{"id":134,"date":"2009-10-28T09:31:00","date_gmt":"2009-10-28T12:31:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/balamagica\/2009\/10\/o-que-o-fullereno-tem-de-tao-especial\/"},"modified":"2009-10-28T09:31:00","modified_gmt":"2009-10-28T12:31:00","slug":"o-que-o-fullereno-tem-de-tao-especial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/balamagica\/2009\/10\/28\/o-que-o-fullereno-tem-de-tao-especial\/","title":{"rendered":"O que o fullereno tem de t\u00e3o especial"},"content":{"rendered":"<div align=\"justify\">Como <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/bala_magica\/2009\/10\/grandes-personalidades-da-nanociencia-e-nanotecnologia-richard-smalley.php\">j\u00e1 citado aqui <\/a>nesse blog, o fullereno ganhou o t\u00edtulo de mol\u00e9cula do ano de 1991, da revista Science. Para uma mol\u00e9cula, \u00e9 t\u00e3o impactante quanto \u00e9 para uma pessoa sair na capa da Newsweek e ser considerada personalidade do ano!<\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\">Mas o que \u00e9 que o fullereno tem?<\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\">Sinais de uma mol\u00e9cula com 60 carbonos j\u00e1 haviam sido detectados fora da Terra na d\u00e9cada de 1980. Sua organiza\u00e7\u00e3o estrutural (ou seja, como os \u00e1tomos se conectam entre si) era um mist\u00e9rio para todos. Como cargas d&#8217;\u00e1gua poderia existir na natureza uma mol\u00e9cula com 60 \u00e1tomos de carbono e nada mais? Como os \u00e1tomos se ligariam? \u00c9 a\u00ed que a hist\u00f3ria toma um rumo inusitado. A inspira\u00e7\u00e3o que forneceu essa resposta n\u00e3o estava nos laborat\u00f3rios, mas sim na arquitetura! <\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\">Richard Buckminster (&#8220;Bucky&#8221;) Fuller (1895 &#8211; 1983) foi um arquiteto americano que se destacou por propor estruturas chamadas c\u00fapulas geod\u00e9sicas, que s\u00e3o estruturas ao mesmo tempo muito leves e muito resistentes. A forma como elas s\u00e3o constru\u00eddas permite que grandes espa\u00e7os sejam cobertos sem a necessidade de suportes internos, como colunas. Uma dessas c\u00fapulas foi constru\u00edda para a Exposi\u00e7\u00e3o Internacional de Montreal de 1967 (EXPO 67). O qu\u00edmico Harold Kroto havia passeado por baixo dela na \u00e9poca com sua fam\u00edlia e havia ficado fascinado com o <em>design <\/em>dessas c\u00fapulas. <\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"width:250px;cursor:hand;height:188px;text-align:center;margin:0 auto 10px\" alt=\"\" src=\"http:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/thumb\/8\/8c\/Biosph%C3%A8re_Montr%C3%A9al.jpg\/250px-Biosph%C3%A8re_Montr%C3%A9al.jpg\" border=\"0\" \/> <\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-size:78%\">Imagem de uma c\u00fapula geod\u00e9sica (fonte <\/span><a href=\"http:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/thumb\/8\/8c\/Biosph\u00c3\u00a8re_Montr\u00c3\u00a9al.jpg\/250px-Biosph\u00c3\u00a8re_Montr\u00c3\u00a9al.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><span style=\"font-size:78%\">aqui<\/span><\/a><span style=\"font-size:78%\">)<\/span><\/p>\n<div align=\"justify\">Veja como \u00e9 a vida: uns quinze anos depois, com um intrincado quebra-cabe\u00e7a da natureza em mente <span style=\"color:#006600\">&#8211; como 60 carbonos podem formar uma mol\u00e9cula? &#8211;<\/span>, Harold Kroto e demais membros da equipe de pesquisadores que estudavam o assunto, como James Heath, Sean O&#8217;Brien, Robert Curl e Richard Smalley, tiveram um <em>insight<\/em>! E se essa mol\u00e9cula com 60 \u00e1tomos de carbono estivesse organizada como uma c\u00fapula geod\u00e9sica de Buckminster Fuller? Isso explicaria muita coisa! E, de fato, \u00e9 assim que essas mol\u00e9culas se organizam e \u00e9 devido a isso que elas foram batizadas de <em>fullerenos<\/em>, ou <em>buckybolas<\/em> &#8211; uma singela homenagem do mundo da f\u00edsica a uma grande figura do design arquitet\u00f4nico.