Professores e a resistência à tecnologia.

Particularmente, considero impressionante a resistência apresentada por grande parte dos professores quando o assunto é a incorporação de tecnologias na educação. Aparentemente, parte significativa dessa resistência gira em torno de duas tensões.

A primeira tensão, em minha opinião, é com relação ao tradicionalismo existente na educação. É como se os professores adotassem a máxima: “Sempre dei aula assim, e sempre deu certo!”, ou seja, para o sucesso do processo de ensino e aprendizagem, o sucesso da didática adotada em sala de aula – ou melhor, aparente sucesso – não é necessário o uso de tecnologias, e como se a pergunta que esses professores constantemente fizessem é “para quê?” e “por quê?”. E de fato essas perguntas são válidas, mas o problema não é se fazer as perguntas, mas é em justamente apesar das frequentes respostas e da solidez das mesmas, essas serem descartadas sem a devida reflexão.

A segunda tensão, por sua vez, aparentemente parece mais um medo que uma tensão. Com isso quero dizer que, para alguns professores, a tecnologia se apresenta como um substituto docente, ou seja, a tecnologia quando incorporada na educação, em sua essência, visa tomar o papel do professor, ou no mínimo, suplantá-lo em prioridade dentro do processo de ensino e aprendizagem. Nesses casos, parece que o problema reside na percepção e compreensão do que é tecnologia e de qual o seu papel real dentro da educação, pois em momento algum (pelo menos até aqui) a tecnologia visa substituir o docente, ou diminuir sua prioridade.

Entretanto, seja pensando nas pesquisas acadêmicas de maior relevância feitas atualmente, assim, como grandes e diversos cases de sucessos, a figura chave no processo de ensino e aprendizagem ainda é o docente, mas este fazendo uso de metodologias inovadoras e essas geralmente (não exclusivamente) integradas com o uso das TDICs.

Então, onde quero chegar com isso? É simples, que nós docentes precisamos abrir mão da resistência à tecnologia pela simples resistência, mas refletir sobre a integração dessa, mas não pela simples incorporação, mas pelo caminho da inovação metodológica.

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Sobre Ricardo Augusto da Silva 11 Artigos
Muito prazer, sou o Ricardo aluno do mestrado no programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação da Unicamp, onde pesquiso dentro do eixo Educação & Tecnologia. Também faço parte do Grupo de Pesquisa do LANTEC.

5 Comentários

  1. Meu caro Amigo, suas colocações refletem muito bem o que sempre pensei. Desde que comecei me aventurar pelo LANTEC, algumas experiências de medo, resistência e comodismo sempre foram muito presentes. Por outro lado, já vi muitas iniciativas boas e muito interesse também. Mas ainda temos muito que caminhar nessa área. Muito.

    • Estéfano bem colocado! Inclusive essas boas iniciativas que você me lembrou me deram uma nova ideia para futuro post.

  2. Oi pessoal, concordo com os possíveis desencadeadores de comportamentos resistentes às inovações tecnológicas na Educação, pelos professores.
    Na atualidade, há diversas comprovações sobre o quanto e como que as tecnologias estão revolucionando e promovendo o avanço de inúmeras áreas do conhecimento humano, como a Medicina, Engenharia entre tantas outras.
    Na Educação, encontramos professores que ainda resistem ao uso das tecnologias no processo de aprendizagem. Por que?
    Concordo que talvez muitos não aceitem pela experiência educacional que tiveram no passado em suas vidas escolares, desde a alfabetização até o ensino superior. Além de dominarem concepções tradicionais de ensino, muitas vezes ultrapassadas e desatualizadas das demandas da sociedade da informação e do conhecimento, o texto também mencionou a ideia equivocada de serem substituídos por recursos tecnológicos.
    Gostaria, com todo respeito, de mencionar uma terceira questão, com intuito de contribuir com nossa reflexão, que talvez explique essa possível resistência.
    Acredito que a insistência por condutas conservadoras no processo de aprendizagem e o equívoco em torno de serem substituídos por máquinas, se devem, principalmente pelo possível DESCONHECIMENTO de tais recursos tecnológicos, que na Educação, tem o intuito de potencializar ainda mais a aprendizagem dos alunos, de maneira significativa, prazerosa e ampliada.
    Se o professor não conhece, como poderá fazer uso? Como o professor poderá deixar de ser um alienígena no mundo digital? Como prepará-los para aprenderem (e muito) com seus alunos, que dominam tais inovações tecnológicas? Quem é dono da verdade? A verdade tem dono ou pode ser construída coletivamente, por meio de recursos diversos?
    Como ajuda-los a saírem da zona de conforto, para descobrirem um novo universo, de conexão, criação, interações, compartilhamento, autoria, reinventando novas formas de construção de conhecimentos, onde todos são protagonistas e autônomos.
    Talvez o grande desafio seja sensibilizar os professores para os inúmeros benefícios que as TIC´s podem trazer também para área de Educação, iniciando a navegação por esse universo digital, pelo “beabá”.
    Dito de outra maneira, são necessárias Políticas Públicas de Educação Digital acessíveis aos professores, que viabilizem cursos e formações específicas, respeitando e valorizando a bagagem daqueles que aprenderam de modo analógico (livros, giz e lousa), mas que precisam adequar com urgência suas metodologias educacionais, buscando adequar a aprendizagem aos anseios de uma geração digital versátil, rápida e on-line.

    • Olá Vanessa! Perfeita sua colocação e visão sobre um dos principais pontos que justificam a resistência: o desconhecimento. Como trabalho exatamente fazendo esse trabalho de formação de professores, presencio inúmeros casos de professores que encontraram soluções sólidas de aperfeiçoamento de suas aulas e que conseguiram potencializar o aprendizados dos alunos, chamando-os para a utilização de recursos tecnológicos.

      • Vanessa e Jackson muito obrigado pelas contribuições de você! E concordo plenamente um fator decisivo para não apenas romper com a resistência as TDICs por parte dos docentes, mas principalmente que a integração das TDICs ocorra a partir de novas metodologias centradas no aluno, formação docente é o elemento chave.

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