{"id":160,"date":"2009-12-19T11:31:29","date_gmt":"2009-12-19T14:31:29","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/balamagica\/2009\/12\/a_teoria_do_caos_e_o_que_voce\/"},"modified":"2009-12-19T11:31:29","modified_gmt":"2009-12-19T14:31:29","slug":"a_teoria_do_caos_e_o_que_voce","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/balamagica\/2009\/12\/19\/a_teoria_do_caos_e_o_que_voce\/","title":{"rendered":"A teoria do caos e o que voc\u00ea tem a ver com isso"},"content":{"rendered":"<div align=\"justify\">Voc\u00ea est\u00e1 cansado depois de um dia exaustivo de trabalho, mas ainda n\u00e3o est\u00e1 na hora de ir para casa. A\u00ed voc\u00ea pega um l\u00e1pis e come\u00e7a a brincar com ele, para distrair. Coloca o l\u00e1pis em cima da mesa e d\u00e1 um peteleco. O l\u00e1pis <span style=\"color:#ff6600\">se move at\u00e9 uma nova regi\u00e3o da mesa<\/span>, <span style=\"color:#3333ff\">fica oscilando<\/span> um pouco e <span style=\"color:#C71585\">para<\/span>. Pode n\u00e3o parecer, mas h\u00e1 uma teoria muito interessante que explica tudo o que aconteceu com esse l\u00e1pis. Pode-se dizer que o l\u00e1pis parado est\u00e1 em <span style=\"font-size:105%\"><strong><em><u>equil\u00edbrio termodin\u00e2mico<\/u><\/em><\/strong><\/span> e o l\u00e1pis em movimento est\u00e1 <span style=\"font-size:105%\"><strong><em><u>fora do equil\u00edbrio<\/u><\/em><\/strong><\/span>. Equil\u00edbrio \u00e9 um estado do sistema (que nesse caso \u00e9 sua mesa contendo o l\u00e1pis) onde n\u00e3o se observam mudan\u00e7as ao longo do tempo &#8211; um l\u00e1pis parado est\u00e1 sempre no mesmo lugar, do mesmo jeito. Logicamente, estados fora do equil\u00edbrio mudam ao longo do tempo. O interessante \u00e9 que esses estados fora do equil\u00edbrio podem ser divididos em dois grupos. Observe que quando voc\u00ea d\u00e1 o peteleco no l\u00e1pis, ocorrem duas situa\u00e7\u00f5es diferentes em sequ\u00eancia: primeiro ele muda de posi\u00e7\u00e3o at\u00e9 chegar a uma nova regi\u00e3o da mesa, depois ele fica oscilando at\u00e9 chegar no seu estado de equil\u00edbrio. A primeira situa\u00e7\u00e3o corresponde a um estado <span style=\"color:#ff6600\">longe do equil\u00edbrio<\/span>, e a segunda situa\u00e7\u00e3o \u00e9 um estado <span style=\"color:#3333ff\">pr\u00f3ximo do equil\u00edbrio<\/span>. O peteleco que voc\u00ea deu nada mais \u00e9 que uma for\u00e7a externa atuando no seu l\u00e1pis, o que acaba causando sua movimenta\u00e7\u00e3o. A mudan\u00e7a gerada por essa for\u00e7a \u00e9 uma <strong><span style=\"color:#6600cc\">flutua\u00e7\u00e3o <\/span><\/strong>em rela\u00e7\u00e3o ao estado de equil\u00edbrio. Onde quero chegar com tudo isso? Elementar, meu caro Watson. O mundo em que vivemos n\u00e3o est\u00e1 em equil\u00edbrio termodin\u00e2mico.<br \/>\n<br \/><\/br><br \/>\n<span style=\"color:#3333ff\">Perto do equil\u00edbrio<\/span>, as <span style=\"color:#6600cc\">flutua\u00e7\u00f5es<\/span> (lembra do peteleco no l\u00e1pis?) tendem a se tornar cada vez menores conforme o tempo passa. Nesse caso, a resposta do sistema a uma mudan\u00e7a \u00e9 diretamente proporcional \u00e0 sua intensidade. Por\u00e9m, <span style=\"color:#ff6600\">longe do equil\u00edbrio<\/span>, as <span style=\"color:#6600cc\">flutua\u00e7\u00f5es <\/span>tendem a se tornar cada vez maiores e o sistema evolui para um novo estado entre