{"id":74,"date":"2009-07-20T10:30:00","date_gmt":"2009-07-20T13:30:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/balamagica\/2009\/07\/nanomaquinas-ficcao-cientifica-ou-realidade\/"},"modified":"2009-07-20T10:30:00","modified_gmt":"2009-07-20T13:30:00","slug":"nanomaquinas-ficcao-cientifica-ou-realidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/balamagica\/2009\/07\/20\/nanomaquinas-ficcao-cientifica-ou-realidade\/","title":{"rendered":"Nanom\u00e1quinas: fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica ou realidade?"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"float:left;padding:15px\"><a href=\"http:\/\/www.researchblogging.org\"><img decoding=\"async\" alt=\"ResearchBlogging.org\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/balamagica\/wp-content\/uploads\/sites\/210\/2011\/08\/rb2_large_gray25.png\" style=\"border:0\" \/><\/a><\/span><\/p>\n<div align=\"justify\">Agora que <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/bala_magica\/2009\/07\/os-nanorrobos-vao-dominar-o-mundo.php\">j\u00e1 justifiquei porque grey goo \u00e9 s\u00f3 fic\u00e7\u00e3o<\/a>, vou deix\u00e1-lo maluco (por pura divers\u00e3o) ao afirmar que nanom\u00e1quinas existem. Sim, caro leitor, elas EXISTEM! De acordo com o nosso dicion\u00e1rio Aur\u00e9lio (eu ainda gosto mais do Aur\u00e9lio, amor antigo), m\u00e1quina \u00e9 um <em><span style=\"color:#333300\">&#8220;aparelho ou instrumento pr\u00f3prio para comunicar movimento ou para aproveitar, por em a\u00e7\u00e3o ou transformar uma energia ou um agente natural&#8221;<\/span><\/em>. Sacou? Embora m\u00e1quinas sejam geralmente consideradas como produtos da m\u00e3o humana, por que cargas d&#8217;\u00e1gua um sistema molecular complexo qualquer que se encaixe nessa defini\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser considerado uma m\u00e1quina, mesmo que seja um produto da evolu\u00e7\u00e3o natural e n\u00e3o da intelig\u00eancia humana? Nesse contexto, organelas celulares (como a mitoc\u00f4ndria e o cloroplasto, por exemplo) s\u00e3o m\u00e1quinas nanom\u00e9tricas excepcionais. E quando pensamos no pesadelo do &#8220;grey goo&#8221;, esquecemos que o surgimento da vida causou uma revolu\u00e7\u00e3o na superf\u00edcie da Terra em propor\u00e7\u00f5es ainda maiores (teria sido um &#8220;green goo&#8221;?). E como as nanom\u00e1quinas j\u00e1 existem desde que a vida surgiu &#8211; e n\u00f3s somos produto dessa &#8220;nanotecnologia da m\u00e3e-natureza&#8221; -, elas podem servir de inspira\u00e7\u00e3o para desenharmos nanom\u00e1quinas artificiais com finalidades planejadas.<\/p>\n<p>O problema nem \u00e9 tanto construir a estrutura em si, mas faz\u00ea-la andar de forma aut\u00f4noma. Isso exige que um combust\u00edvel seja convertido em energia mec\u00e2nica para que a m\u00e1quina possa realizar trabalho. O combust\u00edvel das nossas c\u00e9lulas \u00e9 uma mol\u00e9cula chamada trifosfato de adenosina (ou <strong>ATP<\/strong>, na sigla em ingl\u00eas). A quebra de uma das liga\u00e7\u00f5es fosfato no ATP libera energia qu\u00edmica. Essa energia qu\u00edmica \u00e9 utilizada, por exemplo, para contrair os nossos m\u00fasculos, movimentar os flagelos de bact\u00e9rias e espermatoz\u00f3ides e at\u00e9 realizar sinapses no c\u00e9rebro <span style=\"color:#6600cc\">(\u00e9 da\u00ed que vem a express\u00e3o queimar fosfato, usada quando &#8220;pensamos muito&#8221;)<\/span>. A id\u00e9ia do ATP como combust\u00edvel inspirou pesquisadores da Pennsylvania State University, que desenvolveram nanomotores simples capazes de converter energia qu\u00edmica &#8211; estocada em mol\u00e9culas que atuam como &#8220;combust\u00edveis&#8221; &#8211; em energia mec\u00e2nica que gera movimento.