{"id":416,"date":"2009-06-28T18:01:00","date_gmt":"2009-06-28T21:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/amigodemontaigne\/2009\/06\/mais-pascal\/"},"modified":"2009-06-28T18:01:00","modified_gmt":"2009-06-28T21:01:00","slug":"mais-pascal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/amigodemontaigne\/2009\/06\/28\/mais-pascal\/","title":{"rendered":"Mais Pascal"},"content":{"rendered":"<div align=\"center\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/amigodemontaigne\/wp-content\/uploads\/sites\/206\/2011\/08\/pedro2.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"width:213px;cursor:hand;height:320px;text-align:center;margin:0 auto 10px\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/amigodemontaigne\/wp-content\/uploads\/sites\/206\/2011\/08\/pedro1.jpg\" border=\"0\" \/><\/a> <em><span style=\"font-size:78%\">Meu amigo Pedro Maciel<\/span><\/em><\/p>\n<div align=\"center\">\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\">A TRANSCEND\u00caNCIA DA CONDI\u00c7\u00c3O HUMANA, por Pedro Maciel<\/p>\n<p>\u00d3 minha alma, n\u00e3o aspira \u00e0 vida imortal,<br \/>mas esgota o campo do poss\u00edvel.<br \/>P\u00edndaro, P\u00edticas, III.<\/p>\n<p>Blaise Pascal (1623-1662) est\u00e1 inserido na hist\u00f3ria da ci\u00eancia como um dos mais not\u00e1veis estudiosos de matem\u00e1tica e f\u00edsica. Precoce, aos 12 anos, Pascal escreve um tratado sobre \u201cAc\u00fastica\u201d e descobre a geometria at\u00e9 trig\u00e9sima segunda proposi\u00e7\u00e3o de Euclides. Aos 17, escreve o \u201cTratado dos Cones\u201d e, aos 19 anos, descobre a prensa hidr\u00e1ulica. No ano seguinte, inventa a primeira calculadora, a \u201cm\u00e1quina de aritm\u00e9tica\u201d, para ajudar o seu pai no trabalho. Em 1646 reproduz, com Pierre Petit, a experi\u00eancia de Torriceli e faz experi\u00eancias sobre o v\u00e1cuo. \u00c9 tamb\u00e9m conhecido como o precursor do c\u00e1lculo infinitesimal.<br \/>Mas \u201cPensamentos\u201d (Ed. Martins Fontes) \u00e9 o seu trabalho mais genial, uma das obras-primas da literatura francesa. Pascal, admirador de Galileu e idealizador do primeiro sistema de \u00f4nibus parisiense, tenta justificar a f\u00e9 pela raz\u00e3o. Deste livro \u00e9 a c\u00e9lebre frase: \u201cO cora\u00e7\u00e3o tem raz\u00f5es que a raz\u00e3o desconhece\u201d. O autor de \u201cAs Provinciais\u201d, obra condenada por Roma em 1657, era militante do jansenismo, doutrina que pregava o rigor moral, e, por isso, manteve uma acirrada pol\u00eamica com os jesu\u00edtas.<br \/>\u201cPensamentos\u201d \u00e9 um conjunto de notas e rascunhos que deveria servir para a reda\u00e7\u00e3o da \u201cApologia do Cristianismo\u201d. Os escritos inacabados foram iniciados por volta de 1657 e s\u00f3 foram recuperados oito anos ap\u00f3s sua morte em Port Royal. Ao escrever \u201cPensamentos\u201d, Pascal n\u00e3o renega os seus interesses cient\u00edficos, ao contr\u00e1rio, lan\u00e7a m\u00e3o de um m\u00e9todo l\u00f3gico para explicar a f\u00e9 e as exig\u00eancias transcendentes da condi\u00e7\u00e3o humana.<br \/>Segundo G\u00e9rard Lebrun, a originalidade do m\u00e9todo adotado por Pascal surpreende, porque \u00e9 um \u201cm\u00e9todo formado e testado ao n\u00edvel das ci\u00eancias exatas\u201d. L\u00e9brun, no livro \u201cBlaise Pascal, Voltas, desvios e Reviravoltas\u201d, Ed. Brasiliense (1983), rel\u00ea o pensamento de Pascal e aponta os erros dos interpretadores em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 obra do autor franc\u00eas do s\u00e9culo 17, interpretadores dos \u201cfalsos sentidos\u201d, que n\u00e3o viram o \u201cPascal Moderno, no cora\u00e7\u00e3o da idade cl\u00e1ssica\u201d, com seu \u201cdeus morto\u201d. \u201cE da\u00ed se seguiram todos os falsos sentidos. E nesse pensamento, que n\u00e3o \u00e9 mais do que um circuito na beira dos abismos, s\u00f3 viram piedoso fervor\u201d, diz L\u00e9brun.