Para começar a conversar sobre docência e mediação pedagógica

O professor foi e ainda é a figura chave no processo de ensino e aprendizagem! Para deixar mais claro a afirmação que fiz, quero propor duas fases ou modelos do processo de ensino aprendizagem. A primeira, mais conhecida de todos nós se refere a processo unilateral, onde o professor é o detentor do conhecimento dentro da sala de aula e sua principal tarefa é transmitir esse conhecimento a alunos passiveis, que tem por sua vez, tem como principal tarefa “armazenar” esse conhecimento transmitido. Assim, para facilitar chamaremos este modelo de modelo tradicional de ensino. Entretanto o segundo modelo não tem nada de tradicional, é relativamente novo, e digo relativamente novo porque sua proposta teórica já vem de algumas décadas, seja em Paulo Freire (sempre vale a pena aprender mais sobre e com Paulo Freire, neste se quiser começar esse caminhada sugiro clicar aqui) já escrevendo sobre isto nos anos 60, ou em outras universidades europeias tentando pilotos de metologias inovadoras nos anos 70 e 80 mesmo que de forma incipiente. Mas vamos lá! As metodologias adotadas neste modelo são diversas, mas o que eles tem o comum são que neste modelo o aluno não pode ser mais passívo e o professor agora é re-significado e, é sobre isso que vamos começar a conversar neste post.

Para acalmar todos os professores que estiverem lendo este post, a primeira coisa que desejo reiterar aqui é quando digo que o professor é resinificado, não estou propondo que ele perde sua função chave no processo de ensino aprendizagem, mas dizendo que agora a sua função muda! Ou seja, no modelo tradicional de ensino a função do professor é caracterizada pela transmissão do conhecimento, o que implica também que a metologia utilizado pelo professor neste modelo visa o conteúdo que deve ser adquirido. Já este novo modelo educacional além do aluno não ser mais passivo no processo de ensino aprendizagem, as metodologias utilizadas neste modelo não apenas visa conteúdo a ser adquirido pelo aluno, visa também a formação de competências nesses alunos. Assim, neste modelo o professor não é mais um transmissor, mas um mediador! É isto que chamo de re-significação da função docente.

Portanto entendendo que o professor mesmo neste mo

delo educacional ainda é uma figura chave no processo de ensino aprendizagem, sugiro que temos que pensar em algumas questões, dentre elas:

1. O novo cenário: A Sociedade da Informação 

Os avanços tecnológicos impactaram todas as áreas da nossa sociedade, na maioria delas esses avanços são incorporados rapidamente, e por mais que algumas áreas sejam mais resistentes a incorporação destes avanços foto-tecnologia-e-sala-de-aulatecnológicos (como por exemplo: a própria educação) toda a nossa sociedade se encontra debaixo de um novo paradigma, a maioria dos teóricos denomina a nossa sociedade atual como A Sociedade da Informação.

E entender este novo cenário, seus impactos, suas demandas, sua cultural é imprescindível para que possamos pensar em como ensinar melhor! Como sermos professores melhores!!!

Mas bem, como a ideia neste post não é discorrer sobre este tema, encerro esse tópico sugerindo a leitura de um livro que trata deste assunto como nenhum outro (em minha opinião é claro!), o livro se chama A Sociedade da Informação do Manuel Castells, vale a pena!

2. A necessidade de novas metodologias

Na introdução deste post mencionei das duas fases/modelos educacionais existentes, as das diferenças metodológicas bases que cada um destes modelos implicam, mas não abordei o porque desta mudança. Na pretendo descrever essa necessidade de mudança detalhadamente, mas basicamente a mudança ocorre juntamente com o surgimento da Sociedade da Informação.

Neste contexto da Sociedade da Informação a metodologia para ensino e aprendizagem não pode ser simplesmente a mais comoda para a prática docente, mas deve ser uma metodologia centrada no aluno, ou seja, compreender quem é esse novo aluno, quais as suas necessidades e como este aprende melhor. Outro ponto interessante nessas novas metodologias é que elas fazem uso das novas TDICs, seja na construção de matérias didáticos adequados ou no aproveitamento das potencialidades que TDICs cria quando pensamos na virtualidade [sei que falar isto do nada parece estranho, por isso, recomendo a leitura de outro intitulado Tecnologias e Novos Espaços].

