{"id":534,"date":"2011-06-29T23:18:49","date_gmt":"2011-06-30T02:18:49","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/amigodemontaigne\/2011\/06\/neurocriminologia\/"},"modified":"2011-06-29T23:18:49","modified_gmt":"2011-06-30T02:18:49","slug":"neurocriminologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/amigodemontaigne\/2011\/06\/29\/neurocriminologia\/","title":{"rendered":"Neurocriminologia"},"content":{"rendered":"<div align=\"justify\"><font face=\"verdana\"><br \/><\/font><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/i.livescience.com\/images\/i\/15116\/i01\/adrian-raine.jpg?1299249380\" alt=\"\" width=\"297\" height=\"197\" \/><b><br \/><\/b><font face=\"verdana\"><b>Adrian Raine: criminologista da Universidade da Pensilv\u00e2nia<\/b><\/p>\n<p>Est\u00e1 na moda. Foi capa de prestigiosas revistas. A nova ci\u00eancia se chama neurocriminologia. H\u00e1, inclusive, departamentos rec\u00e9m-criados em universidades do hemisf\u00e9rio norte. O advento da tomografia por emiss\u00e3o de p\u00f3sitrons (PET), m\u00e9todo que permite o estudo do metabolismo dos tecidos em geral, revolucionou a oncologia e a maneira como enxergamos o c\u00e9rebro em atividade. De maneira simplificada, o PET avalia \u00e1reas de maior atividade metab\u00f3lica. Imagine, por exemplo, um c\u00e2ncer. As c\u00e9lulas cancerosas est\u00e3o em intenso processo de multiplica\u00e7\u00e3o, o que exige energia, leia-se oxig\u00eanio e glicose. Assim, o aparelho de PET acusar\u00e1 e fotografar\u00e1 as \u00e1reas de maior atividade metab\u00f3lica, identificando as c\u00e9lulas malignas. No caso do c\u00e9rebro, pode-se comparar o metabolismo das diferentes \u00e1reas cerebrais entre grupos de indiv\u00edduos. Em 1997, pesquisadores norte-americanos estudaram por PET o c\u00e9rebro de 41 assassinos confessos e 41 indiv\u00edduos normais. O resultado do estudo demonstrou que \u00e1reas fundamentais para a boa intera\u00e7\u00e3o e bom funcionamento social &#8211; c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal e am\u00edgdala cerebral &#8211; apresentavam menor metabolismo no grupo dos asssassinos. Curiosos, esses mesmos pequisadores dividiram o grupo dos asassinos em outros dois grupos, agora de acordo com o tipo de proced\u00eancia remota, bons lares e maus lares (pobreza, neglig\u00eancia, abuso). O grupo proveniente dos lares piores mostrou um metabolismo ainda menor do c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal e am\u00edgdala. Na \u00faltima semana, quando fui convidado a participar de um congresso no sul do pa\u00eds, o pesquisador respons\u00e1vel&nbsp; pelo estudo citado, Adrian Raine, defendeu que, baseado em seus achados, criminosos com menor atividade metab\u00f3lica do c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal e da am\u00edgdala devem ser isolados definitivamente do conv\u00edvio social. O problema maior, levantado por alguns dos presentes, \u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o pr\u00e9-m\u00f3rbida desses recursos. Para uma infelicidade, suponha que o seu filho de 12 anos \u00e9 uma crian\u00e7a cruel, que gosta de fazer mal aos animais, que bate nos colegas de classe e agride furiosamente os seus professores, que se regozija com pequenas maldades. Eis que, por exig\u00eancia da escola ou de alguma autoridade competente, voc\u00ea deva submet\u00ea-lo ao exame de PET&nbsp; e, bingo: o padr\u00e3o de funcionamento metab\u00f3lico \u00e9 similar ao dos psicopatas, dos assassinos confessos de Raine. Destino tra\u00e7ado e inamov\u00edvel? E o papel do ambiente &#8211; estaria completamente descartado, secund\u00e1rio? O que veio antes, o c\u00e9rebro &#8220;ruim&#8221; que determina um comportamento psicop\u00e1tico? Ou um ambiente psicop\u00e1tico &#8211; pobreza extrema, viol\u00eancia dom\u00e9stica, abuso sexual &#8211; que &#8220;molda&#8221; o c\u00e9rebro tal qual o vemos em serial killers? A velha m\u00e1xima mendeliana &#8220;fen\u00f3tipo \u00e9 o resultado do gen\u00f3tipo mais o ambiente&#8221; est\u00e1 morta? Estar\u00edamos caminhando, mais uma vez na hist\u00f3ria, para uma vers\u00e3o moderna e pseudocient\u00edfica de eugenia? Penso que n\u00e3o estamos preparados&nbsp; para responder essas quest\u00f5es, seja ainda do ponto de vista cient\u00edfico ou, de modo mais importante, da perspectiva \u00e9tica. O assunto deve ser debatido pela sociedade cada vez mais e mais. Plagiando Miguel Nicolelis, n\u00e3o podemos ser&nbsp; ignorantes em ci\u00eancia, pois corremos o risco de, por desconhec\u00ea-la, tornarmo-nos v\u00edtimas de suas limita\u00e7\u00f5es e imprecis\u00f5es metodol\u00f3gicas. &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp; &nbsp; &nbsp; <\/font><\/div>\n<div class=\"zemanta-pixie\"><img decoding=\"async\" class=\"zemanta-pixie-img\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/amigodemontaigne\/wp-content\/uploads\/sites\/206\/2011\/08\/pixy43.gif\" \/><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Adrian Raine: criminologista da Universidade da Pensilv\u00e2nia Est\u00e1 na moda. Foi capa de prestigiosas revistas. A nova ci\u00eancia se chama neurocriminologia. H\u00e1, inclusive, departamentos rec\u00e9m-criados em universidades do hemisf\u00e9rio norte. 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