{"id":506,"date":"2010-08-29T18:13:53","date_gmt":"2010-08-29T21:13:53","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/amigodemontaigne\/2010\/08\/pedro_maciel_e_a_promessa_de_n\/"},"modified":"2010-08-29T18:13:53","modified_gmt":"2010-08-29T21:13:53","slug":"pedro_maciel_e_a_promessa_de_n","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/amigodemontaigne\/2010\/08\/29\/pedro_maciel_e_a_promessa_de_n\/","title":{"rendered":"Pedro Maciel e a promessa de novos amanheceres"},"content":{"rendered":"<div align=\"justify\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.caras.com.br\/imagens\/26\/20080916120000_26_large_monet.jpg\" width=\"462\" height=\"350\" \/><br \/><font face=\"verdana\"><b>Sol nascente, Claude Monet, 1873<\/b><\/p>\n<p>J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 de hoje que expresso a minha admira\u00e7\u00e3o pelo escritor mineiro Pedro Maciel. Autor de<i> A hora dos n\u00e1ufragos&nbsp; <\/i>(Bertrand, 2006) e de<i> <\/i><i>Como deixei de ser Deus<\/i> (Topbooks, 2009), acaba de lan\u00e7ar o seu inclassific\u00e1vel livro <i>Retornar com os p\u00e1ssaros <\/i>(Leya). Colagem coerente de aforismos, m\u00e1ximas e versos l\u00edricos, a inclassificabilidade do g\u00eanero tem a\u00ed o seu ponto forte. Em meio ao marasmo editorial brasileiro e mundial, consequ\u00eancia do dito &#8220;p\u00f3s-modernismo&#8221;, Pedro Maciel traz frescor e revitaliza o nosso olhar, o nosso sentir. Tal qual um Pascal dos tr\u00f3picos, brinda-nos com o seguinte <i>pens\u00e9e<\/i>: &#8220;Penso em n\u00e3o morrer aqui, sentado, esperando por um facho de luz ou por uma ideia brilhante. Penso em n\u00e3o morrer por hoje. Penso em n\u00e3o morrer. N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que penso em n\u00e3o morrer. <i>A pior coisa de todas \u00e9 morrer logo; a segunda pior \u00e9 simplesmente morrer um dia<\/i>&#8220;. H\u00e1 momentos de grande lirismo, que eu ousaria em classificar de hilstianos &#8211; quanta falta me faz Hilda!, mas logo a enxergo na estante, \u00e0 direita, entre amigos: &#8220;(&#8230;); n<i>\u00e3o te esque\u00e7as de mim quando n\u00e3o encontrar palavras para nomear as coisas indeterminadas e sem-nome, n\u00e3o se deslumbre com a luz artifcial dos palcos da vida, ou\u00e7a o rumor do vaiv\u00e9m dos seus descaminhos, n\u00e3o atenda se o passado ligar fora de hora, esque\u00e7a o passado por um instante<\/i>&#8220;. Manoel de Barros arquet\u00edpico que vive em todos n\u00f3s, Pedro Maciel vaticina: &#8220;<b>O tempo e o habitat s\u00e3o fundamentais para a sobreviv\u00eancia dos p\u00e1ssaros<\/b>. <i>Quem n\u00e3o \u00e9 ave, n\u00e3o deve acampar-se sobre abismos.<\/i><b>Pode-se reconhecer aves selvagens ou dom\u00e9sticas atrav\u00e9s do voo ou da voz<\/b>. <i>Basta observar os p\u00e1ssaros a cantar nos arbustos, o voo dos insetos diversos, os vermes a rastejarem pela terra \u00famida, e refletir que essas formas elaboradamente constru\u00eddas, t\u00e3o diferentes entre si e t\u00e3o dependentes umas das outras de modo imensamente complexo, foram todas produzidas por leis que atuam \u00e0 nossa volta<\/i>&#8220;. Constitu\u00eddo por 72 pensamentos, a capa de <i>Retornar com os p\u00e1ssaros <\/i>se equivoca: onde se l\u00ea &#8220;romance&#8221;, leia-se &#8220;inclassific\u00e1vel: novos amanheceres poss\u00edveis&#8221;. <\/font><\/div>\n<div class=\"zemanta-pixie\"><img decoding=\"async\" class=\"zemanta-pixie-img\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/amigodemontaigne\/wp-content\/uploads\/sites\/206\/2011\/08\/pixy27.gif\" \/><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sol nascente, Claude Monet, 1873 J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 de hoje que expresso a minha admira\u00e7\u00e3o pelo escritor mineiro Pedro Maciel. Autor de A hora dos n\u00e1ufragos&nbsp; (Bertrand, 2006) e de Como deixei de ser Deus (Topbooks, 2009), acaba de lan\u00e7ar o seu inclassific\u00e1vel livro Retornar com os p\u00e1ssaros (Leya). 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