Apenas para oferecer alguns exemplos, segue abaixo algumas metodologias que atendem as essas questões:

a) Flipped Classroom
b) Blended Learning
c) Aprendizagem colaborativa
d) Aprendizagem ativa

E estes são apenas exemplos de metodologias que podem ser adotadas e que já estão sendo utilizadas em vários lugares por diversos professores. Mas outra alternativa é utilizar essas metodologias de forma conjugadas, apenas para exemplificar isso sugiro a leitura de um artigo nosso intitulado Metodologia Híbrida como alternativa à Metodologia Educacional Tradicional na Revista Artefactum aqui.

3. Mediação pedagógica: presencial e virtual

57565246_606x455Provavelmente falar em mediação pedagógica não seja uma novidade alguma para você que está lendo este post, mas o que precisamos entender é a proposta de mediação pedagógica proposta neste post, precisamos antes entender a ideia de mediação pedagógica. Afinal até o professor como transmissor do conhecimento está de fato exercendo um tipo de mediação, ou seja, mediando o conhecimento e o aluno para que estes se encontrem, dessas forma outras tecnologias (seja um livro ou blog) também oferecem este tipo de mediação.

Mas não é deste tipo de mediação que estou falando que os professores devem assumir como sua principal característica. Isto pois este tipo de mediação ela é unilateral e verticalizada nos seus métodos, ou seja, conhecimento -> professor -> aluno, caracterizando assim o que tenho chamado neste post de professor como “mero” transmissor do conhecimento. Enquanto a mediação proposta para a nossa atual Sociedade da Informação necessita de ser mais dinâmica! Digo isto, pois na Sociedade da Informação não cabe mais um aluno passivo na construção do conhecimento, mas este precisa ser ativo neste processo, é mais esse conhecimento e próprio processo necessita ser colaborativo, adaptativo entre outras coisas, ou seja a relação agora é bem mais complexa, algo como: aluno <-> conhecimento <-> professor <-> aluno <-> aluno <-> professor <-> aluno. Por isso, a função de mediação neste modelo é muito mais próxima a orientação, suporte e até mesmo a provocação para que aluno seja ativo, colaborativo e isto de forma adaptativa na construção do seu próprio conhecimento.

Além disto, é importante compreender que na Sociedade da Informação existem dois Espaços que sãos Espaço de Mediação Pedagógica e quem ambos são espaços que o professores precisam estar presentes! [Mais uma vez recomendo a leitura de outro intitulado Tecnologias e Novos Espaços].

4. Uma educação não apenas na construção de conhecimento, mas também de competências

Por último, o objetivo fim de qual proposta educacional na Sociedade da Informação não é apenas a transmissão e aquisição de conteúdos, mas a formação de competências. O conceito mais aceito de competência até o momento é expressado através da sigla CHA, ou seja, uma articulação de Conhecimento, Habilidades e Atitudes que tem por objetivo a aplicação e resolução de problemas. Bem, aqui a conversa é longa e trataremos mais sobre esse assunto em próximos post.

PORTANTO

O papel do professor mediador na Sociedade da Informação deve lançar mão de novas metodologias afim de não apenas transmitir conteúdos, mas de construir competências, ciente que todo processo de ensino aprendizagem tem sua mediação pedagógica ocorrendo seja no espaço presencial quanto virtual. E isso é só para começarmos a conversar (por mais que esse post tenha ficado mais longo do que a ideia inicial, hehe).

Sobre Ricardo Augusto da Silva 11 Artigos
Muito prazer, sou o Ricardo aluno do mestrado no programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação da Unicamp, onde pesquiso dentro do eixo Educação & Tecnologia. Também faço parte do Grupo de Pesquisa do LANTEC.

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