Abrindo as janelas da criatividade

Ao longo da carreira de todo professor existe uma busca constante em relação ao aprendizado de seus alunos. Especificamente, “o que é fundamental para que uma pessoa aprenda?”.

Qual a condição necessária e suficiente para APRENDER?

Por um desses acasos do destino, desde o início das minhas atividades profissionais, já possuía uma hipótese a esse respeito. Desse modo, pude colocar  essas ideias exaustivamente a prova, revelando grande assertividade quanto ao resultado.

Confesso que em muitos momentos pensei em desenvolver um estudo teórico e minucioso sobre o assunto. Criar um grupo de controle, coletar dados, pesquisar bibliografia…enfim, um trabalho acadêmico completo como manda o figurino. No entanto, acabei sendo arrastado pelas prioridades dos resultados práticos, seja das provas que meus alunos enfrentariam ou pelos limites que a datas impunham para os projetos.

Tudo começou com um convite

Aos dezesseis anos de idade encontrei um conhecido da família, enquanto voltava da escola, que inusitadamente ofereceu uma aula particular de Matemática em seu lugar. Inicialmente não entendi o convite e logo fui anunciando minhas boas notas nessa disciplina, e que praticamente não tinha dúvidas naquele momento.

Como assim, PROFESSOR?

A grande surpresa aconteceu quando ele revelou que, na verdade, tratava-se de um convite para que eu fosse o professor!  Alegou que justamente por saber dos meus bons resultados na disciplina estava fazendo o convite.

 

Como ele foi muito convincente nos argumentos, principalmente ao falar sobre o valor que receberia pela aula, aceitei o convite prontamente.  Fiz questão de explicar minha inexperiência como professor, além de confessar a total insegurança em relação a situação.

Interrompendo minha fala, foi logo explicando que apesar de ele não ser um expert, sempre obteve sucesso no trabalho. Entendi, posteriormente, que se referia a capacitar o aluno para vencer as avaliações. Naquele momento seus argumentos foram suficientes para dar um ponto final para as minhas inseguranças e tocar o projeto adiante.

Os segredos do sucesso

Foi então que ele, sem nenhuma cerimônia, lançou os seus dois segredos: “Primeiramente, sempre passe muita lição de casa e, na aula seguinte, corrija minunciosamente a tarefa”. Caso o aluno tenha dúvidas, retome o assunto através do próprio livro e reestude com ele.

Muita tarefa e correção na aula seguinte!

Fiquei aguardando por mais detalhes, pois não estava acreditando que era somente isso, mas definitivamente, minha primeira incursão na didática havia acabado. Foi frustrante, pois imaginei uma bibliografia ou no mínimo um texto base. Assim, em síntese, a aula consistia em fazer o aluno trabalhar nos problemas sem fornecer a resposta pronta. Meu papel seria o de encaminhá-lo na busca das soluções, ou seja, desenvolver a capacidade para enfrentar os problemas propostos.

Naquele momento a minha experiência pedagógica era nula, mas confesso que desconfiei muito dessa solução extremamente simples. Meu modelo de aula consistia no professor apresentando a teoria, seguida dos exercícios e lição de casa ao final. De toda forma, ao contrário do sugerido, acabei me preparando muito para minha primeira experiência como professor de Matemática.

A inesquecível Primeira Aula

Minha aluna havia perdido algumas aulas na escola e, portanto, precisava repor alguns conteúdos. Me senti aliviado por ter preparado adequadamente a teoria, mas ao final da minha eloquente explanação, obedeci religiosamente ao conselho de meu tutor, prescrevendo uma quantidade generosa de tarefa.

O desafio da primeira aula.

A aula seguinte se desenvolveu através das dúvidas que surgiram na maioria dos problemas propostos como tarefa. Constatei que os conceitos que eu explicara com tanto cuidado e preparo, na primeira aula, foram absolutamente esquecidos. Depois da rápida frustração, em relação ao resultado da primeira apresentação, decidi retornar aos conselhos do meu amigo. Fiz um grande esforço para não responder imediatamente as dúvidas enquanto encaminhava minha aluna na busca das soluções para os problemas.

O sucesso das aulas, utilizando as simples estratégias, foi tão espetacular que surgiram muitos outros alunos. Meu entusiasmo com esses resultados foi tamanho que acabei direcionando minha carreira nesse sentido. Minha identificação com a atividade foi tamanha que, mesmo após começar oficialmente em escolas, continuei com minhas aulas particulares.

Desenvolvimento da Autonomia e Criatividade

Uma consequência importante na execução da tarefa é o desenvolvimento da autonomia do aluno, pois a aprendizagem fica totalmente ao seu encargo. Isso não significa que a explicação do professor seja desnecessária, ao contrário, ela é fundamental ao “provocar o raciocínio” do aluno.

Justamente essa capacidade para encontrar uma solução própria, em lugar da decoreba, é o que também possibilita o desenvolvimento da criatividade. Portanto, esse “provocar o raciocínio” além de ter um papel importante para autonomia acaba abrindo as janelas para a criatividade.

Foco no Aprendizado

Compreendi, através daquelas ideias simples, que o foco no aprendizado significava trabalhar com o aluno e não somente o conteúdo a ser apresentado. Portanto, naquele início de carreira, já havia incorporado uma promissora ferramenta para o sucesso das aulas.  A utilização da dúvida como ponto de partida da aprendizagem e o cultivo, nos alunos, do prazer em encontrar a própria solução.

Condição necessária e suficiente para aprender

Um quesito final para que a tática funcione é a relação entre o professor e aluno. O educador deve ser capaz de manter sua atitude empática, colocando-se no lugar do aluno, a todo desafio lançado. É por meio dela que consegue dosar adequadamente o grau de dificuldade das situações propostas. A empatia funciona como um termostato que regula a temperatura dos desafios colocados para os alunos.  A regulação correta deve estabelecer um sentimento de capacidade e vontade para um enfrentamento adequado frente as dificuldades.

Resumidamente, depois de tanto tempo utilizando essa estratégia das tarefas, foi possível concluir que: “A condição necessária e suficiente para que uma pessoa aprenda é aquilo que ela pensa e sente enquanto aprende”.

Foi uma constatação simples, mas utilizada até hoje em todos os trabalhos que realizo. Além dela, não poderia deixar de citar o desenvolvimento da Autonomia no Raciocínio como objetivo geral de todos eles.

No próximo texto pretendo continuar o assunto discorrendo sobre o segundo conselho do meu amigo: Corrigir minunciosamente a tarefade casa”.

Até lá…..

Canal:http://youtube.com/c/sadaomoriOprofessor -
CEO da empresa Sinapsys - Projetos Educacionais, dentre eles: “O Professor” e “Vestibulando Digital” TV Cultura; Revista “Lego Zoom - Projetos de Robótica Educacional” Lego - Divisão Educacional Brasil; “Manual do Franjinha” – Mauricio de Sousa Produções; “Vingança do Professor”- primeiro game educacional do Brasil.

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