Com telas e robôs ou lousa e giz, o importante é a qualidade do ensino

No dia 11 de Setembro, foi publicada no site da Folha de São Paulo uma matéria da qual tomei a liberdade de emprestar o mesmo título como o deste post [para ler a matéria na integra clique aqui]. A matéria em resumo aborda um ‘case de sucesso’ da integração das TDICs no programa pedagógico de uma escola em Santa Maria. Ao ler o texto, várias idéias me ocorreram, afinal o próprio texto aborda diversos temas dentro do eixo Tecnologia & Educação, mas para não me alongar demais em um post que deveria ser breve, vou tratar apenas de alguns pontos, a partir do trecho inicial da matéria:

“Tecnologia na escola é inevitável. O aluno já está imerso na vida digital fora da sala. O desafio é usar a ferramenta de forma a fazer sentido para o professor, para a criança e o conhecimento, sem ceder ao fetiche que os dispositivos eletrônicos despertam […]”

1. A inevitabilidade da tecnologia na sala de aula

Vivemos em momento histórico de transição. Mas o que quero dizer com isso? É que, apesar de falarmos frequentemente de nativos digitais, aquela geração de estudantes já nascidos e completamente imersos na cultura digital, não podemos nos esquecer que essa realidade não é absoluta em diversos contextos do Brasil.

classroom-teacherPor exemplo: apesar da nossa população se concentrar na sua maior parte em centro urbanos, ainda possuímos uma parcela significativa da população vivendo em áreas rurais, onde a realidade da cultura digital não se encontra na mesma intensidade que nos centro urbanos. Ou ainda, quando analisamos nossos centro urbanos, percebemos que eles não são homogêneos na composição de seus grupos, ou seja, diferente grupos sociais experimentam com intensidades diferentes a realidade da cultura digital. [Para saber mais sobre Cibercultura e Nativos Digitais clique aqui].

Assim, concordo com a proposta do inicial da matéria que aborda a inevitabilidade da tecnologia em sala de aula, a grande questão é, como se dará esse uso, ou que grau de intensidade devemos fazer uso destas novas tecnologias.

2. A tecnologia como meio, ferramenta

Parece óbvio, mas não é! O texto se refere a tecnologias como ferramenta e, geralmente quando conversamos sobre tecnologia e educação, concordamos facilmente com isso mas, em contrapartida, quando observamos a prática efetiva do uso das tecnologias, se percebe dois grande problemas, e o primeiro origina o segundo, sãos eles, respectivamente:

a. O uso das tecnologias como ferramentas, de forma anacrônica e sem a significação metodológica, e

b. O uso das tecnologias com fim em si mesmo.

Ou seja, precisamos entender a tecnologia como ferramenta a ser utilizada para determinado fim educacional, este é seu significado, e isto, a partir de uma metodologia que a integre, consciente dos demais impactos da tecnologia na sociedade. [Por exemplo, as TDICs criam novos espaços, espaços esses que podem ser significados como espaços virtuais de aprendizagem, para saber mais sobre este tema sugiro outro post deste blog intitulado: Tecnologias e Novos Espaços].

3. Fetiche tecnológico uma tentação a ser evitada

Por último o trecho abordado da matéria da folha, fala brevemente sobre um fetiche a ser evitado, e concordo com isto! Afinal, se o uso de tecnologias na educação ocorrer devido um mero fetiche ou modismo, inevitavelmente cairemos no problema levanto no tópico anterior e ai de nada vale do ponto de vista metodológico e educacional.

PORTANTO

Então chegando ao final deste post reitero o titulo da matéria que foi tomado emprestado como titulo deste post:

“Com telas e robôs ou lousa e giz, o importante é a qualidade do ensino”.

Para isso são necessários professores qualificados, fazendo uso de metodologias que integrem tecnologias (não necessariamente as digitais) convergindo para que o aluno obtenha não somente os conteúdos desejados, mas um conjunto necessário de competências para fazerem usos desses conteúdos de maneira autônoma e colaborativa.

[Para quem quiser saber mais sobre recomendo outro post deste blog intitulado: Tecnologia e Educação, o que temos por aí, professores?].

Sobre Ricardo Augusto da Silva 11 Artigos
Muito prazer, sou o Ricardo aluno do mestrado no programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação da Unicamp, onde pesquiso dentro do eixo Educação & Tecnologia. Também faço parte do Grupo de Pesquisa do LANTEC.

1 Comentário

  1. Um ótima reflexão e uma discussão que deve ser feita cada vez mais, inclusive por conta de toda conjuntura política atual e como a sociedade enxerga a escola e o trabalho do professor.
    Bom, mas me permita linkar um texto que justamente trás uma postura contra essa cultura de modernizar a educação em sala de aula com tecnologias atuais.
    A discussão que esse autor traz no texto é de que a questão de utilizar tais elementos vai muito além do preparo dos professores. Existe toda uma questão da onde vem esses recursos e como esses equipamentos são adquiridos.

    edit: Me desculpe não informar, mas o objeto de discussão do texto no caso é o ensino de Matemática, mas a discussão ainda é válida.
    https://sites.math.washington.edu/~koblitz/mi.html

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