{"id":1826,"date":"2010-06-15T22:33:26","date_gmt":"2010-06-16T01:33:26","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/100nexos\/2010\/06\/benjamin_redentor\/"},"modified":"2010-06-15T22:33:26","modified_gmt":"2010-06-16T01:33:26","slug":"benjamin_redentor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/2010\/06\/15\/benjamin_redentor\/","title":{"rendered":"Benjamin Redentor"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-content\/uploads\/sites\/219\/2011\/08\/cristoredentor.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px;border-left: 0px;border-top: 0px;border-right: 0px\" border=\"0\" alt=\"cristo-redentor\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-content\/uploads\/sites\/219\/2011\/08\/cristoredentor_thumb1.jpg\" width=\"500\" height=\"375\" \/><\/a> <\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cE os soldados, tecendo uma coroa de espinhos, lha puseram sobre a cabe\u00e7a, e lhe vestiram roupa de p\u00farpura. E diziam: Salve, Rei dos Judeus\u201d. \u2013 Jo\u00e3o 19:2-3<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Com quase 40 metros de altura, o <em>Cristo Redentor<\/em> no Rio tamb\u00e9m usa uma coroa de espinhos, mas uma que \u00e9 raramente vista e n\u00e3o faz exatamente parte do projeto art\u00edstico do monumento religioso, porque \u00e9 parte do sistema de p\u00e1ra-raios que o protege contra descargas el\u00e9tricas. Na fotografia acima, de <a href=\"http:\/\/www.zerrenner.fot.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Ricardo Zerrenner<\/strong><\/a> (clique para ampli\u00e1-la), pode-se ver a \u201ccoroa\u201d e o sistema que se estende tamb\u00e9m pelos bra\u00e7os da est\u00e1tua.<\/p>\n<p>A prote\u00e7\u00e3o dos p\u00e1ra-raios \u00e9 muito necess\u00e1ria, uma vez que como o peri\u00f3dico <a href=\"http:\/\/odia.terra.com.br\/rio\/htm\/raio_mutila_dedo_do_cristo_229472.asp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>O Dia<\/em> n\u00e3o deixou de notar<\/a>, \u201cprote\u00e7\u00e3o divina n\u00e3o foi suficiente para preservar uma das Sete Novas Maravilhas do mundo\u201d. Parte do dedo da m\u00e3o direita e peda\u00e7os da testa foram danificados em 2007, e autoridades eclesi\u00e1sticas alertaram que a prote\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica dos p\u00e1ra-raios estava danificada e inefetiva.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px;border-left: 0px;float: none;margin-left: auto;border-top: 0px;margin-right: auto;border-right: 0px\" border=\"0\" alt=\"7558428.cristo_1gente___fotos_185_278\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-content\/uploads\/sites\/219\/2011\/08\/7558428.cristo_1gente___fotos_185_278.jpg\" width=\"278\" height=\"185\" \/> <\/p>\n<p>Reformas recentes restauraram tamb\u00e9m o sistema de prote\u00e7\u00e3o redentora, p\u00e1ra-raios inventados por <strong>Benjamin Franklin<\/strong> em 1749.<\/p>\n<p>O curioso aqui, al\u00e9m da ironia do monumento religioso portar uma coroa de espinhos derivada da ci\u00eancia da eletricidade, \u00e9 que o famoso experimento de Franklin ao empinar uma pipa em meio a uma tempestade \u00e9 em si mesmo uma anedota cient\u00edfica. Embora a imagem ic\u00f4nica do cientista americano de \u00f3culos (bifocais, que ele tamb\u00e9m inventou) empinando uma pipa em meio a rel\u00e2mpagos seja bem conhecida, fato \u00e9 que Ben Franklin apenas prop\u00f4s o experimento e h\u00e1 s\u00e9rias d\u00favidas de que alguma vez o tenha realmente conduzido.<\/p>\n<p>Outros cientistas sim levaram o experimento a cabo, mas alguns deles encontraram como consequ\u00eancia um triste fim. Empinar pipas em meio a uma tempestade \u00e9 um grande risco, como o pr\u00f3prio Franklin sabia muito bem. Como boas hist\u00f3rias acabam logo se tornando \u201cHist\u00f3ria\u201d, a exemplo de anedotas religiosas, a do cientista com peruca branca empinando pipas na tempestade continua sendo recontada. Se a ci\u00eancia salva o Cristo Redentor, o faz atrav\u00e9s de conhecimento que tamb\u00e9m se conta por anedotas. Em dois mil anos \u00e9 prov\u00e1vel que se Franklin ainda for lembrado, o seja por um experimento que nunca realizou.<\/p>\n<p>Por que falar subitamente do Cristo Redentor e p\u00e1ra-raios? Os nexos foram motivados por uma not\u00edcia recente indicada pelo professor <a href=\"http:\/\/entrononentro.haaan.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Jos\u00e9 Ildefonso<\/strong><\/a>. Uma outra est\u00e1tua com quase vinte metros de altura de Jesus em Ohio, EUA, <a href=\"http:\/\/www.npr.org\/templates\/story\/story.php?storyId=127853137\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">foi atingida por um raio nesta segunda-feira<\/a>.