{"id":1912,"date":"2011-05-23T02:11:43","date_gmt":"2011-05-23T05:11:43","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/100nexos\/2011\/05\/bio-robs\/"},"modified":"2011-05-23T02:11:43","modified_gmt":"2011-05-23T05:11:43","slug":"bio-robs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/2011\/05\/23\/bio-robs\/","title":{"rendered":"Bio-rob\u00f4s"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px;border-left: 0px;padding-left: 0px;padding-right: 0px;border-top: 0px;border-right: 0px;padding-top: 0px\" border=\"0\" alt=\"Capek_RUR\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-content\/uploads\/sites\/219\/2011\/08\/Capek_RUR.jpg\" width=\"500\" height=\"390\" \/><\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cQuando algu\u00e9m pensar que nosso g\u00eanero humano n\u00e3o tem salva\u00e7\u00e3o, sempre pode lembrar da hist\u00f3ria de <strong>Alexei Ananenko<\/strong>, <strong>Valeriy Bezpalov<\/strong> e <strong>Boris Baranov<\/strong>, os tr\u00eas super-her\u00f3is de Chernobyl, de quem se diz que salvaram a Europa ou ao menos um ou outro milh\u00e3o de pessoas a milhares de quil\u00f4metros ao redor, num frio dia de abril. Foram \u00e0 morte conscientemente, deliberadamente, por responsabilidade e humanidade e sentimento da honra, para que o resto de n\u00f3s pudesse viver\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Em um fant\u00e1stico artigo original de <a href=\"http:\/\/www.lapizarradeyuri.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Yuri<\/strong><\/a> que acabamos de traduzir e publicar em <em>CeticismoAberto<\/em>, \u201c<a href=\"http:\/\/www.ceticismoaberto.com\/ciencia\/6199\/os-trs-super-heris-de-chernobyl\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>Os Tr\u00eas Super-Her\u00f3is de Chernobyl<\/em><\/a>\u201d, conhecemos um pouco da hist\u00f3ria dos <em>liquidadores<\/em> que remediaram o pior acidente nuclear e foram as \u00fanicas v\u00edtimas diretas de uma explos\u00e3o que exp\u00f4s a c\u00e9u aberto um n\u00facleo ardente de material radioativo. E de toda a hist\u00f3ria, um dos detalhes que mais me impressionou foi que os liquidadores chamassem a si mesmos de <em>bio-rob\u00f4s<\/em>.<\/p>\n<h3>Robota<\/h3>\n<p>A palavra \u201cRob\u00f4\u201d em si mesma foi introduzida por <strong>Karel Capek<\/strong> no in\u00edcio do s\u00e9culo 20, em <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/R.U.R._(Rossum%27s_Universal_Robots)\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">uma pe\u00e7a<\/a> sobre os dilemas de pessoas artificiais servindo aos senhorios humanos. Capek teria considerado inicialmente chamar as criaturas, que podiam pensar como n\u00f3s, de <em>labori<\/em>, mas insatisfeito com o termo pediu uma sugest\u00e3o de seu irm\u00e3o, que sugeriu \u201c<em>roboti<\/em>\u201d. Todos esses termos estavam relacionados ao trabalho, \u00e0 servid\u00e3o. E foi assim que os rob\u00f4s, popularizados em larga escala anos depois por escritores como <strong>Isaac Asimov<\/strong>, adentrariam o imagin\u00e1rio popular.<\/p>\n<p>As primeiras hist\u00f3rias de Asimov sobre rob\u00f4s foram todas desenvolvidas sobre a quest\u00e3o de que os rob\u00f4s, como as mais sofisticadas ferramentas criadas pelo homem para servi-lo, tamb\u00e9m enfrentavam o dilema entrevisto por Capek entre criador e criatura, por sua vez presente desde a hist\u00f3ria de <em>Frankenstein<\/em>. Para resolver estes dilemas Asimov cunhou a ci\u00eancia da \u201crob\u00f3tica\u201d, com suas <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Three_Laws_of_Robotics\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">tr\u00eas famosas leis<\/a> ditando que:<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cI \u2013 Um rob\u00f4 n\u00e3o deve ferir um ser humano, ou pela ina\u00e7\u00e3o, permitir que um ser humano seja ferido;     <br \/>II \u2013 Um rob\u00f4 deve obedecer \u00e0s ordens recebidas de seres humanos, exceto quando estas entrarem em conflito com a Primeira Lei;      <br \/>III \u2013 Um rob\u00f4 deve proteger sua pr\u00f3pria exist\u00eancia enquanto esta prote\u00e7\u00e3o n\u00e3o entrar em conflito com a Primeira ou Segunda Leis.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Depois de estabelecer estas leis, Asimov automaticamente passava a questionar e mesmo a transgredi-las; a maior gra\u00e7a de suas hist\u00f3rias \u00e9 lidar com os furos e paradoxos que as leis podem produzir. Posteriormente Asimov introduziria a Lei 0 da rob\u00f3tica, com a qual brincaria ainda mais:<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201c0 \u2013 Um rob\u00f4 n\u00e3o deve causar mal \u00e0 Humanidade, ou por ina\u00e7\u00e3o, permitir que a Humanidade seja prejudicada\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<h3>Bio-rob\u00f4s<\/h3>\n<p>Uma das principais aplica\u00e7\u00f5es aos rob\u00f4s ent\u00e3o puramente fict\u00edcios de Asimov era em trabalhos de alta periculosidade, incluindo trabalhos no espa\u00e7o envolvendo alta radia\u00e7\u00e3o. Com o desastre em Chernobyl, os rob\u00f4s fict\u00edcios de Asimov tornaram-se realidade. Ainda que o ano fosse 1986 e a tecnologia fosse primitiva em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quela que conhecemos hoje, equipamentos por controle remoto j\u00e1 haviam sido usados na pr\u00e1tica desde a Segunda Guerra Mundial, e foram colocados em a\u00e7\u00e3o nas a\u00e7\u00f5es de limpeza essenciais.