numerosos poss\u00edveis. Aqui, a resposta n\u00e3o \u00e9 mais necessariamente proporcional \u00e0 intensidade da mudan\u00e7a e n\u00e3o se pode ter certeza de como exatamente o sistema ir\u00e1 evoluir. Pequenas causas podem gerar grandes efeitos. \u00c9 por isso que sistemas longe do equil\u00edbrio s\u00f3 podem ser explicados a partir de probabilidades &#8211; a\u00ed est\u00e1 a famosa <strong>teoria do caos<\/strong>. Grande parte do que observamos no universo est\u00e1 longe do equil\u00edbrio.<br \/>\n<br \/><\/br><br \/>\nOs novos estados que o sistema <span style=\"color:#ff6600\">longe do equil\u00edbrio<\/span> atinge podem ser bastante organizados, formando o que os f\u00edsicos chamam de <em><span style=\"color:#cc0000\">estruturas dissipativas<\/span><\/em>.  Dessa forma, fica f\u00e1cil entender que as <span style=\"color:#6600cc\">flutua\u00e7\u00f5es<\/span> (ainda lembra da hist\u00f3ria do l\u00e1pis?) de um sistema inst\u00e1vel s\u00e3o capazes de gerar ordem. \u00c9 por isso que eu, voc\u00ea, este computador, as nuvens do c\u00e9u (e claro, n\u00e9&#8230;, as nanopart\u00edculas) existem. Eis, caro leitor, o que a teoria do caos tem a ver com voc\u00ea: o ser humano, em toda sua complexidade, \u00e9 um belo exemplo de <span style=\"color:#cc0000\"><em>estruturas dissipativas<\/em><\/span><strong>*<\/strong> oriundas de flutua\u00e7\u00f5es &#8211; que iniciaram nos prim\u00f3rdios da vida na Terra.<br \/>\n<br \/><\/br><br \/>\n<strong>*<\/strong><em><span style=\"color:#cc0000\">estruturas dissipativas<\/span><\/em> &#8211; assim mesmo, no plural, porque o ser humano \u00e9 mais que (apenas) uma estrutura dissipativa.<\/div>\n<div align=\"justify\"> <\/div>\n<p><\/br><\/p>\n<div align=\"justify\"><strong><span style=\"font-size:98%\">Agradecimento ao Prof. <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/2875419945975548\">Paulo Netz<\/a>, pelas contribui\u00e7\u00f5es e pela leitura cr\u00edtica desse texto.<br \/>\n<\/span><\/strong><br \/>\n<br \/><\/br><br \/>\n<span style=\"color:#000066\"><span style=\"font-size:110%\"><em><strong>O pai da ideia &#8230;.<\/strong><br \/>\n<\/em><\/span><br \/>\n<strong><a href=\"http:\/\/nobelprize.org\/nobel_prizes\/chemistry\/laureates\/1977\/prigogine-lecture.html\">Ilya Prigogine<\/a><\/strong> ganhou o Pr\u00eamio Nobel em Qu\u00edmica de 1977 pelos seus estudos sobre termodin\u00e2mica fora do equil\u00edbrio e por propor a teoria das <em>estruturas dissipativas<\/em>. As informa\u00e7\u00f5es desse post foram baseadas principalmente no seu livro <strong>&#8220;<a href=\"http:\/\/www.livrariadafisica.com.br\/detalhe_produto.aspx?id=20077\">Termodin\u00e2mica: dos motores t\u00e9rmicos \u00e0s estruturas dissipativas<\/a>&#8220;<\/strong>, que utilizei como fonte de estudo ao longo desse semestre na disciplina de F\u00edsico-Qu\u00edmica Avan\u00e7ada (a qual foi, sem d\u00favida, a maior li\u00e7\u00e3o de humildade que tive at\u00e9 o momento neste meu doutorado em qu\u00edmica).<br \/>\n<\/span> <\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea est\u00e1 cansado depois de um dia exaustivo de trabalho, mas ainda n\u00e3o est\u00e1 na hora de ir para casa. A\u00ed voc\u00ea pega um l\u00e1pis e come\u00e7a a brincar com ele, para distrair. Coloca o l\u00e1pis em cima da mesa e d\u00e1 um peteleco. 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