Tecnologia e Educação, o que temos por aí, professores?

O uso da tecnologia em educação tem apimentado deveras o debate dentro de áreas especializadas da pedagogia e também das áreas de exatas que, interdisciplinarmente, trabalham com o assunto. Já é consenso entre os pesquisadores que a simples inserção de bugigangas diversas não resulta em aprimoramento do processo ensino e aprendizagem.  Outros mitos que estão caindo por terra nesta discussão são: 1) Professores com conhecimento em tecnologia automaticamente saberão aplicá-las eficientemente em sala de aula, 2) Igualdade pode ser atingida ao se equiparar a média de alunos por computador entre as escolas de classes econômicas diferentes, 3) Se aquela tecnologia engaja os alunos, ela deve ser boa para ser utilizada em educação. Só pra citar alguns…

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“…o que importa é como usamos”

Estas afirmações já estão sendo desacreditadas por pesquisas e pela própria prática docente.  A tecnologia, evidentemente, não é a panaceia para nossos problemas infra-estruturais, econômicos, cognitivos, psicossociais e geracionais, fatores que fazem parte da sala de aula. Ela, lentamente, vai sendo colocada em seu lugar, humildemente pois, em suma, é apenas mais um recurso, como tantos outros, à disposição do professor. Por exemplo, sabiam que a lousa, o giz, o retroprojetor fazem parte desse arcabouço? Também são tecnologias e, até hoje, eficientes em muitos casos. Talvez tenhamos que deixar de separar as tecnologias antigas das tecnologias novas e focar nossa preocupação na utilidade de cada uma delas para cada tipo de dinâmica de aula, conteúdo, objetivo, local e tempo.

É evidente que, por estarmos imersos na sociedade da informação, mais e mais processos e trabalhos são transferidos para os meios digitais. Serviços, arquivos, prototipagens e testes, simulações, trabalhos artísticos, comunicação, entretenimento, etc. tudo hoje em dia, dentro e fora do mundo do trabalho, encontra sua versão digital, por que não também na educação. O grande problema é que apostamos muitas fichas na ferramenta e esquecemos-nos dos métodos. E estes são o que fazem a ferramenta funcionar, pois definem o quando, como e porque utilizá-la.

Mas para a construção do método, experimentação é a chave. Estudo de casos, relato de situações que deram certo (ou não, para não repetirmos) precisam ser multiplicados. Precisamos de uma massa crítica desses elementos para poder fazer uma classificação destas tecnologias, no intuito de auxiliar os professores, ainda tão perdidos frente a pletora de recursos a seu dispor. Imagina quão útil seria, se tivéssemos um banco de dados de experiências de aulas e suas respectivas tecnologias aplicadas que deram certo? O professor poderia acessar estas informações e compor seu programa de ensino baseado em um roteiro já testado e avaliado por seus pares. A chance de sucesso aumentaria consideravelmente. Cabe a nós, professores, começar este trabalho… colaborativa, coletiva e abertamente!


 

Algumas fontes consultadas:

http://www.edutopia.org/blog/3-edtech-myths-mary-beth-hertz

http://www.educationcorner.com/k12-technology-myths.html

https://cryptome.org/2013/01/aaron…/Information-Society-Theories.pdf

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Sobre André Garcia 8 Artigos
Formado em Sociologia, Mestre em Ciência Política, Especialista em Jornalismo Científico e Doutor em Educação, Profissional da Comunicação e Administrador do Blog Ring.

4 Comentários

  1. Concordo perfeitamente contigo em tudo o que você disse, André. Acredito, ainda, que não há como escapar do uso dessa ferramenta, uma vez que, mais do que nós, os alunos estão super inseridos nesse universo. No entanto, precisamos trabalhar com a metodologia a partir de trocas de experiências.

  2. Penso que é interessante incorporarmos as tecnologias utilizadas pelos alunos a favor dos docentes. Uma vez que se dispersam facilmente em sala de aula no uso dessas tecnologias. Um grande banco de dados com experimentações práticas é enriquecedor.

  3. Concordo, André, mas precisa passar também pela formação dos professores. E, para manter o foco na tecnologia, uma prática a ser estimulada seria a criação de Comunidades Virtuais de Aprendizagem e Prática. Mas, estariam os professores os professores interessados em participar de tais comunidades? Teriam tempo e disposição para tanto?

    • Isso é verdade Cássio. Falta na formação, creio que não só de professores, mas em geral, o desenvolvimento de hábitos colaborativos. Como estamos na era digital, hábitos colaborativos virtuais, eu diria. Durante os cursos é preciso que se desenvolvam competências como: desenvoltura em trabalho em equipe (física e virtual), capacidade de compartilhamento de informações, trabalho voluntário (como a própria criação de blogs para informação geral), criação ou participação em comunidades afins e etc. Creio que os cursos são muito mais voltados para a capacitação particular do que para suprir necessidades sociais ou coletivas, talvez por isso exista a dificuldade das pessoas em participarem com mais intensidade em projetos ou comunidades virtuais, de cunho coletivo.

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