{"id":1897,"date":"2011-01-18T00:04:27","date_gmt":"2011-01-18T03:04:27","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/100nexos\/2011\/01\/pluralidade_de_mundos\/"},"modified":"2011-01-18T00:04:27","modified_gmt":"2011-01-18T03:04:27","slug":"pluralidade_de_mundos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/2011\/01\/18\/pluralidade_de_mundos\/","title":{"rendered":"Pluralidade de Mundos"},"content":{"rendered":"<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cPara ver um Mundo em um gr\u00e3o de areia e um C\u00e9u em uma flor selvagem, segure a Infinidade na palma de sua m\u00e3o e a Eternidade em uma hora\u201d. \u2013 <strong>William Blake<\/strong> [c.1793]<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>H\u00e1 uma Infinidade de coisas ocorrendo no v\u00eddeo acima, onde gotas de oxig\u00eanio l\u00edquido dan\u00e7am por uma superf\u00edcie, devidamente registradas em c\u00e2mera lenta estendendo a Eternidade de alguns segundos.<\/p>\n<p>As gotas deslizam com quase nenhum atrito devido ao <strong><a href=\"http:\/\/cienciatube.blogspot.com\/2009\/08\/efeito-leidenfrost-enfiando-o-dedo-no.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">efeito Leidenfrost<\/a><\/strong>, onde o oxig\u00eanio l\u00edquido \u00e9 vaporizado em contato com a superf\u00edcie, produzindo uma camada de vapor isolante e com muito pouco atrito. Voc\u00ea pode ver este efeito aquecendo uma frigideira anti-aderente, deixando cair pequenas gotas d\u2019\u00e1gua. O efeito n\u00e3o s\u00f3 diminui o atrito como tamb\u00e9m fornece isolamento t\u00e9rmico, o que voc\u00ea pode perceber pelo fato de que a gota deslizando pela frigideira pode levar muito mais tempo para evaporar do que deveria se estivesse em contato direto com a chapa. Motivo pelo qual a camada de vapor tamb\u00e9m explica como se pode mergulhar a m\u00e3o em chumbo quente ou nitrog\u00eanio l\u00edquido sem sofrer queimaduras. N\u00e3o \u00e9 magia, n\u00e3o \u00e9 bem um truque. \u00c9 um efeito descrito por <strong>Johann Leidenfrost<\/strong> no s\u00e9culo 18.<\/p>\n<p>As gotas de oxig\u00eanio l\u00edquido se mant\u00eam coesas em si mesmas gra\u00e7as \u00e0 tens\u00e3o superficial, e ao longo do v\u00eddeo a tens\u00e3o e a dan\u00e7a das gotas s\u00e3o colocadas \u00e0 prova devido a ainda outro efeito.<\/p>\n<p>O oxig\u00eanio l\u00edquido \u00e9 um material paramagn\u00e9tico, o que significa que n\u00e3o possui magnetismo pr\u00f3prio, mas \u00e9 atra\u00eddo por campos magn\u00e9ticos. Por isso quando um \u00edm\u00e3 \u00e9 colocado abaixo da gota, ela se achata, atra\u00edda, e uma s\u00e9rie de eletro\u00edm\u00e3s consegue desacelerar e parar uma gota em movimento. Fazem isso, n\u00e3o sem que a forma das gotas seja distorcida devido \u00e0 intera\u00e7\u00e3o complexa entre a tens\u00e3o superficial e in\u00e9rcia. E ainda o efeito Leidenfrost que garante o deslocamento da gota com pouco atrito enquanto ela evapora.<\/p>\n<p>Tudo isso, ocorrendo com uma parte do ar liquefeita atrav\u00e9s do congelamento, manipulada pelo mesmo eletromagnetismo que responde pela luz que chega a seus olhos e mant\u00e9m suas mol\u00e9culas coesas, desenrolando-se em fra\u00e7\u00f5es de segundo que passariam literalmente em um piscar de olhos.<\/p>\n<p>Admirando aqui a poesia do v\u00eddeo de uma gota de oxig\u00eanio l\u00edquido deslizando sobre uma superf\u00edcie magnetizada, pensei que nossa imagina\u00e7\u00e3o por vezes n\u00e3o faz jus ao mundo em que vivemos.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, sempre descobrindo que estou errado e esquecendo das coisas mais simples, me deparo com isso.<\/p>\n<p>;<\/p>\n<p>Somos criaturas dotadas de uma imagina\u00e7\u00e3o mais do que adequada \u00e0 Infinidade e \u00e0 Eternidade, mas enquanto crescemos vemos esta potencialidade infinita limitada por barreiras n\u00e3o t\u00e3o diferentes daquela que faz com que ao olharmos um gr\u00e3o de areia vejamos apenas um min\u00fasculo ponto e n\u00e3o um Mundo.