{"id":207,"date":"2010-07-10T15:04:12","date_gmt":"2010-07-10T18:04:12","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/balamagica\/2010\/07\/da_arte_classica_a_arte_quanti_1\/"},"modified":"2010-07-10T15:04:12","modified_gmt":"2010-07-10T18:04:12","slug":"da_arte_classica_a_arte_quanti_1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/balamagica\/2010\/07\/10\/da_arte_classica_a_arte_quanti_1\/","title":{"rendered":"Da arte cl\u00e1ssica \u00e0 arte qu\u00e2ntica"},"content":{"rendered":"<div align=\"justify\">\nLevante a m\u00e3o a\u00ed quem nunca recebeu um spam sobre f\u00edsica qu\u00e2ntica, <i>a la<\/i> &#8220;Quem somos n\u00f3s&#8221;. Pois \u00e9, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 nanotecnologia que est\u00e1 na moda, f\u00edsica qu\u00e2ntica tamb\u00e9m est\u00e1. Conceitos dif\u00edceis, como o <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Princ%C3%ADpio_da_incerteza_de_Heisenberg\">princ\u00edpio da incerteza de Heisenberg<\/a>, s\u00e3o falaciosamente deturpados para convencer o leitor de que ele \u00e9 capaz de modificar o universo &#8211; nada mais \u00f3bvio, n\u00e3o? Se o observador influencia o objeto observado, e estamos todos inseridos no Universo, influenciamos o Universo! Sem entrar no m\u00e9rito se influenciamos ou n\u00e3o o Universo (ou pelo menos o quanto nosso quarto permanece arrumado ao longo de uma semana), \u00e9 uma tremenda sacanagem usar o princ\u00edpio da incerteza como base para essa argumenta\u00e7\u00e3o, porque o princ\u00edpio da incerteza \u00e9 v\u00e1lido para dimens\u00f5es no m\u00e1ximo da ordem de alguns poucos nanometros (e olhe l\u00e1&#8230;)!! Levante a m\u00e3o a\u00ed quem tem um tamanho total menor que alguns nanometros <em>(update 10-07-2010, vide coment\u00e1rio 2)<\/em> <em><strong>e est\u00e1 pr\u00f3ximo do zero absoluto<\/strong><\/em>.<br \/>\nPois bem, essa digress\u00e3o feroz foi s\u00f3 uma digress\u00e3o, mesmo. O que queria mostrar a voc\u00ea hoje \u00e9 o uso n\u00e3o-falacioso do termo qu\u00e2ntico ligado a algo que enleva o esp\u00edrito: <b>a arte<\/b>. Sim, <u>arte qu\u00e2ntica<\/u>. Em 2007, Ee Jin Teo (National University of Singapore) criou uma r\u00e9plica fotoluminescente 500 x 500 micrometros do quadro <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/The_Ancient_of_Days\"> &#8220;The Ancient of Days&#8221;<\/a>, de William Blake. A &#8220;tela&#8221; consistiu de sil\u00edcio poroso, e o &#8220;pincel&#8221; foi um feixe de helio, com subsequente impress\u00e3o eletroqu\u00edmica em \u00e1cido fluor\u00eddrico. Devido ao <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Potential_well\">efeito de confinamento qu\u00e2ntico<\/a>, emiss\u00e3o de luz vis\u00edvel \u00e9 observada a partir do esqueleto de sil\u00edcio de dimens\u00e3o nanom\u00e9trica criado ap\u00f3s a impress\u00e3o. A pr\u00e9-irradia\u00e7\u00e3o com um feixe de h\u00e9lio \u00e9 capaz de mudar a resistividade local do sil\u00edcio e o comprimento de onda de emiss\u00e3o da luz do sil\u00edcio poroso formado. Quanto maior a dose do feixe, mais para o vermelho o comprimento de onda da fotoluminesc\u00eancia \u00e9 deslocado dentro do espectro de luz (que na faixa do vis\u00edvel vai do azul arroxeado, passando pelo verde, amarelo, laranja, at\u00e9 o vermelho). Alt\u00edssimas doses deslocam tanto o comprimento de onda que ele sai da faixa do vis\u00edvel, resultando nas partes da imagem que percebemos como preto. A obra de arte qu\u00e2ntica rendeu a Teo o primeiro lugar no pr\u00eamio de 2007 &#8220;Science as Art&#8221;, da <a href=\"http:\/\/www.mrs.org\/s_mrs\/index.asp\">MRS<\/a>, empatado com outras obras tamb\u00e9m sensacionais (uma delas j\u00e1 apresentada <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/bala_magica\/2009\/09\/uma-fria-manha-de-inverno.php\">aqui<\/a>).\n<\/div>\n<div align=\"center\">\n<a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/balamagica\/files\/2011\/08\/ancient%20of%20days.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" alt=\"ancient of days.jpg\" src=\"http:\/\/174.143.250.21\/bala_magica\/assets_c\/2010\/07\/ancient of days-thumb-1019x698-52820.jpg\" width=\"463.18\" height=\"317.27\" class=\"mt-image-none\" \/><\/a>\n<\/div>\n<div align=\"justify\">\n<i>PS.: de acordo com o princ\u00edpio da incerteza, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel determinar ao mesmo tempo, com alto grau de precis\u00e3o, a posi\u00e7\u00e3o e o <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Momento_(f%C3%ADsica)\">momento <\/a> de uma part\u00edcula porque, para observa-la, \u00e9 preciso fazer incidir sobre ela um raio de luz. Esse raio de luz afeta a part\u00edcula: 1) se ele for pouco energ\u00e9tico (com comprimento de onda longo), perturbar\u00e1 menos a part\u00edcula e conseguiremos determinar sua velocidade, mas n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel determinar a sua posi\u00e7\u00e3o com precis\u00e3o maior do que a dist\u00e2ncia entre cristas de onda sucessivas; 2) se o raio de luz for muito energ\u00e9tico (com comprimento de onda curto), ser\u00e1 poss\u00edvel determinar a posi\u00e7\u00e3o da part\u00edcula com maior precis\u00e3o, mas isso afetar\u00e1 bastante sua velocidade.<\/i><br \/>\noutro PS.: 500 micrometros \u00e9 o mesmo que meio mil\u00edmetro.\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Levante a m\u00e3o a\u00ed quem nunca recebeu um spam sobre f\u00edsica qu\u00e2ntica, a la &#8220;Quem somos n\u00f3s&#8221;. Pois \u00e9, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 nanotecnologia que est\u00e1 na moda, f\u00edsica qu\u00e2ntica tamb\u00e9m est\u00e1. Conceitos dif\u00edceis, como o princ\u00edpio da incerteza de Heisenberg, s\u00e3o falaciosamente deturpados para convencer o leitor de que ele \u00e9 capaz de modificar o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":501,"featured_media":208,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[18,20,22],"tags":[],"class_list":["post-207","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-imagens-artisticas","category-luminescencia","category-microscopia-eletronica"],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/balamagica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/207","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/balamagica\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/balamagica\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/balamagica\/wp-json\/wp\/v2\/users\/501"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/balamagica\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=207"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/balamagica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/207\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/balamagica\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=207"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/balamagica\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=207"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/balamagica\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=207"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}