Por um bom conceito de tecnologia

Confesso que sou um imigrante na área da Educação, minha formação base é em Ciências da Computação, por isso, a palavra tecnologia e seu conceito me é bastante familiar. Entretanto, quando adentrei ao mundo da Educação, para pesquisar dentro do eixo Tecnologia & Educação, não apenas o conceito de tecnologia se tornou mais complexo, como também as diversas siglas que o acompanham dentro da área apresentaram pequenas diferenças, mas fundamentais. E neste post, esse é o assunto da vez!

Durante a graduação em Ciências da Computação, o meu conceito de tecnologia passou de um que acreditava ser o senso comum para algo mais abrangente e sólido, e este conceito também se mostrou sólido quando entrei no “mundo” da Educação.

Geralmente, o senso comum associa diretamente a palavra tecnologia à “coisas” como computação, robótica e até mesmo a aparelhos eletrônicos. Entretanto, este tipo de associação propõe um conceito de tecnologia reduzido, ou seja, deixa muita coisa de fora. Por exemplo: quando pensamos no contexto educacional de sala de aula, não é difícil compreender computadores, projetores, lousas digitais como tecnologia. Mas quando falamos sobre o quadro negro, giz, livros não os associamos à palavra tecnologia, e é aqui que se dá o primeiro ponto deste post: tecnologia é qualquer dispositivo ou equipamento desenvolvido a partir da técnica humana. Portanto giz ou lousa, projetor ou computador, são todas tecnologias, apenas de tipos diferentes. [Caso você queira ler um pouco mais sobre técnica e tecnologia recomendo a leitura do post intitulado Nossos primeiros passos, ou ainda a definição de tecnologia do Wikipedia clicando aqui. E caso você tenha problemas com a Wikipedia, recomendo a leitura do post intitulado Vamos falar sério sobre Wikipedia].

Está percepção sobre tecnologia facilita em muito diversas discussões, além de trazer uma nova luz sobre várias questões (não vou abordar essas questões nesse post). Mas, dando sequência, uma compreensão abrangente sobre tecnologia é suficiente? A resposta é um “claro que não!” Afinal, é fácil perceber que, por mais que consideramos lousa e giz, comput26_1_20141016113542ador e projetor como tecnologias, percebemos que elas são significativamente diferentes.

Esse é o segundo ponto que quero salientar:  essas diferenças entre tecnologias apontam para a necessidade de as categorizarmos e, para isso, é preciso compreender as características técnicas dessas tecnologias a partir do seu avanço tecnológico, ou seja, diferentes categorias de tecnologia primeiramente devem ser agrupadas de acordo com seu avanço tecnológico, ou seja, ela é analógica, eletrônica ou  digital? Lembrando que essas categorias são apenas exemplos, o importante nesse processo de categorização é deixar claro quais são os parâmetros essenciais que compõem cada categoria, afinal, quando pensamos no digital, temos a possibilidade de diversas categorias ou subcategorias dentro. [Apenas como um exemplo afim de elucidar esse ponto segue mais uma página da Wikipedia aqui].

Em terceiro lugar, é que quando falamos em avanço tecnológico temos que reconhecer que dentro deste processo existem avanços tecnológicos que geram uma [simple_tooltip content=’Uso este termo na falta de uma melhor até o momento’]”ruptura”[/simple_tooltip] e não por conta do avanço tecnológico em si, mas por conta de que determinados avanços tecnológicos trazem consigo um novo método atrelado a tecnologia que surgiu como fruto deste avanço.

Para elucidar este ponto, gostaria de trazer um exemplo dentro do âmbito da sala de aula. Durante este post tenho falado do quadro negro e do giz como tecnologia, mas quando pensamos no quadro branco e no canetão estamos falando de um avanço tecnológico dentro de uma mesma categoria, mas este avanço não acarreta consigo uma possibilidade ou exigência de um novo método para o uso destas. Entretanto quando falamos do computador e projetor, além de uma tecnologia pertencente a outra categoria é uma tecnologia que exige e possibilita o ferramentas14emprego de um novo método, assim, como a lousa digital necessita de um método diferente dos utilizados junto às tecnologias citadas anteriormente.

Por último, e assim concluir este post. O que quero dizer é que não basta incluirmos tecnologias nos nossos métodos didáticos, afinal já usamos algum tipo de tecnologia, também o desafio não é aprendermos a categorizar corretamente as tecnologias, ou ainda, identificarmos as tecnologias com características de “ruptura” das tecnologias anteriores emergentes do avanço tecnológico. Mas o ponto central é que precisamos utilizar métodos didáticos adequados às tecnologias que estamos utilizando, mas não pensem que é somente isto, um método didático só é efetivo de fato quando utilizado em resposta a necessidade do estudantes! [Caso queira ler um pouco mais sobre recomendo dois outros posts deste blog: Tecnologia e Educação, o que temos por aí, professores? e Com telas e robôs ou lousa e giz, o importante é qualidade do ensino].

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Sobre Ricardo Augusto da Silva 11 Artigos
Muito prazer, sou o Ricardo aluno do mestrado no programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação da Unicamp, onde pesquiso dentro do eixo Educação & Tecnologia. Também faço parte do Grupo de Pesquisa do LANTEC.

4 Comentários

  1. Olá, Ricardo!
    Gostaria apenas de recordar que o aparecimento do lápis, lembrando que anteriormente as penas (preferencialmente de gansos, por serem mais longas) eram usadas para escrever, foi um momento disruptivo na área educacional. Muitos jornalistas apontaram o “fim da Educação” com a introdução do lápis e tudo o que ele podia trazer, como, por exemplo, a extinção das árvores, usadas na fabricação desse material tão revolucionário para a época.
    As árvores não foram extintas e, cada vez mais, os lápis deixam de ser usados, ainda que o uso das penas possivelmente seja mais eco-lógico que dos lápis, mas, talvez, não mais do que o “reaproveitamento” digital.
    Contudo, o que continuamos a ver, é o discurso de crise na Educação, quase sempre justificada pelo emprego da tecnologia. Então, me pergunto, onde está o bebê depois do banho? Será que foi embora com a água suja???
    p.s. Depois de tantos links informativos em teu post, deixo a procura de minhas fontes aos possíveis leitores, pois, não as tenho em mãos e, no mundo virtual, tudo é tão acess(í/a)vel! Boa sorte…

  2. Ótima postagem Ricardo. Eu que venho da área de Educação posso afirmar que esse é um assunto muito importante pra área. Discute-se muito no meio sobre o uso de “tecnologias” e suas vantagens educacionais. Mas, infelizmente, muitas vezes essa discussão fica sem embasamento com relação ao que é essa tecnologia e como utilizá-la de fato.
    Eu me recordo, por ex, de uma tirinha que mostra os alunos aprendendo tabuada e o quadro todo escrito 1×1=1, 1×2=2, 1×3=3, e por aí vai… No quadro seguinte aparece um homem dizendo que deixaria as aulas mais tecnológicas e a professora se mostrando super animada. No último quadro, vemos os alunos repetindo a tabuada (do mesmo jeito que no primeiro) só que ao invés de estar escrita no quadro, ela estava sendo projetada com o datashow. Ou seja, mesmo sendo duas coisas totalmente diferentes (um quadro e um datashow), a professora não promoveu nenhum rompimento na mudança de uma tecnologia pra outra.

    • Eh por ai mesmo! Justamente por isso, que a discussão muito mais do que tecnologia usar, deve ser como usar, e isso, tem em vista um objetivo pedagógico/educacional.

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