{"id":182,"date":"2010-03-08T08:03:59","date_gmt":"2010-03-08T11:03:59","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/balamagica\/2010\/03\/feiura_beleza_e_gratidao\/"},"modified":"2010-03-08T08:03:59","modified_gmt":"2010-03-08T11:03:59","slug":"feiura_beleza_e_gratidao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/balamagica\/2010\/03\/08\/feiura_beleza_e_gratidao\/","title":{"rendered":"Fei\u00fara, beleza e gratid\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div align=\"justify\">H\u00e1 um tempo li (ou melhor, me deleitei com) Ensaio sobre a Fei\u00fara, do italiano Umberto Eco. \u00c9 curioso pensar que o bizarro e o feio podem ser fascinantes. E acaba sendo inevit\u00e1vel concluir que a beleza e o prazer que ela evoca podem ser encontrados nos lugares mais improv\u00e1veis. Talvez soe estranho ao leitor leigo, mas h\u00e1 muita beleza na vida de um cientista &#8211; mesmo em equa\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas intrincadas, seres vivos repulsivos e rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas fedorentas. \u00c0s vezes, colegas de laborat\u00f3rio comentam comigo sobre alguns de seus resultados e as conclus\u00f5es obtidas a partir deles. Quando todos os dados se encaixam harmoniosamente numa teoria, n\u00e3o consigo evitar que escape um &#8220;<em>&#8211; puxa, que bonito&#8230;<\/em>&#8220;. A fascina\u00e7\u00e3o causada por uma descoberta cient\u00edfica, por menor que seja, deve ser muito semelhante ao prazer de descobrir o mundo, t\u00edpico de uma crian\u00e7a nos seus primeiros anos de vida. Sem d\u00favida, isso \u00e9 um privil\u00e9gio.<br \/>\nSe eu tivesse nascido algumas gera\u00e7\u00f5es atr\u00e1s, participar do mundo acad\u00eamico seria um sonho praticamente imposs\u00edvel de ser realizado. Por isso, nesse <u>Dia Internacional da Mulher<\/u>, eu gostaria de agradecer \u00e0quelas mulheres que, direta ou indiretamente, contribu\u00edram para que eu e tantas outras pud\u00e9ssemos trilhar esse caminho, sejam elas famosas e reconhecidas como Marie Curie, injusti\u00e7adas (ainda!) como Rosalind Franklin, brasileiras de cora\u00e7\u00e3o como <a href=\"http:\/\/ciencianamidia.wordpress.com\/2009\/09\/10\/funcionario-do-mes-johanna-dobereiner\/\">Johanna D\u00f6bereiner<\/a> ou aquelas tantas an\u00f4nimas ao redor do mundo que fazem a diferen\u00e7a onde est\u00e3o. Entre elas, Denise Sain Poletto, minha m\u00e3e, que me ensinou que mulheres s\u00e3o t\u00e3o capazes quanto homens (nunca acredite quando disserem o contr\u00e1rio para voc\u00ea). Porque, <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/bala_magica\/2009\/06\/a-participacao-das-mulheres-na-ciencia-brasileira.php\">como j\u00e1 citei antes aqui neste blog<\/a>, &#8220;mulher \u00e9 desdobr\u00e1vel&#8221;. <strong>N\u00f3s somos<\/strong>.\n<\/div>\n<div align=\"center\"><em>&#8220;A obje\u00e7\u00e3o que eu fazia a mim mesma era n\u00e3o ser o ensino profiss\u00e3o de mulher, que ela deve permanecer calada, escutar e aprender, sem demonstrar o que sabe, que publicar uma obra est\u00e1 por cima de sua condi\u00e7\u00e3o; que habitualmente isso n\u00e3o contribui \u00e0 sua<br \/>\nboa reputa\u00e7\u00e3o, pois os homens desprezam e desaprovam sempre o produto da mente feminina&#8230; Estava persuadida, por outro lado, de n\u00e3o ser a primeira a p\u00f4r alguma coisa no prelo, que a mente n\u00e3o tem sexo, que se a das mulheres fosse cultivada como a dos homens e se se empregassem tanto tempo e meios em instru\u00ed-las poderiam igual\u00e1-los.&#8221;<br \/>\n<\/em><br \/>\n<strong>Marie Meurdrac <\/strong>(qu\u00edmica francesa do s\u00e9culo XVII, ao contar sobre as d\u00favidas e ang\u00fastias que precederam a decis\u00e3o de publicar seus achados cient\u00edficos &#8211; os primeiros escritos por uma qu\u00edmica mulher na hist\u00f3ria)<br \/>\n(O texto em it\u00e1lico \u00e9 uma tradu\u00e7\u00e3o feita por Lucia Tosi. O conte\u00fado completo pode ser encontrado <a href=\"http:\/\/www.maismulheresnopoderbrasil.com.br\/pdf\/Sociedade\/Mulher_e_Ciencia_A_Revolucao_Cientifica_a_Caca_as_Bruxas_e_a_Ciencia.pdf\">aqui<\/a>)\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 um tempo li (ou melhor, me deleitei com) Ensaio sobre a Fei\u00fara, do italiano Umberto Eco. \u00c9 curioso pensar que o bizarro e o feio podem ser fascinantes. E acaba sendo inevit\u00e1vel concluir que a beleza e o prazer que ela evoca podem ser encontrados nos lugares mais improv\u00e1veis. 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