<br \/>\u201cAo ler esses pensamentos fragmentados, temos de entender que estamos diante do grandioso e do provis\u00f3rio. Temos de ser capazes de ver, nos textos incompletos, nas frases interrompidas, na miscel\u00e2nea dos assuntos, na brevidade das f\u00f3rmulas, na desordem das cita\u00e7\u00f5es, a mais profunda medita\u00e7\u00e3o que j\u00e1 se fez sobre as tens\u00f5es que definem as rela\u00e7\u00f5es entre o homem e a transcend\u00eancia que o supera pelo terror, pelo temor e pela piedade. Se \u00e9 ineg\u00e1vel que o centro das preocupa\u00e7\u00f5es de Pascal \u00e9 a religi\u00e3o, afinal o objeto do livro que pretendia escrever, tamb\u00e9m \u00e9 certo que a amplitude de sua reflex\u00e3o atinge a dimens\u00e3o da exist\u00eancia humana nos seus mais rec\u00f4nditos e dif\u00edceis aspectos, raz\u00e3o pela qual esses fragmentos falam a todos os seres humanos, que partilhem ou n\u00e3o a cren\u00e7a que inspirou Pascal\u201d, anota Franklin Leopoldo e Silva no esclarecedor pref\u00e1cio.<br \/>Pascal, ao fazer a apologia crist\u00e3, revela muito mais o saber universal e o conhecimento do que os fundamentos da religi\u00e3o. A verdade na l\u00edngua do pensador \u00e9 relativa: \u201cTodos erram tanto e mais perigosamente quando seguem cada um uma verdade; o seu erro n\u00e3o est\u00e1 em seguirem uma falsidade, mas em n\u00e3o seguirem outra verdade\u201d. Pascal defende que \u201cquando n\u00e3o se sabe a verdade de uma coisa, \u00e9 bom que haja um erro comum que fixe o esp\u00edrito do homem&#8230;\u201d<br \/>\u201cPensamentos\u201d \u00e9 um exerc\u00edcio extraordin\u00e1rio sobre a raz\u00e3o humana. Discurso fundamental para compreender o homem e a sua rela\u00e7\u00e3o com Deus. Filosofia do esp\u00edrito. Conversa dos deuses cartesianos? \u201cCada um forja um deus para si\u201d. Experimenta\u00e7\u00e3o do pensamento moderno: \u201cAo escrever o meu pensamento, ele me escapa \u00e0s vezes, mas isso me faz lembrar da minha fraqueza de que me esque\u00e7o a toda hora, o que me instrui tanto quanto o meu pensamento esquecido, pois s\u00f3 busco conhecer o meu nada\u201d. Um pensamento que deixa perplexo qualquer pensador. <\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\">* Publicado no caderno \u201cProsa &amp; Verso\u201d, Jornal O Globo<\/p>\n<p><em>Pedro Maciel \u00e9 autor do romance \u201cA Hora dos N\u00e1ufragos\u201d, Ed. Bertrand Brasil. Segundo o poeta e tradutor Ivo Barroso, &#8220;Pedro Maciel nos faz acreditar na possibilidade de que a literatura brasileira possa ainda nos apresentar alguma coisa de novo que, curiosamente, remonta \u00e0 pr\u00f3pria arte de escrever: o estilo. Seu livro &#8220;A Hora dos N\u00e1ufragos&#8221; nos perturba pela for\u00e7a de sua linguagem. O que h\u00e1 de mais pr\u00f3ximo desse livro seriam os famosos &#8220;fus\u00e9es&#8221; de Baudelaire&#8221;. Maciel \u00e9 um dos autores da antologia de contistas brasileiros \u201cIl Brasile per le strada\u201d, lan\u00e7ada na It\u00e1lia em 2009 pela Editora Azimut.<\/em><\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meu amigo Pedro Maciel A TRANSCEND\u00caNCIA DA CONDI\u00c7\u00c3O HUMANA, por Pedro Maciel \u00d3 minha alma, n\u00e3o aspira \u00e0 vida imortal,mas esgota o campo do poss\u00edvel.P\u00edndaro, P\u00edticas, III. Blaise Pascal (1623-1662) est\u00e1 inserido na hist\u00f3ria da ci\u00eancia como um dos mais not\u00e1veis estudiosos de matem\u00e1tica e f\u00edsica. 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