{"id":314,"date":"2008-07-20T20:18:00","date_gmt":"2008-07-20T23:18:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/amigodemontaigne\/2008\/07\/impotencia-e-incontinencia\/"},"modified":"2008-07-20T20:18:00","modified_gmt":"2008-07-20T23:18:00","slug":"impotencia-e-incontinencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/amigodemontaigne\/2008\/07\/20\/impotencia-e-incontinencia\/","title":{"rendered":"Impot\u00eancia e incontin\u00eancia"},"content":{"rendered":"<div align=\"center\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/amigodemontaigne\/wp-content\/uploads\/sites\/206\/2011\/08\/Munch22.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"cursor:hand;text-align:center;margin:0 auto 10px\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/amigodemontaigne\/wp-content\/uploads\/sites\/206\/2011\/08\/Munch21.jpg\" border=\"0\" \/><\/a><span style=\"font-size:78%\">As quatro idades da vida, <\/span><span style=\"font-size:78%\">Edvard Munch, 1902 <\/span><\/div>\n<div align=\"center\"><span style=\"font-size:78%\"><br \/><\/span><\/div>\n<div align=\"justify\">Dizem que h\u00e1 idade m\u00ednima para se escrever um romance. Os jovens, teoricamente, &#8220;n\u00e3o viveram o suficiente&#8221;, signifique isso o que quer que seja. Parece que somente ap\u00f3s os 40 anos os bons romancistas afloram. Claro est\u00e1 que os poetas j\u00e1 nascem prontos, vividos, experimentados, como nos provam Rimbaud, Carpinejar e Plath, dentre muitos outros. Este final de semana, entre a tediosa leitura dos jornais e a audi\u00e7\u00e3o de um pouco de <em>chanson fran\u00e7aise,<\/em> peguei-me pensando no oposto: h\u00e1 uma idade m\u00e1xima, al\u00e9m da qual n\u00e3o deveria mais se escrever romances? Acredito que a motiva\u00e7\u00e3o dessa indaga\u00e7\u00e3o tenha sido alguma de minhas leituras recentes. Philip Roth, por exemplo. O seu \u00faltimo romance, &#8220;Fantasma sai de cena&#8221;, faz com que terminemos a \u00faltima p\u00e1gina do livro com a seguinte impress\u00e3o: n\u00f3s, homens, estamos fadados ao mesmo fim nada glorioso. Impot\u00eancia e incontin\u00eancia. Toda a sua vida ser\u00e1 resumida e absorvida por essas duas condi\u00e7\u00f5es. Feliz daquele que atingir idade suficiente para ter esses problemas? Acho que, talvez, Roth tenha passado da idade de escrever romances. Aceito argumentos contr\u00e1rios, pois n\u00e3o estou totalmente convencido disso. Quem sabe n\u00e3o seja a hora de migrar para os ensaios, Roth? Outro que anda dando sinais de &#8220;idade-limite&#8221; \u00e9 o Coetzee, mas n\u00e3o me alongarei. Veja por voc\u00ea mesmo folheando o <em>Di\u00e1rio de um ano ruim.<\/em> Encerro apropriando-me de uma cita\u00e7\u00e3o de Nietzsche que encontrei no \u00f3timo livro de Eduardo Gianetti (<em>O livro das cita\u00e7\u00f5es,<\/em> Cia. das Letras ): &#8220;Os jovens amam o que \u00e9 interessante e peculiar, n\u00e3o importa at\u00e9 onde seja verdadeiro ou falso. Esp\u00edritos mais maduros amam na verdade aquilo que nela \u00e9 interessante e peculiar. Por fim, cabe\u00e7as totalmente amadurecidas amam a verdade tamb\u00e9m onde ela parece ing\u00eanua e simples e \u00e9 enfadonha para o homem comum, porque notaram que a verdade costuma dizer com ar de simplicidade o que tem de mais alto no esp\u00edrito&#8221;. Incontin\u00eancia e impot\u00eancia: ser\u00e1 essa a verdade a ser dita? <\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As quatro idades da vida, Edvard Munch, 1902 Dizem que h\u00e1 idade m\u00ednima para se escrever um romance. Os jovens, teoricamente, &#8220;n\u00e3o viveram o suficiente&#8221;, signifique isso o que quer que seja. Parece que somente ap\u00f3s os 40 anos os bons romancistas afloram. 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