<\/p>\n<p>De forma resumida, eles constru\u00edram um cilindro feito de platina e outro, com dimens\u00f5es de 2 micr\u00f4metros de altura por 370 nanometros de largura. Os cilindros usados eram assim\u00e9tricos, ou seja, uma metade era composta por platina e a outra metade era de ouro. Os cilindros foram colocados em um tanque com \u00e1gua e per\u00f3xido de hidrog\u00eanio <em>(ou \u00e1gua oxigenada, para os \u00edntimos)<\/em> e a\u00ed uma rea\u00e7\u00e3o interessante aconteceu: na ponta do cilindro composta por platina, cada mol\u00e9cula de per\u00f3xido de hidrog\u00eanio foi quebrada em 1 mol\u00e9cula de oxig\u00eanio, 2 el\u00e9trons e 2 pr\u00f3tons; na outra ponta composta por ouro, os el\u00e9trons e pr\u00f3tons (que se moveram do lado platina para o lado ouro) se combinaram com uma mol\u00e9cula de per\u00f3xido de hidrog\u00eanio para formar 2 mol\u00e9culas de \u00e1gua.<\/p>\n<p>O oxig\u00eanio formado no lado de platina interrompeu a rede de liga\u00e7\u00f5es de hidrog\u00eanio da \u00e1gua, reduzindo sua tens\u00e3o interfacial l\u00edquido-vapor. <span style=\"color:#003300\"><strong>Como o oxig\u00eanio foi gerado apenas em um dos lados do cilindro<\/strong><\/span>, um gradiente de tens\u00e3o interfacial foi criado , gerando uma turbul\u00eancia na \u00e1gua que estava ao redor do cilindro (ou seja, a diferen\u00e7a de tens\u00e3o interfacial entre a \u00e1gua ao redor de uma ponta e da outra do cilindro fez com que a \u00e1gua flu\u00edsse de um lado para o outro). O fluxo da \u00e1gua foi empurrando o cilindro &#8211; no fim das contas, a energia qu\u00edmica liberada na quebra do per\u00f3xido de hidrog\u00eanio em oxig\u00eanio, pr\u00f3tons e el\u00e9trons foi a fonte energ\u00e9tica da propuls\u00e3o dessa nanom\u00e1quina. Conforme o cilindro se movia, o gradiente era continuamente restabelecido porque mais oxig\u00eanio era continuamente formado a partir de novas mol\u00e9culas de per\u00f3xido de hidrog\u00eanio &#8211; e a cada gera\u00e7\u00e3o de oxig\u00eanio, o cilindro era empurrado mais um pouco. \u00c9 claro que o movimento resultante foi aleat\u00f3rio, mas o estudo j\u00e1 \u00e9 um ponto de partida interessante para desenvolvermos nanom\u00e1quinas capazes de movimento aut\u00f4nomo para finalidades espec\u00edficas. No futuro, a mol\u00e9cula usada como &#8220;combust\u00edvel&#8221; provavelmente n\u00e3o ser\u00e1 per\u00f3xido de hidrog\u00eanio, se pensarmos em aplica\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas &#8211; mas a glicose pode muito bem ser utilizada, <em>tal qual j\u00e1 \u00e9 pelas nossas c\u00e9lulas<\/em>. Quanto \u00e0 n\u00e3o-aleatoriedade do movimento, <a href=\"http:\/\/research.chem.psu.edu\/mallouk\/pubs.html\">o pr\u00f3prio grupo <\/a>vem estudando alternativas, como o uso do magnetismo.<\/div>\n<div align=\"justify\"> <\/div>\n<div align=\"justify\">Refer\u00eancia:<\/div>\n<div align=\"justify\"> <\/div>\n<p><span class=\"Z3988\" title=\"ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;rft.jtitle=Journal+of+the+American+Chemical+Society&amp;rft_id=info%3Adoi%2F10.1021%2Fja047697z&amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;rft.atitle=Catalytic+Nanomotors%3A%C2%A0+Autonomous+Movement+of+Striped+Nanorods&amp;rft.issn=0002-7863&amp;rft.date=2004&amp;rft.volume=126&amp;rft.issue=41&amp;rft.spage=13424&amp;rft.epage=13431&amp;rft.artnum=http%3A%2F%2Fpubs.acs.org%2Fdoi%2Fabs%2F10.1021%2Fja047697z&amp;rft.au=Paxton%2C+W.&amp;rft.au=Kistler%2C+K.&amp;rft.au=Olmeda%2C+C.&amp;rft.au=Sen%2C+A.&amp;rft.au=St.+Angelo%2C+S.&amp;rft.au=Cao%2C+Y.&amp;rft.au=Mallouk%2C+T.&amp;rft.au=Lammert%2C+P.&amp;rft.au=Crespi%2C+V.&amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Chemistry%2CNanoscience\">Paxton, W., Kistler, K., Olmeda, C., Sen, A., St. Angelo, S., Cao, Y., Mallouk, T., Lammert, P., &amp; Crespi, V. (2004). Catalytic Nanomotors:  Autonomous Movement of Striped Nanorods <span style=\"font-style:italic\">Journal of the American Chemical Society, 126<\/span> (41), 13424-13431 DOI: <a rev=\"review\" href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1021\/ja047697z\">10.1021\/ja047697z<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Agora que j\u00e1 justifiquei porque grey goo \u00e9 s\u00f3 fic\u00e7\u00e3o, vou deix\u00e1-lo maluco (por pura divers\u00e3o) ao afirmar que nanom\u00e1quinas existem. Sim, caro leitor, elas EXISTEM! 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