{"id":478,"date":"2010-03-20T14:44:40","date_gmt":"2010-03-20T17:44:40","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/amigodemontaigne\/2010\/03\/ler\/"},"modified":"2010-03-20T14:44:40","modified_gmt":"2010-03-20T17:44:40","slug":"ler","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/amigodemontaigne\/2010\/03\/20\/ler\/","title":{"rendered":"Ler"},"content":{"rendered":"<div align=\"justify\"><font face=\"verdana\">Acredito que o desfrute de certos autores, o mesmo valendo em rela\u00e7\u00e3o a compositores, \u00e9 um processo lento, sem fim, alinhavado pelas experi\u00eancias de leituras sucessivas e, claro, pelas experi\u00eancias de vida. Ningu\u00e9m come\u00e7a &#8211; pelo menos n\u00e3o deveria &#8211; por James Joyce ou J.L. Borges a deleitosa jornada da leitura. Passei por muito Monteiro Lobato e um pouco de J\u00falio Verne. Descobri, depois, a cole\u00e7\u00e3o &#8220;Para gostar de ler&#8221;, que reunia cr\u00f4nicas de tr\u00eas dos &#8220;quatro cavaleiros do apocalipse&#8221;, Fernando Sabino, Otto Lara Resende e Paulo Mendes Campos, al\u00e9m de outro ilustre mineiro, Carlos Drummond de Andrade. Lembro-me como se fosse hoje quando, ao voltar da escola, ainda dentro do \u00f4nibus, abri o livro na p\u00e1gina de uma cr\u00f4nica de Drummond intitulada &#8220;Recalcitrante&#8221;. Como um foguete, assim que cheguei em casa, corri at\u00e9 a estante e abri o Aur\u00e9lio:&#8221;<i>adj.2g.s.2g<\/i>. que ou aquele que recalcitra, que resiste obstinadamente&#8221;. A adolesc\u00eancia me trouxe Machado de Assis &#8211; por prazer e obriga\u00e7\u00e3o-, E\u00e7a de Queir\u00f3s &#8211; por obriga\u00e7\u00e3o e prazer, inicialmente nessa ordem- , George Orwell e Guimar\u00e3es Rosa &#8211; ent\u00e3o um choque para os meus padr\u00f5es conservadores de linguagem -, dentre outros. Atrevi-me a folhear livros de filosofia, sem muito entusiasmo. A exce\u00e7\u00e3o foi Plat\u00e3o, que me prendeu com os di\u00e1logos de &#8220;A Rep\u00fablica&#8221; que descobri num volume amarelado de meu pai. Minha vida de leitor se incrementou depois do contato com a professora de literatura Walqu\u00edria, no primeiro colegial. Alicer\u00e7adas as bases,&nbsp; o caminho estava pronto para os livros. Descobrir, escolher, ler, apreender, reler e opinar. Certa passagem tamb\u00e9m ficou para sempre gravada em minha mem\u00f3ria. Aos 11 anos, recebemos, na escola, a visita do escritor Ign\u00e1cio de Loyola Brand\u00e3o. Ele falou sobre a sua inf\u00e2ncia em Araraquara, sobre coisas de crian\u00e7a e, claro, sobre livros. A sua alegria e emo\u00e7\u00e3o ao falar me contagiaram. Naquele dia, cheguei em casa com uma decis\u00e3o definitiva: a leitura sempre seria a minha companheira. Cara professora Walqu\u00edria, caro Ign\u00e1cio, se este post chegar at\u00e9 voc\u00eas, recebam a minha perene e sempre insuficiente gratid\u00e3o.&nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/p>\n<p>P.S.: Estive na Argentina, sem tempo para o blog. Pe\u00e7o a compreens\u00e3o dos fi\u00e9is leitores.<br \/>&nbsp;&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; <\/font><\/div>\n<div class=\"youtube-video\">     <\/div>\n<p>Horowitz plays Mozart piano concerto 23 2nd mov<\/p>\n<div class=\"zemanta-pixie\"><img decoding=\"async\" class=\"zemanta-pixie-img\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/amigodemontaigne\/wp-content\/uploads\/sites\/206\/2011\/08\/pixy11.gif\" \/><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acredito que o desfrute de certos autores, o mesmo valendo em rela\u00e7\u00e3o a compositores, \u00e9 um processo lento, sem fim, alinhavado pelas experi\u00eancias de leituras sucessivas e, claro, pelas experi\u00eancias de vida. 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