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px;border-left: 0px;border-top: 0px;border-right: 0px\" border=\"0\" alt=\"5_Lightning_Strikes_Jesus_Statue.sff\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-content\/uploads\/sites\/219\/2011\/08\/5_Lightning_Strikes_Jesus_Statue.sff_.jpg\" width=\"500\" height=\"356\" \/> <\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio de nosso Cristo Redentor, devidamente protegido por um p\u00e1ra-raios, a obra constru\u00edda por uma vertente crist\u00e3 local era feita de pl\u00e1stico, fibra de vidro e uma estrutura de a\u00e7o\u2026 sem p\u00e1ra-raios. Era um convite ao desastre, ou talvez f\u00e9 demais em uma prote\u00e7\u00e3o divina. Erguida em 2004, \u00e9 mesmo not\u00e1vel que tenha durado tanto \u2013 embora dificilmente seja um milagre. Ap\u00f3s o raio que cedo ou tarde cairia, pouco restou do monumento religioso:<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px;border-left: 0px;border-top: 0px;border-right: 0px\" border=\"0\" alt=\"1_Lightning_Strikes_Jesus_Statue.sff\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-content\/uploads\/sites\/219\/2011\/08\/1_Lightning_Strikes_Jesus_Statue.sff_.jpg\" width=\"500\" height=\"346\" \/> <\/p>\n<p>A religi\u00e3o precisa se curvar \u00e0 ci\u00eancia? Todo Jesus precisa de uma coroa de espinhos de Ben Franklin? A imagem das labaredas acima lembra um anjo com asas abertas? Deixamos as interpreta\u00e7\u00f5es e li\u00e7\u00f5es de moral destes contos sem fadas, mas com Messias, aos leitores, e encerramos com mais um nexo curioso.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px;border-left: 0px;border-top: 0px;border-right: 0px\" border=\"0\" alt=\"6a00d8341c790e53ef0120a5cc463d970b-500wi\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-content\/uploads\/sites\/219\/2011\/08\/6a00d8341c790e53ef0120a5cc463d970b500wi.jpg\" width=\"500\" height=\"337\" \/> <\/p>\n<p>As est\u00e1tuas monol\u00edticas da ilha de P\u00e1scoa seriam resultado da mitologia dos nativos, e de certa forma, podem ser monumentos religiosos mais sofisticados que o de Ohio, e mesmo o Cristo Redentor com sua coroa de p\u00e1ra-raios. \u00c9 a fabulosa teoria defendida pelo professor <strong>Francisco Soares<\/strong>, da Universidade Federal do Maranh\u00e3o, segundo a qual <a href=\"http:\/\/www.historiadomundo.com.br\/rapa-nui\/os-gigantes-da-ilha-de-pascoa.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">os Moai seriam em si mesmos grandes p\u00e1ra-raios<\/a>.<\/p>\n<p>Distribu\u00eddas ao redor da Ilha, as est\u00e1tuas com at\u00e9 dez metros ofereceriam prote\u00e7\u00e3o a \u00e1reas habitadas ao atrair descargas em tempestades. Os chap\u00e9us de rocha vermelha porosa que ostentavam seriam capazes de dissipar as descargas el\u00e9tricas, e os olhos de rocha branca chegariam a brilhar quando atingidos. Deveria ser uma vis\u00e3o magn\u00edfica. Os raios n\u00e3o seriam um inconveniente natural ao qual seria necess\u00e1rio uma coroa de espinhos de metal, e sim um fen\u00f4meno controlado e apreciado em si mesmo atrav\u00e9s de grandes monumentos combinando supersti\u00e7\u00e3o e tecnologia.<\/p>\n<p>Uma hist\u00f3ria fant\u00e1stica, com o pequeno detalhe que talvez n\u00e3o seja verdadeira. N\u00e3o pude encontrar refer\u00eancia a avalia\u00e7\u00f5es independentes \u00e0 teoria de Soares, e a cr\u00edtica mais elementar que se pode fazer \u00e9 por que as est\u00e1tuas n\u00e3o parecem funcionar mais como p\u00e1ra-raios, o que se presume que deveriam continuar agindo como se ainda est\u00e3o de p\u00e9. O microclima na ilha de P\u00e1scoa j\u00e1 foi bem diferente, principalmente no \u00e1pice da cultura <em>Rapa Nui<\/em> que erigiu os Moai, e talvez a ilha fosse palco para constantes tempestades el\u00e9tricas, e talvez os Moais desempenhassem a fun\u00e7\u00e3o proposta. Mas a arqueologia <em>mainstream<\/em> n\u00e3o parece dar muita aten\u00e7\u00e3o \u00e0 ideia.<\/p>\n<p>Seja qual for a resposta, esta viagem pelos muitos nexos entre religi\u00e3o, supersti\u00e7\u00e3o, raios, hist\u00f3ria e tecnologia j\u00e1 est\u00e1 de bom tamanho. Que um raio caia na minha cabe\u00e7a se estiver mentindo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cE os soldados, tecendo uma coroa de espinhos, lha puseram sobre a cabe\u00e7a, e lhe vestiram roupa de p\u00farpura. 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