{"id":216,"date":"2010-10-31T23:13:43","date_gmt":"2010-11-01T02:13:43","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/balamagica\/2010\/10\/sobre_o_ix_encontro_da_sbpmat\/"},"modified":"2010-10-31T23:13:43","modified_gmt":"2010-11-01T02:13:43","slug":"sobre_o_ix_encontro_da_sbpmat","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/balamagica\/2010\/10\/31\/sobre_o_ix_encontro_da_sbpmat\/","title":{"rendered":"Sobre o IX Encontro da SBPMat e o ouro colonial"},"content":{"rendered":"<div align=\"justify\">\n<blockquote><p><i>Redigido em 28\/10\/2010, a uns 10 000 p\u00e9s de altitude<\/i><\/p><\/blockquote>\n<p>&#8220;No momento em que estou escrevendo essas linhas, caro leitor, estou saindo de um mergulho ao passado. Mais exatamente, \u00e0 Vila Rica das Minas Gerais do s\u00e9c. XVIII. Acabei de embarcar em um avi\u00e3o que partiu de Belo Horizonte, com destino a Porto Alegre. Nesses \u00faltimos dias, participei do IX Encontro da <a href=\"http:\/\/www.sbpmat.org.br\/\">Sociedade Brasileira de Pesquisa em Materiais <\/a>(SBPMat), que ocorreu em <a href=\"http:\/\/www.ouropreto.org.br\/\">Ouro Preto\/MG<\/a>. Nunca tinha estado em Minas, e fiquei encantada com o que vi. As cidades s\u00e3o lindas, o povo \u00e9 absurdamente am\u00e1vel e o estado todo guarda um valioso patrim\u00f4nio hist\u00f3rico. Sem contar que o sotaque mineiro \u00e9 delicioso de ouvir (como j\u00e1 mencionei <a href=\"http:\/\/twitter.com\/#!\/balamagica\/status\/20436718390\">no twitter<\/a>, eu n\u00e3o tenho sotaque, quem tem sotaque s\u00e3o os outros&#8230;.). No entanto, embora eu tenha mergulhado ao passado, a palavra que ressoou nos \u00faltimos dias nesse lugar foi inova\u00e7\u00e3o.<br \/>\nComo diria <a href=\"http:\/\/twitter.com\/kenmori\">Kentaro Mori<\/a>, quais seriam os <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/100nexos\/\">nexos<\/a>?<br \/>\nQuem j\u00e1 esteve em Ouro Preto h\u00e1 de concordar que \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o se maravilhar com as belezas locais. E tamb\u00e9m \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o se sentir arrasado ao tomar consci\u00eancia do trabalho escravo envolvido na constru\u00e7\u00e3o do que foi um dos grandes p\u00f3los econ\u00f4micos do Brasil colonial. O ouro brasileiro sustentou Portugal, que por sua vez, financiou o desenvolvimento e crescimento da manufatura em larga escala na Inglaterra, e com isso, o advento da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial. E essa mudan\u00e7a na l\u00f3gica socioecon\u00f4mica foi fundamental para o estabelecimento do capitalismo moderno.<br \/>\nNeste nosso s\u00e9c. XXI, como uma das consequ\u00eancias desse processo, estamos inseridos num mundo onde \u00e9 preciso inovar para fazer a economia girar. Nesse contexto, a riqueza das na\u00e7\u00f5es \u00e9 medida em grande parte pelo seu dom\u00ednio de tecnologias estrat\u00e9gicas. \u00c9 por isso que conhecimento \u00e9 valor e quem inova sai na frente. Nesse contexto, a nanotecnologia \u00e9 \u00e1rea portadora de futuro pelo seu grande potencial em solu\u00e7\u00f5es inovadoras nos campos da medicina, agronomia, computa\u00e7\u00e3o, entre outros. Neste congresso (um dos maiores do pa\u00eds sobre pesquisa de materiais), n\u00e3o pude deixar de notar o alto n\u00famero de trabalhos de nanoci\u00eancia e nanotecnologia envolvendo prata e carbono inorg\u00e2nico. O crescente interesse cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico por tais materiais pode ser um indicativo de que o Brasil n\u00e3o est\u00e1 perdendo o bonde da hist\u00f3ria. E por falar em hist\u00f3ria, \u00e9 curioso pensar como o ouro brasileiro extra\u00eddo h\u00e1 mais de 200 anos pelos escravos, indiretamente, acabou contribuindo para o estabelecimento da cultura da inova\u00e7\u00e3o que tomou conta do mundo. Inovar e sair na frente, meus caros compatriotas, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 quest\u00e3o de estrat\u00e9gia, \u00e9 uma d\u00edvida hist\u00f3rica.&#8221;\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Redigido em 28\/10\/2010, a uns 10 000 p\u00e9s de altitude &#8220;No momento em que estou escrevendo essas linhas, caro leitor, estou saindo de um mergulho ao passado. Mais exatamente, \u00e0 Vila Rica das Minas Gerais do s\u00e9c. XVIII. Acabei de embarcar em um avi\u00e3o que partiu de Belo Horizonte, com destino a Porto Alegre. 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