{"id":312,"date":"2008-07-28T15:29:00","date_gmt":"2008-07-28T18:29:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/amigodemontaigne\/2008\/07\/era-uma-vez-um-mundo-tao-proximo-tao-longe\/"},"modified":"2008-07-28T15:29:00","modified_gmt":"2008-07-28T18:29:00","slug":"era-uma-vez-um-mundo-tao-proximo-tao-longe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/amigodemontaigne\/2008\/07\/28\/era-uma-vez-um-mundo-tao-proximo-tao-longe\/","title":{"rendered":"Era uma vez um mundo t\u00e3o pr\u00f3ximo&#8230;t\u00e3o longe"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_eNxo9Mwp3mU\/SI44s7lqv0I\/AAAAAAAAAYI\/lSWNw4gl_54\/s1600-h\/morro_do_cantagalo%5B1%5D.JPG\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"cursor:hand;text-align:center;margin:0 auto 10px\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/amigodemontaigne\/wp-content\/uploads\/sites\/206\/2011\/08\/morro_do_cantagalo5B15D1.jpg\" border=\"0\" \/><\/a><\/p>\n<div align=\"justify\">Fui ao cinema. Al\u00e9m do novo <em>Batman<\/em>, tamb\u00e9m assisti a <em>Era uma vez&#8230;,<\/em> novo filme de Breno Silveira, o mesmo diretor do maior sucesso de bilheteria nacional, &#8220;Dois filhos de Francisco&#8221;. O filme \u00e9 bom e \u00e9 ruim. Bom porque escancara toda a podrid\u00e3o da coniv\u00eancia das &#8220;autoridades&#8221; policiais com o tr\u00e1fico de drogas dos morros cariocas. Ruim porque n\u00e3o \u00e9 novidade. Bom porque, como disse Zuenir Ventura no Estad\u00e3o de ontem, demonstra que &#8220;o carioca das classes m\u00e9dias persiste, intimamente, no sonho de &#8216;solu\u00e7\u00e3o final&#8217;. Sonha com o Ex\u00e9rcito que sobe, a pol\u00edcia que atira e o confronto que consumar\u00e1 o fim. N\u00e3o \u00e9 por maldade ou patologia. \u00c9 por medo e inseguran\u00e7a&#8221;. Ruim porque o faz de maneira muito esquem\u00e1tica, did\u00e1tica ao extremo. Bom porque enxerga na cultura uma \u00faltima &#8211; e talvez \u00fanica &#8211; tentativa de unir dois mundos que est\u00e3o t\u00e3o distantes estando t\u00e3o pr\u00f3ximos. (A faxineira, o copeiro, o motorista, o balconista da padaria e do a\u00e7ougue, a manicure, o ascensorista, o zelador do pr\u00e9dio, todos empregados na zona sul, moram nos Morros invis\u00edveis). Ruim porque Shakespeare j\u00e1 escreveu &#8220;A Trag\u00e9dia de Romeu e Julieta&#8221; de forma original e definitiva, sem possibilitar qualquer condescend\u00eancia com releituras tupiniquins previs\u00edveis e, pior que o novo <em>Batman, <\/em>inveross\u00edmeis. (\u00c9 caracter\u00edstico, al\u00e9m de esperado e desej\u00e1vel, que os filmes de super-her\u00f3is sejam inveross\u00edmeis, pois eis a gra\u00e7a). Voltemos a Zuenir. Ele tocou no termo &#8220;solu\u00e7\u00e3o final&#8221;, que causa arrepios a qualquer pessoa minimamente informada, mas, tal como boa parte da popula\u00e7\u00e3o alem\u00e3 \u00e0 ep\u00f3ca de Hitler, tenta justificar a conduta dos cariocas dizendo que o desejo por tal solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 motivado por maldade, mas por medo. Respondo ao autor de<em> Cidade Partida <\/em>com os \u00faltimos dizeres de Sartre em<em> &#8220;<\/em>A Quest\u00e3o Judaica<em>&#8220;: Nenhum franc\u00eas estar\u00e1 em seguran\u00e7a enquanto um judeu, na Fran\u00e7a e no mundo inteiro, puder temer pela pr\u00f3pria vida.<\/em> <\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fui ao cinema. Al\u00e9m do novo Batman, tamb\u00e9m assisti a Era uma vez&#8230;, novo filme de Breno Silveira, o mesmo diretor do maior sucesso de bilheteria nacional, &#8220;Dois filhos de Francisco&#8221;. O filme \u00e9 bom e \u00e9 ruim. 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