<\/p>\n<p>Mas aqui estava algo que talvez nem a fic\u00e7\u00e3o pudesse antever. Asimov sugeriu que os delicados c\u00e9rebros positr\u00f4nicos de seus rob\u00f4s poderiam ser tamb\u00e9m vulner\u00e1veis a altas doses de radia\u00e7\u00e3o. Talvez n\u00e3o esperasse que mesmo os n\u00e3o t\u00e3o delicados c\u00e9rebros eletr\u00f4nicos dos primitivos rob\u00f4s por controle remoto iriam falhar com as doses extremas de radia\u00e7\u00e3o recebidos do contato direto com partes do n\u00facleo do reator expostas.<\/p>\n<p>No v\u00eddeo abaixo vemos os equipamentos eletr\u00f4nicos falhando.<\/p>\n<\/p>\n<p>E com a falha dos rob\u00f4s eletr\u00f4nicos, entraram em a\u00e7\u00e3o os bio-rob\u00f4s. \u00c9 uma ironia hist\u00f3rica que os pr\u00f3prios liquidadores talvez apreciassem como uma grande piada em meio \u00e0 trag\u00e9dia que ao inv\u00e9s de se chamarem de super-her\u00f3is, de atribu\u00edrem a si mesmos nomes grandiosos como Messias ou simplesmente Salvadores, eles chamassem a si mesmos de bio-rob\u00f4s. Simplesmente vers\u00f5es biol\u00f3gicas dos rob\u00f4s mec\u00e2nicos que apesar de representar o que de mais avan\u00e7ado a tecnologia podia oferecer ent\u00e3o, acabaram mostrando-se de utilidade muito limitada. Com objetivos imediatos simples, os bio-rob\u00f4s foram por vezes, e como na hist\u00f3ria de Ananenko, Bezpalov e Baranov, sem esperar retorno cumprir suas miss\u00f5es.<\/p>\n<p>Violaram a terceira lei da rob\u00f3tica, ainda que n\u00e3o tenham sido ordenados \u00e0 morte, ainda que a tenham encarado para cumprir a prioridade da primeira lei e preservar vidas humanas, e acima de tudo, a lei zero em favor de toda a humanidade.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi em figuras m\u00edticas ou em lendas milenares que estes her\u00f3is representando o melhor que podemos encontrar em todos n\u00f3s se inspiraram. Foi na retid\u00e3o do dever e coragem frente \u00e0 responsabilidade que um rob\u00f4, ao mesmo tempo ferramenta e espelho representa que chamaram a si mesmos de bio-rob\u00f4s.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px;border-left: 0px;padding-left: 0px;padding-right: 0px;border-top: 0px;border-right: 0px;padding-top: 0px\" border=\"0\" alt=\"marsshadow_opportunity_900\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-content\/uploads\/sites\/219\/2011\/08\/marsshadow_opportunity_900.jpg\" width=\"500\" height=\"361\" \/><\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201c1. Podem as m\u00e1quinas comportarem-se como humanos?     <br \/>2. Podemos n\u00f3s?\u201d \u2013 <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/100nexos\/2009\/09\/um_brinde_a_alan_turing.php\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Matt Harvey<\/strong><\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&#8211; &#8211; &#8211;<\/p>\n<p>*Mais de duas d\u00e9cadas depois de Chernobyl, poder\u00edamos ter criado rob\u00f4s muito mais avan\u00e7ados, capazes de suportar doses de radia\u00e7\u00e3o para que nenhum ser humano precisasse se sacrificar para salvar outros seres humanos. Rob\u00f4s avan\u00e7ados capazes de reproduzir toda a destreza de m\u00e3os humanas, mas ainda muito longe da sofistica\u00e7\u00e3o que nos faria pestanejar duas vezes antes de sacrific\u00e1-los em favor de uma pessoa. Infelizmente, <a href=\"http:\/\/www.slate.com\/id\/2290932\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">n\u00e3o foi o que aconteceu mesmo no pa\u00eds mais automatizado do mundo<\/a>. Nosso hero\u00edsmo individual acaba servo dilu\u00eddo do engessamento burocr\u00e1tico e econ\u00f4mico que falha em perceber e discutir as maiores prioridades.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cQuando algu\u00e9m pensar que nosso g\u00eanero humano n\u00e3o tem salva\u00e7\u00e3o, sempre pode lembrar da hist\u00f3ria de Alexei Ananenko, Valeriy Bezpalov e Boris Baranov, os tr\u00eas super-her\u00f3is de Chernobyl, de quem se diz que salvaram a Europa ou ao menos um ou outro milh\u00e3o de pessoas a milhares de quil\u00f4metros ao redor, num frio dia de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":467,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[21,32],"tags":[],"class_list":["post-1912","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historia","category-tecnologia"],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1912","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/467"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1912"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1912\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1912"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1912"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/100nexos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1912"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}