<\/div>\n<p><\/p>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\">Nas c\u00fapulas geod\u00e9sicas, uma s\u00e9rie de tri\u00e2ngulos formam pent\u00e1gonos e hex\u00e1gonos, que s\u00e3o a chave para obter formas esf\u00e9ricas a partir de um objeto de faces planas. A forma mais esf\u00e9rica poss\u00edvel usando esse princ\u00edpio \u00e9 obtida com 12 pent\u00e1gonos e 20 hex\u00e1gonos <em>(a base matem\u00e1tica das c\u00fapulas geod\u00e9sicas pode ser compreendida a partir de dois famosos teoremas: o teorema de Euler e o teorema de Descartes)<\/em>. Mas porque esferas? Na natureza, tudo tende ao estado de menor energia. A geometria esf\u00e9rica \u00e9 preferida porque \u00e9 menos energ\u00e9tica que as outras formas geom\u00e9tricas, tais como quadrados e tri\u00e2ngulos <em>(\u00e9 por isso, p. ex., que as gotinhas de \u00e1gua na superf\u00edcie das folhas s\u00e3o esf\u00e9ricas, e n\u00e3o quadradas ou triangulares)<\/em>. <\/div>\n<p><\/p>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\">Depois de saber de tudo isso, \u00e9 f\u00e1cil perceber que n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que os 60 \u00e1tomos de carbono de um fullereno se organizam como 12 pent\u00e1gonos e 20 hex\u00e1gonos (tal qual uma bola de futebol!). Essa &#8220;arquitetura&#8221; do fullereno confere a ele alta resist\u00eancia conjugada com alta leveza &#8211; eis um dos motivos que torna essa mol\u00e9cula t\u00e3o interessante. E n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 eles que se organizam de tal forma &#8230; v\u00edrus e <em>quasi<\/em>-cristais tamb\u00e9m apresentam uma arquitetura semelhante \u00e0 das c\u00fapulas geod\u00e9sicas de Buckminster Fuller.<\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\">No in\u00edcio dos anos 1990, o grupo de Richard Smalley, do qual Harold Kroto fazia parte, conseguiu obter formas est\u00e1veis de fullereno em laborat\u00f3rio. Desde ent\u00e3o, o estudo dos fullerenos e suas aplica\u00e7\u00f5es vem ganhando cada vez mais espa\u00e7o em \u00e1reas t\u00e3o d\u00edspares quanto a aeron\u00e1utica e a terapia fotodin\u00e2mica contra o c\u00e2ncer. Compostos semelhantes foram produzidos com n\u00famero de carbonos diferente de 60, e <strong>fullereno <\/strong>acabou se tornando a designa\u00e7\u00e3o de toda essa fam\u00edlia de compostos, e n\u00e3o apenas da mol\u00e9cula com 60 \u00e1tomos de carbono.<\/div>\n<p><\/p>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<p><\/p>\n<div align=\"justify\"><em><span style=\"color:#ff6600\">Para quem quiser saber mais sobre fullerenos e nanotubos de carbono, \u00e9 s\u00f3 acessar o <\/span><\/em><a href=\"http:\/\/www.fisica.ufc.br\/redenano\/capaz.pdf\"><em><strong><span style=\"color:#000066\">link<\/span><\/strong><\/em><\/a><em><span style=\"color:#ff6600\"> de um artigo interessante publicado na Ci\u00eancia Hoje, de autoria de Rodrigo B. capaz e H\u00e9lio Chacham.<\/span><\/em><\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como j\u00e1 citado aqui nesse blog, o fullereno ganhou o t\u00edtulo de mol\u00e9cula do ano de 1991, da revista Science. 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