{"id":1857,"date":"2010-08-06T05:56:56","date_gmt":"2010-08-06T08:56:56","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/100nexos\/2010\/08\/a_humanidade_no_merece_ir_lua_5\/"},"modified":"2010-08-06T05:56:56","modified_gmt":"2010-08-06T08:56:56","slug":"a_humanidade_no_merece_ir_lua_5","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/2010\/08\/06\/a_humanidade_no_merece_ir_lua_5\/","title":{"rendered":"A Humanidade n\u00e3o merece ir \u00e0 Lua (parte VI)"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" style=\"border-right-width: 0px;border-top-width: 0px;border-bottom-width: 0px;border-left-width: 0px\" border=\"0\" alt=\"600px-Hubble_ultra_deep_field_high_rez_edit1\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-content\/uploads\/sites\/219\/2011\/08\/600pxHubble_ultra_deep_field_high_rez_edit11.jpg\" width=\"500\" height=\"500\" \/> <\/p>\n<p>Reconhece a imagem acima? \u00c9 a olhada mais profunda no Universo j\u00e1 conseguida, contendo aproximadamente 10.000 pontos luminosos, quase todos, e cada um deles, uma gal\u00e1xia completa, estendendo-se no espa\u00e7o e tempo a 13 bilh\u00f5es de anos ao passado. Tudo isso, em uma fatia min\u00fascula do c\u00e9u, menor do que a largura de seu dedo m\u00ednimo com o bra\u00e7o estendido \u2013 dividida por seis, em verdade.<\/p>\n<p>Come\u00e7amos esta s\u00e9rie de textos em fevereiro deste ano com <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/100nexos\/2010\/02\/a_humanidade_no_merece_ir_lua.php\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">um reflexo resumindo nosso gigantesco avan\u00e7o tecnol\u00f3gico<\/a>, do <em>Flyer<\/em> dos irm\u00e3os <strong>Wright<\/strong> ao traje lunar de <strong>Neil Armstrong<\/strong>, e encerramos esta s\u00e9rie com um outro reflexo. Isto porque a <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hubble_Ultra_Deep_Field\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Hubble Ultra Deep Field (HUDF)<\/a> acima foi capturada pelo telesc\u00f3pio espacial <em>Hubble<\/em>, o famoso e e vener\u00e1vel instrumento lan\u00e7ado h\u00e1 vinte anos, com um espelho refletor prim\u00e1rio de 2,4m de di\u00e2metro.<\/p>\n<p>O telesc\u00f3pio Hubble foi lan\u00e7ado ap\u00f3s o fim da Guerra Fria, o per\u00edodo \u00fanico na hist\u00f3ria humana que levou a corridas tecnol\u00f3gicas absurdas, incluindo a\u00ed <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/100nexos\/2010\/02\/a_humanidade_no_merece_ir_lua_1.php\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">o avi\u00e3o supers\u00f4nico <em>Concorde<\/em><\/a>, em uma esp\u00e9cie de <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/100nexos\/2010\/02\/a_humanidade_no_merece_ir_lua_2.php\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">dilema do prisioneiro em escala global<\/a>. No caminho, demos um salto gigantesco ao pisarmos na Lua, mas ao custo de <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/100nexos\/2010\/02\/a_humanidade_no_merece_ir_lua_3.php\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">deixar de lado vis\u00f5es e projetos mais grandiosos e racionais<\/a> de conquista e explora\u00e7\u00e3o espacial. No pen\u00faltimo texto desta s\u00e9rie, comentamos por fim como \u201c<a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/100nexos\/2010\/02\/a_humanidade_no_merece_ir_lua_4.php\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>a humanidade n\u00e3o merece ir \u00e0 Lua<\/em><\/a><em>. Ci\u00eancia e tecnologia nos oferecem o Universo infinito, mas como macacos nos preocupa muito mais o que outros macacos andam fazendo. Acabamos todos prisioneiros do po\u00e7o gravitacional terrestre<\/em>\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"border-right-width: 0px;float: none;border-top-width: 0px;border-bottom-width: 0px;margin-left: auto;border-left-width: 0px;margin-right: auto\" border=\"0\" alt=\"kh11kenna\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-content\/uploads\/sites\/219\/2011\/08\/kh11kenna.jpg\" width=\"400\" height=\"370\" \/> <\/p>\n<p>O telesc\u00f3pio Hubble ainda \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o desta triste constata\u00e7\u00e3o, n\u00e3o por si mesmo, mas por um detalhe pouco conhecido. O diagrama que voc\u00ea v\u00ea acima n\u00e3o \u00e9 um projeto do instrumento astron\u00f4mico que contribuiu tanto para a ci\u00eancia e tornou-se sin\u00f4nimo de fonte para algumas das imagens mais profundas, incluindo literalmente <em>a<\/em> imagem mais profunda do Universo j\u00e1 capturada. O diagrama acima \u00e9 uma concep\u00e7\u00e3o do que se acredita ser a s\u00e9rie de sat\u00e9lites espi\u00f5es <a href=\"http:\/\/www.globalsecurity.org\/space\/systems\/kh-11.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Keyhole KH-11 classe <em>Kennan<\/em><\/a>. Um total de nove sat\u00e9lites da classe KH-11 foram lan\u00e7ados entre 1976 e 1988, e eles eram praticamente id\u00eanticos ao telesc\u00f3pio espacial Hubble.