele pensava que o movimento perp\u00e9tuo seria poss\u00edvel. Ele escreveu candidamente para mim: &quot;Eu n\u00e3o estou certo sobre por que estou convencido de que \u00e9 poss\u00edvel, acho que \u00e9 apenas porque eu <strong>quero <\/strong>que ele seja poss\u00edvel&quot;. \u00c9 raro que as pessoa possam realmente articular isto.<\/p>\n<h4>O argumento da incredulidade.<\/h4>\n<p>Uma dessas pessoas insiste que a energia cin\u00e9tica n\u00e3o pode ser <strong>(1\/2)mv^2<\/strong> porque &quot;uma velocidade quadrada \u00e9 absurda&quot;. Outro alega que um corpo em queda n\u00e3o pode acelerar pela lei <strong>(1\/2)gt^2 <\/strong>porque &quot;um segundo ao quadrado \u00e9 inconceb\u00edvel&quot;.<\/p>\n<p>Eu chamo este o &quot;argumento da incredulidade&quot;. Aqui est\u00e1 outro exemplo: &quot;Eu acho incompreens\u00edvel que corpos possam exercer for\u00e7as uns aos outros sem nada material entre eles, ent\u00e3o deve haver algo entre eles&quot;. Seria isto muito diferente do criacionista que diz &quot;eu acho incompreens\u00edvel que projeto possa surgir de desordem sem um projetista, ent\u00e3o ele deve ser imposs\u00edvel&quot;?<\/p>\n<p>Os cientistas est\u00e3o completamente justificados em descartar estes argumentos como igualmente vazios e irrelevantes.<\/p>\n<p>Como isto \u00e9 diferente do cientista que est\u00e1 t\u00e3o certo das leis de conserva\u00e7\u00e3o e das leis da termodin\u00e2mica que estas nunca est\u00e3o questionadas? Ainda que algum experimentador alegue ter achado uma falha em uma destas leis, essa pessoa \u00e9 desconsiderada como tendo se enganado. Suponha que algu\u00e9m diga que soltou um corpo em repouso de uma altura medida, cronometrou a queda e descobriu que o corpo acelerou a <strong>2g<\/strong>, duas vezes a acelera\u00e7\u00e3o &quot;aceita&quot; devido \u00e0 gravidade. A experi\u00eancia foi feita na superf\u00edcie da Terra. Ele diz ter checado cuidadosamente para eliminar qualquer possibilidade de outras influ\u00eancias na acelera\u00e7\u00e3o do corpo. Dever\u00edamos acreditar nele? Claro que n\u00e3o. Supomos que ele cometeu um engano em uma medida ou c\u00e1lculo, ou est\u00e1 tentando enganar. N\u00f3s n\u00e3o pensamos sequer um segundo que ele poderia ter achado um lugar especial onde a acelera\u00e7\u00e3o devido \u00e0 gravidade era duas vezes aquela em outros lugares na Terra. Um pseudocientista poderia pensar que ele usou &quot;poderes mentais&quot; para acelerar a queda. Um cientista iria, bastante apropriadamente, nem mesmo aventar a possibilidade de que no tempo particular quando a experi\u00eancia foi feita, a acelera\u00e7\u00e3o devido \u00e0 gravidade teria um aumento moment\u00e2neo que passou despercebido em todos os outros lugares na Terra.<\/p>\n<p>Este tipo de coisa realmente aconteceu em um de meus laborat\u00f3rios de mec\u00e2nica alguns anos atr\u00e1s. Dois alunos estavam medindo a acelera\u00e7\u00e3o da gravidade com um aparato especializado chamou p\u00eandulo f\u00edsico de Kater. A an\u00e1lise matem\u00e1tica exigida era um pouco complicada de entender. Os alunos relataram um valor da acelera\u00e7\u00e3o da gravidade de algo como 4.8 m\/s2. Claro que eu sabia que eles haviam cometido um erro na matem\u00e1tica, mas eles insistiram que confirmaram tudo. Eu disse, &quot;seria melhor voc\u00eas encontrarem o erro, j\u00e1 que fico desconfort\u00e1vel caminhando por a\u00ed em um laborat\u00f3rio onde a acelera\u00e7\u00e3o da gravidade \u00e9 apenas metade do que deveria ser&quot;. Uma semana mais tarde eles acharam seu erro e, eu espero, aprenderam algo da experi\u00eancia.<\/p>\n<p>&#8211; &#8211; &#8211;<\/p>\n<p>Primeira vers\u00e3o do documento, maio de 2002. \u00daltima revis\u00e3o, novembro de 2008. Traduzido em abril de 2009 por Kentaro Mori.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Donald E. Simanek Um visitante de meu website pergunta &quot;Qual \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o de pseudoci\u00eancia?&quot;. \u00c9 uma pergunta justa, mas desafiadora. Normalmente esperar\u00edamos que os praticantes de uma disciplina a definam, mas neste caso os praticantes de pseudoci\u00eancia n\u00e3o reconhecem a validade do r\u00f3tulo. 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