{"id":1745,"date":"2010-02-02T23:23:55","date_gmt":"2010-02-03T02:23:55","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/100nexos\/2010\/02\/a_humanidade_no_merece_ir_lua\/"},"modified":"2010-02-02T23:23:55","modified_gmt":"2010-02-03T02:23:55","slug":"a_humanidade_no_merece_ir_lua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/2010\/02\/02\/a_humanidade_no_merece_ir_lua\/","title":{"rendered":"A Humanidade n\u00e3o merece ir \u00e0 Lua (I)"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" style=\"border-right-width: 0px;border-top-width: 0px;border-bottom-width: 0px;border-left-width: 0px\" border=\"0\" alt=\"wright-armstrong\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-content\/uploads\/sites\/219\/2011\/08\/wrightarmstrong1.jpg\" width=\"500\" height=\"320\" \/> <\/p>\n<p>Reconhece a imagem acima? Est\u00e1 um tanto distorcida, mas \u00e9 o <em>Flyer<\/em> dos irm\u00e3os Wright, o primeiro avi\u00e3o a voar em 17 de dezembro de 1903. A raz\u00e3o da pequena distor\u00e7\u00e3o \u00e9 singela: o Flyer est\u00e1 sendo visto como um reflexo dourado em uma r\u00e9plica do traje lunar de <strong>Neil Armstrong<\/strong>, o primeiro homem a pisar na Lua em 20 de julho de 1969.<\/p>\n<p>O reflexo no visor recoberto de ouro, em um breve encontro do Flyer original e da r\u00e9plica do traje de Armstrong, se deu brevemente no ano passado, permitindo a estupenda fotografia repleta de significado. Como <a href=\"http:\/\/www.airspacemag.com\/snapshot\/53948817.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">destacou a revista <em>Air and Space<\/em><\/a>, apenas 65 anos e meio separam o primeiro avi\u00e3o do primeiro pouso na Lua, ilustrando a rapidez com que fomos de um pequeno v\u00f4o a um gigantesco salto. Das asas de pano aos trajes multi-camada capazes de suportar varia\u00e7\u00f5es de temperatura de centenas de graus e proteger um ser humano em outro mundo. Das dezenas de metros do primeiro v\u00f4o, aos quase 400.000 km que nos separam do sat\u00e9lite natural.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-content\/uploads\/sites\/219\/2011\/08\/wrightflyerarmstrong.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"border-right-width: 0px;float: none;border-top-width: 0px;border-bottom-width: 0px;margin-left: auto;border-left-width: 0px;margin-right: auto\" border=\"0\" alt=\"wrightflyer-armstrong\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-content\/uploads\/sites\/219\/2011\/08\/wrightflyerarmstrong_thumb.jpg\" width=\"326\" height=\"489\" \/><\/a><\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cImagine nascer em 17 de dezembro de 1890, em um mundo onde os esfor\u00e7os para o v\u00f4o motorizado n\u00e3o tinham ido a lugar algum em toda hist\u00f3ria humana. Em seu anivers\u00e1rio de 13 anos, os humanos finalmente solucionam o enigma de voar. E quando voc\u00ea alcan\u00e7asse os 79 anos e meio, humanos pisariam na Lua. Coisa pouca, n\u00e3o?\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Como n\u00e3o se orgulhar disto? Apesar de todas nossas limita\u00e7\u00f5es, fomos capazes de em menos de tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00f3 conquistar o v\u00f4o dos p\u00e1ssaros, como realizar um feito que at\u00e9 onde sabemos nenhum ser vivo, terrestre ou n\u00e3o, realizou em bilh\u00f5es de anos. N\u00e3o existem p\u00e1ssaros capazes de ir \u00e0 Lua. Pisar na Lua representou o \u00e1pice daquilo que nos faz humanos, daquilo que podemos fazer e que, at\u00e9 onde sabemos, ningu\u00e9m nem nada mais pode fazer.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o formos n\u00f3s a colonizar outros planetas, n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia de que a natureza colonize com vida abundante o sistema solar, muito menos outros sistemas estelares. De fato, \u00e9 poss\u00edvel que outros planetas no sistema solar como Marte j\u00e1 tenham abrigado vida, mas hoje ela mal se faz presente, se \u00e9 que ainda existe. A terceira grande rocha a partir do Sol \u00e9 o \u00fanico local onde conhecemos vida, e vida com uma diversidade incr\u00edvel.<\/p>\n<p>Incluindo a\u00ed uma esp\u00e9cie capaz de visitar outros mundos n\u00e3o atrav\u00e9s de alguma caracter\u00edstica biol\u00f3gica especial desenvolvida pela evolu\u00e7\u00e3o em bilh\u00f5es de anos. Nada contra os p\u00e1ssaros e seu v\u00f4o. Mas somos capazes de feitos concretizados por tecnologia, que transforma em 65 anos um avi\u00e3o de madeira e pano que mal se sustenta no ar em um foguete de 100 metros de altura e mais de 3.000 toneladas capaz de lan\u00e7ar 47 destas em \u00f3rbita de outro mundo.<\/p>\n<p>Podemos isto porque somos humanos, e se h\u00e1 algo com que se orgulhar em ser humano, \u00e9 lembrar do que fizemos, do que pudemos e principalmente, do que podemos fazer. N\u00e3o se pode enfatizar o quanto de mais valoroso o sucesso do projeto Apollo representa, as conquistas s\u00e3o intermin\u00e1veis.<\/p>\n<p>Depois de todo este entusiasmo, no entanto, no pr\u00f3ximo texto tentarei explicar por que o projeto Apollo tamb\u00e9m representa por que n\u00e3o merecemos ir \u00e0 Lua, em uma s\u00e9rie de textos aqui em 100nexos com algumas reflex\u00f5es sobre o cancelamento do projeto americano de retornar \u00e0 Lua noticiado recentemente. [imagem via <a href=\"http:\/\/cgr20.blogspot.com\/2009\/08\/sesenta-y-cinco-anos-y-medio-son-los.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">cgr v2.0<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reconhece a imagem acima? Est\u00e1 um tanto distorcida, mas \u00e9 o Flyer dos irm\u00e3os Wright, o primeiro avi\u00e3o a voar em 17 de dezembro de 1903. 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