<\/p>\n<p>Ou melhor, se voc\u00ea se lembrar de que o Hubble foi lan\u00e7ado em 1990, o inverso \u00e9 verdade: um dos mais conhecidos instrumentos cient\u00edficos da hist\u00f3ria recente \u00e9 basicamente uma vers\u00e3o civil de um projeto militar. At\u00e9 mesmo o tamanho do espelho refletor do Hubble foi determinado pelo tamanho exato dos espelhos usados inicialmente nos sat\u00e9lites espi\u00f5es. Uma das \u00fanicas diferen\u00e7as \u00e9 que enquanto os sat\u00e9lites militares espionavam a Terra, mirando m\u00edsseis nucleares, bases militares e conflitos pelo mundo, o Hubble passou a mirar\u2026 o c\u00e9u.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"border-right-width: 0px;border-top-width: 0px;border-bottom-width: 0px;border-left-width: 0px\" border=\"0\" alt=\"Contact_Machine_Hokaido\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-content\/uploads\/sites\/219\/2011\/08\/Contact_Machine_Hokaido.jpg\" width=\"500\" height=\"298\" \/> <\/p>\n<p>H\u00e1 um trecho no romance \u201c<em><a href=\"http:\/\/www.ceticismoaberto.com\/ciencia\/2116\/o-contato-de-sagan\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Contato<\/a><\/em>\u201d de <strong>Carl Sagan<\/strong> onde, e aqui estrago algo das surpresas da hist\u00f3ria, com a destrui\u00e7\u00e3o de uma M\u00e1quina ao custo de bilh\u00f5es de d\u00f3lares, descobre-se em uma reviravolta considerada por muitos inveross\u00edmil que uma segunda M\u00e1quina havia sido constru\u00edda secretamente. \u201c<em>Por que construir uma quando voc\u00ea pode ter duas pelo dobro do pre\u00e7o<\/em>\u201d, brinca o personagem <strong>Sol Hadden<\/strong> na vers\u00e3o cinematogr\u00e1fica.<\/p>\n<p>A realidade \u00e9 ainda mais absurda: considerando que o telesc\u00f3pio Hubble custou em torno de U$2,5 bilh\u00f5es, contando em verdade com tecnologias j\u00e1 desenvolvidas para os sat\u00e9lites espi\u00f5es secretos, pode-se ter uma vaga ideia do custo do programa <em>Keyhole<\/em> ao desenvolver e lan\u00e7ar nada menos que nove sat\u00e9lites equivalentes. No mais completo segredo.<\/p>\n<p>E o programa de sat\u00e9lites espi\u00f5es americanos n\u00e3o parou a\u00ed, como n\u00e3o come\u00e7ou a\u00ed. Enquanto astr\u00f4nomos lutam por fra\u00e7\u00f5es do tempo de observa\u00e7\u00e3o do Hubble h\u00e1 vinte anos, com descobertas que alteraram nosso conhecimento da origem e futuro do Universo e tantos outros conhecimentos esperando para serem desvendados, sat\u00e9lites ainda mais potentes, com espelhos refletores ainda maiores, est\u00e3o dispon\u00edveis neste exato momento para uso militar e secreto. \u00c9 absurdo, mas aparentemente \u2013 \u00e9 tudo muito secreto \u2013 h\u00e1 pelo menos dois sat\u00e9lites mais potentes que o Hubble orbitando o planeta neste exato momento. Mas, ao inv\u00e9s de mirar o c\u00e9u, miram a Terra. \u201c<em>Como macacos nos preocupa muito mais o que outros macacos andam fazendo<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>No pen\u00faltimo texto prometemos que aqui encerrar\u00edamos a s\u00e9rie com as esperan\u00e7as de que mere\u00e7amos voltar \u00e0 Lua e consigamos alcan\u00e7ar as estrelas. H\u00e1, sim, e apesar de tudo, muita esperan\u00e7a. Voc\u00ea que se aventurou at\u00e9 aqui, em um mergulho profundo e talvez deprimente, deve desculpar este desvio: n\u00e3o planejei toda a s\u00e9rie de textos de antem\u00e3o, como talvez possa ter ficado claro, e n\u00e3o resisti complement\u00e1-la com este nexo. Se h\u00e1 alguma d\u00favida sobre as loucuras de que somos capazes, a explora\u00e7\u00e3o espacial, com seus custos literalmente astron\u00f4micos e suas possibilidades literalmente infinitas as demonstram com uma clareza cristalina. <\/p>\n<p>Por\u00e9m, encontrar esperan\u00e7a para encerrar a s\u00e9rie em um tom positivo n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil. E os meses de espera entre as primeiras partes e este encerramento vieram bem a calhar. No pr\u00f3ximo e final texto.<\/p>\n<p>&#8211; &#8211; &#8211;<\/p>\n<p><strong>Confira as partes anteriores:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/100nexos\/2010\/02\/a_humanidade_no_merece_ir_lua.php\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A Humanidade n\u00e3o merece ir \u00e0 Lua (I)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/100nexos\/2010\/02\/a_humanidade_no_merece_ir_lua_1.php\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A Humanidade n\u00e3o merece ir \u00e0 Lua (II)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/100nexos\/2010\/02\/a_humanidade_no_merece_ir_lua_2.php\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A Humanidade n\u00e3o merece ir \u00e0 Lua (III)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/100nexos\/2010\/02\/a_humanidade_no_merece_ir_lua_3.php\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A Humanidade n\u00e3o merece ir \u00e0 Lua (IV)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/100nexos\/2010\/02\/a_humanidade_no_merece_ir_lua_4.php\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A Humanidade n\u00e3o merece ir \u00e0 Lua (V)<\/a><\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reconhece a imagem acima? \u00c9 a olhada mais profunda no Universo j\u00e1 conseguida, contendo aproximadamente 10.000 pontos luminosos, quase todos, e cada um deles, uma gal\u00e1xia completa, estendendo-se no espa\u00e7o e tempo a 13 bilh\u00f5es de anos ao passado. 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