{"id":414,"date":"2012-07-26T09:07:49","date_gmt":"2012-07-26T12:07:49","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/balamagica\/?p=414"},"modified":"2012-07-26T09:07:49","modified_gmt":"2012-07-26T12:07:49","slug":"onda-branca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/balamagica\/2012\/07\/26\/onda-branca\/","title":{"rendered":"A onda branca"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Atualmente \u00e9 per\u00edodo de f\u00e9rias dos alunos de gradua\u00e7\u00e3o aqui na Unicamp. O campus est\u00e1 calmo, sem o t\u00edpico frenesi que acompanha o per\u00edodo de aulas e provas. Nesse clima de paz tibetana, eis que olho pela janela do laborat\u00f3rio, e vejo uma cena inusitada: um grupo grande de alunos de jaleco, andando ordeiramente pelo corredor. Devo ter feito a maior cara de espanto, porque meus colegas imediatamente tomaram a iniciativa de explicar o significado daquela \u201conda branca\u201d. Ela era composta por 80 alunos do ensino m\u00e9dio de escolas p\u00fablicas da regi\u00e3o, previamente selecionados por meio de uma reda\u00e7\u00e3o. Esses alunos estavam ali para vivenciar a qu\u00edmica atrav\u00e9s de palestras e experimentos nos laborat\u00f3rios do Instituto de Qu\u00edmica da Unicamp, devido ao Projeto de Extens\u00e3o Qu\u00edmica em A\u00e7\u00e3o (detalhes no <a href=\"http:\/\/www.iqm.unicamp.br\/extensao\/?p=93\">link<\/a>). Algu\u00e9m do lab tinha uma das apostilas usadas pelos alunos, que prontamente li. Os experimentos em particular merecem destaque por serem muito interessantes, baratos, simples e pr\u00f3ximos de viv\u00eancias pr\u00e9vias dos alunos \u2013 os reagentes s\u00e3o coisas como chocolate, gelatina, sab\u00e3o, \u00e1gua t\u00f4nica, \u00f3leo de cozinha, entre outros. A partir disso, s\u00e3o explicados conceitos complicados, como fluoresc\u00eancia, tens\u00e3o superficial, crioscopia e condutividade, aplicando o m\u00e9todo cient\u00edfico. Nenhuma surpresa que o projeto seja o sucesso que \u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Logo que soube do que se tratava aquela movimenta\u00e7\u00e3o toda, lembrei da minha pr\u00f3pria experi\u00eancia lecionando qu\u00edmica em car\u00e1ter volunt\u00e1rio no <a href=\"http:\/\/alternativacidada.blogspot.com.br\/p\/quem-somos.html\">Projeto Educacional Alternativa Cidad\u00e3<\/a>, em Porto Alegre. Foi quando pude perceber como a qu\u00edmica no ensino m\u00e9dio est\u00e1 distante das viv\u00eancias da maioria da popula\u00e7\u00e3o. Um conhecimento que est\u00e1 t\u00e3o intrincado a tudo que nos permeia, e que guarda tanta beleza, acaba sendo tristemente reduzido a repeti\u00e7\u00f5es de f\u00f3rmulas e regras. A consequ\u00eancia disso \u00e9 o despertar de avers\u00e3o e at\u00e9 mesmo \u00f3dio pela qu\u00edmica como disciplina. Contornar esse problema, para o professor, \u00e9 uma arte e um desafio. Especialmente quando laborat\u00f3rios n\u00e3o est\u00e3o dispon\u00edveis (afinal, qu\u00edmica \u00e9 uma ci\u00eancia experimental).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201c\u00c9 muito dif\u00edcil fazer os alunos compartilharem os prazeres da observa\u00e7\u00e3o e da experimenta\u00e7\u00e3o, momentos fundamentais na atividade da ci\u00eancia, sem contar com um laborat\u00f3rio no qual possam ver e sentir os fen\u00f4menos, sejam eles f\u00edsicos, qu\u00edmicos ou da esfera da Biologia, por exemplo. O laborat\u00f3rio permite de maneira imediata a percep\u00e7\u00e3o do aspecto l\u00fadico da atividade cientifica. Ao observar os fen\u00f4menos, ou ao medir propriedades quantitativas, por exemplo, os estudantes passam a compreender que ci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 apenas aquilo que est\u00e1 nos livros, j\u00e1 pronto, mas sim \u00e9 uma atividade que se constr\u00f3i com a observa\u00e7\u00e3o e a experimenta\u00e7\u00e3o.\u201d As palavras, de autoria do professor <a href=\"http:\/\/buscatextual.cnpq.br\/buscatextual\/visualizacv.do?metodo=apresentar&amp;id=K4787780Y0\">Alberto Passos Guimar\u00e3es<\/a>, pesquisador titular do CBPF e diretor-adjunto do Instituto Ci\u00eancia Hoje, foram tiradas de uma entrevista recente que pode ser acessada <a href=\"http:\/\/www.jornaldaciencia.org.br\/Detalhe.jsp?id=83069\">aqui<\/a> e vale ser lida na \u00edntegra. \u00a0Eu n\u00e3o sabia, mas o<a href=\"http:\/\/cienciahoje.uol.com.br\/instituto-ch\"> Instituto Ci\u00eancia Hoje<\/a> (que completa seus 30 anos de exist\u00eancia) tem um projeto interessant\u00edssimo conhecido como Programa Ci\u00eancia Hoje de Educa\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica (<a href=\"http:\/\/cienciahoje.uol.com.br\/alo-professor\/pchae\">PCHAE<\/a>). Nas palavras do professor, \u201co Programa atua em v\u00e1rios munic\u00edpios brasileiros, treinando e motivando professores de Ci\u00eancias para o emprego de m\u00e9todos mais atraentes de ensino, baseados no uso da publica\u00e7\u00e3o Ci\u00eancia Hoje das Crian\u00e7as\u201d. Iniciativas como o PCHAE e o Qu\u00edmica em A\u00e7\u00e3o t\u00eam o poder de mudar concretamente realidades locais para melhor por meio do est\u00edmulo \u00e0 busca e transmiss\u00e3o de conhecimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Alguns dos experimentos propostos na apostila do Qu\u00edmica em A\u00e7\u00e3o poderiam ter sido apresentados (com adapta\u00e7\u00f5es) aos meus alunos, tranquilamente, em sala de aula. Foi o primeiro pensamento que tive ao ler o material. Ok, seria algo de car\u00e1ter demonstrativo, mas j\u00e1 seria uma quebra na rotina das aulas que poderia fazer a qu\u00edmica ganhar alguns cora\u00e7\u00f5es. E todo cora\u00e7\u00e3o ganho vale ouro, especialmente com a car\u00eancia de nosso pa\u00eds por profissionais com forma\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas de exatas. Em um mundo onde a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica dita a for\u00e7a das economias, isso faz toda a diferen\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atualmente \u00e9 per\u00edodo de f\u00e9rias dos alunos de gradua\u00e7\u00e3o aqui na Unicamp. O campus est\u00e1 calmo, sem o t\u00edpico frenesi que acompanha o per\u00edodo de aulas e provas. 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