<\/p>\n<p>Pois bem, <strong>Giordano Bruno<\/strong> foi o primeiro Renascentista a ver um Universo infinito em suas dimens\u00f5es. <strong>Galileu Galilei<\/strong> daria outro passo gigante ao apontar o telesc\u00f3pio ao c\u00e9u. Menos conhecido, <strong>Robert Hooke<\/strong>, atrav\u00e9s de sua&#160; <em><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Micrographia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Micrographia<\/a><\/em>, mostrou por sua parte que h\u00e1 realmente um Mundo em um gr\u00e3o de areia, como h\u00e1 em flocos de neve e todos os objetos que perscrutou com seu microsc\u00f3pio. Um Mundo de fen\u00f4menos ocorrendo mesmo entre os c\u00edlios de nossos olhos. Em escalas muito maiores e muito menores do que aquela que podemos segurar entre nossos dedos, h\u00e1 uma pluralidade de mundos.<\/p>\n<p>Uma pluralidade de mundos estendida h\u00e1 menos de quatro s\u00e9culos atrav\u00e9s de instrumentos que estenderam nossos sentidos. Quatro s\u00e9culos estendendo o Universo a bilh\u00f5es de anos-luz e um gr\u00e3o de areia em mol\u00e9culas, \u00e1tomos e subpart\u00edculas.<\/p>\n<p>Vivemos h\u00e1 poucos anos com novos instrumentos, antes apenas sonhados por vision\u00e1rios, estendendo nossa comunica\u00e7\u00e3o e retirando pouco a pouco as limita\u00e7\u00f5es que t\u00e3o rapidamente encontramos \u00e0 nossa imagina\u00e7\u00e3o. Imagine o que quatro s\u00e9culos n\u00e3o poder\u00e3o fazer com os hipop\u00f3tamos da garotinha francesa.<\/p>\n<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cAssim, toda a incerteza e os enganos das a\u00e7\u00f5es humanas adv\u00eam seja da limita\u00e7\u00e3o de nossos sentidos, da ilus\u00e3o de nossa mem\u00f3ria, do confinamento de nossa compreens\u00e3o, de forma que n\u00e3o \u00e9 surpresa que nosso poder sobre as causas e efeitos naturais avance t\u00e3o lentamente, dado que n\u00e3o apenas lidamos com a obscuridade e a dificuldade das coisas sobre as quais trabalhamos e pensamos, como mesmo as for\u00e7as de nossas pr\u00f3prias mentes conspiram para nos trair. Sendo estes os perigos do processo da raz\u00e3o humana, os rem\u00e9dios a todos eles s\u00f3 podem proceder da filosofia real, mec\u00e2nica, experimental, que tem esta vantagem sobre a filosofia de discurso e disputa, uma vez que onde esta almeja a sutileza das dedu\u00e7\u00f5es e conclus\u00f5es, sem muita considera\u00e7\u00e3o ao primeiro trabalho de coleta, que deve ser bem fundado nos sentidos e mem\u00f3ria, a outra pretende orden\u00e1-las todas, tornando-as \u00fateis uma \u00e0 outra\u201d. \u2013 Robert Hooke, <em>Micrographia<\/em>, 1665<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>[via <a href=\"http:\/\/www.misterhonk.de\/blog\/15092\/the-beauty-of-science-paramagnetic-leidenfrost-drops\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Misterhonk<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.boingboing.net\/2011\/01\/17\/adorable-french-girl.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">BoingBoing<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cPara ver um Mundo em um gr\u00e3o de areia e um C\u00e9u em uma flor selvagem, segure a Infinidade na palma de sua m\u00e3o e a Eternidade em uma hora\u201d. \u2013 William Blake [c.1793] H\u00e1 uma Infinidade de coisas ocorrendo no v\u00eddeo acima, onde gotas de oxig\u00eanio l\u00edquido dan\u00e7am por uma superf\u00edcie, devidamente registradas em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":467,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[14,23],"tags":[],"class_list":["post-1897","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-educacao","category-ideias"],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1897","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/467"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1897"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1897\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1897"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1897"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1897"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}