Tecnologias e novos espaços

Tecnologias e novos espaços de aprendizagem

Diante de uma sociedade que incorpora rapidamente as inovações tecnológicas na maioria de seus segmentos, muitos veem na tecnologia a possibilidade promissora de solução e melhoria na área da educação, atribuindo equivocadamente a ela um caráter messiânico. Equivocadamente pois diversos autores apontam duas grandes falhas dentro da intersecção “Educação & Tecnologia”, são elas:

      (i) A mera incorporação das TDICs na Sala de Aula
      (ii) Transposição do modelo presencial para o virtual

Em ambos os casos ocorre o que podemos chamar de mera instrumentalização das comumente denominadas de [simple_tooltip content=’Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação, afinal até por que não precisamos entender tecnologias apenas como ferramentas que envolvam computadores e afins’]TDICs[/simple_tooltip], ou seja, a TDICs é incorporada de forma não dialética, não gerando assim, impacto algum nas metodologias de ensino adotadas e ficando aquém das possibilidades que elas carregam consigo. Por isso, é preciso que o processo de incorporação das TDICs seja dialético, que impacte e gere novas metodologias, a fim de que o uso das TDICs não seja uma mera instrumentalização das mesmas, aproveitando assim sua potencialidade e reconhecendo os limites próprios destas.

Isto pois, grande parte da discussão sobre a intersecção “Educação & Tecnologia” gira em torno de como as novas tecnologias podem ser incorporadas dentro da sala de aula. O que tem acontecido é que, geralmente, a discussão aponta sempre para uma mera instrumentalização destas TDICs, deixando de lado questões como: Qual o seu impacto na sociedade e nos processos de ensino e aprendizagem? Qual a melhor utilização destas no contexto educacional? Entre outras. Afinal as novas TDICs impactam diretamente em diversas esferas da nossa sociedade e isso de forma profunda e abrangente, ou seja, trazem novas possibilidades, assim como novos perigos. Mas nessa postagem queremos focar que estas também criam novos espaços!

Mas como assim as TDICs criam novos espaços? Primeiramente temos que pensar espaço como um conceito que vai além do aspecto físico e geográfico, ou seja, hoje lidamos com espaços caracterizados pela virtualidade – espaços virtuais! Esse novo espaço apenas foi possível graças ao surgimento da internet e potencializado com a Web 2.0.

É importante ressaltar que esse novo espaço virtual, apresenta características similares aos dos espaços físicos, por exemplo, tomando o caso da rede social facebook (ou de qualquer outra rede social neste caso) encontramos a presença social como uma marca comum entre o físico e o virtual. Mas este espaço também possui características únicas, pensando ainda no exemplo do facebook esta presença social tem novas características intrínsecas da virtualidade, ou seja, o avatar da pessoa pode com muito mais facilidade vestir-se de uma outra persona.

Seguindo este raciocínio, quando pensarmos em termos de interação e linguagem definidos por Vygotsky (importante autor cujas pesquisas e teorias contribuíram profundamente com a educação) encontramos essas marcas presentes nesse novo espaço. Ou seja, quando ele aponta que o processo de aprendizagem ocorre dentro das relações interpessoais, a partir da interação entre sujeitos e objetos, tal fato ocorre também dentro dos espaços virtuais. Ou ainda, quando ele associa todo o processo de construção da linguagem (seja essa qual for) e que a sobreposição das mesmas potencializam o processo de aprendizagem, tal fato também ocorre dentro dos espaços virtuais.

Assim, quando falamos de educação, podemos definir os espaços virtuais de duas formas, dependendo dos elementos que estão atrelados a plataforma tecnológica que oferece suporte a este espaço. São eles:

1. Espaços virtuais de aprendizagem: Nessa categoria poderíamos descrever que se enquadram plataformas que oferecem conteúdos educacionais que disponibilizam de recursos de interação, cooperação, compartilhamento de forma que possa haver aprendizagem, por exemplo: wikipedia, redes de blogs de divulgação cientifica e outros.

2. Novos espaços de mediação pedagógica: 
Entretanto existem plataformas que suportam a presença de mediação pedagógica, indo além da disponibilização de conteúdos, mas permitindo o acompanhamento do processo de ensino e aprendizagem, oferecendo suporte para avaliação a partir de um determinado projeto pedagógico, por exemplo: Moodle, Google Classroom e outros, estas plataformas por sua vez são geralmente chamadas de AVAs (Ambientes Virtuais de Aprendizagem), ou mais acertadamente chamadas de AVEAs (Ambiente Virtuais de Ensino e Aprendizagem).

Portanto, a grande questão a pensarmos é como fazermos o devido uso destes novos espaços. Afinal todo espaço é um espaço de aprendizagem, seja ele físico e/ou virtual. Afirmo “e/ou”, porque em nossos dias os espaço físicos e virtuais se misturam facilmente, compartilhando tempo. Por isso, o caminho para responder a esta grande questão deve passar obrigatoriamente pelo desafio de pensarmos novas metodologias que façam uso e permeiem esta diversidade de espaços, a fim de aproveitar as possibilidades de cada um, as somando para que cada vez mais o processo de ensino e aprendizagem, o processo de construção do conhecimento seja sempre mais efetivo.

 

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Sobre Ricardo Augusto da Silva 11 Artigos
Muito prazer, sou o Ricardo aluno do mestrado no programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação da Unicamp, onde pesquiso dentro do eixo Educação & Tecnologia. Também faço parte do Grupo de Pesquisa do LANTEC.

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