Manchetes comentadas 12 – Jovens marcam brigas de rua pela internet


obtido em www.mtv.com.br

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No último dia 6 de fevereiro um grupo de adolescentes de Brasília foi preso enquanto participava de uma briga marcada pela internet. Na matéria televisiva repórteres e policiais dizem-se chocados com tanta violência. Eu não. Matérias desta natureza logo fazem soar para mim a sirene das bases do comportamento.

O comportamento animal (de qualquer animal, nós inclusive) deve-se a basicamente dois fatores: culturais e biológicos. Os fatores culturais seriam as experiências pretéritas, a educação em todos os aspectos e as recompensas recebidas durante a vida. Os fatores biológicos referem-se a como nosso corpo reage de forma programada geneticamente, mediado por hormônios e órgãos. A adolescência tem componentes explosivos para a violência tanto no aspecto cultural quanto no biológico.

Biologicamente a adolescência é o momento em que o organismo masculino, por ação de um hormônio do hipotálamo chamado GnRH, produz pela primeira vez em grande volume a testosterona nos testículos. A testosterona tem diversos efeitos no corpo: produção de pêlos, aumento da musculatura, produção de sêmen são exemplos. Mas também exerce efeitos comportamentais. Entre eles estão a pulsão sexual típica do adolescente. Está também um aumento da agressividade, seja contra pais, professores ou outros jovens. A testosterona é o hormônio da violência. Que o diga as vítimas de frequentadores de academias que fazem uso de anabolisantes, que nada mais são do que miméticos da testosterona.

Tempestade Hormonal Obtido em www.g1.com.br

Jane Goodall é uma cientista inglesa que mora há mais de 40 anos com chimpanzés na reserva de Gombe, Tanzânia. Logo no início de suas pesquisas ela identificou um momento na vida dos chimpanzés em que eles tornavam-se agressivos com outros jovens, expulsando-os com galhos e pedras ou entrando em agressão direta em lutas bastante atrozes. Estes jovens muitas vezes até tentavam destituir o líder do bando apoiado por outros que se uniam a ele, numa tentativa geralmente ridícula contra um macho muitas vezes maior e mais forte.

Jane Goodall (à esquerda, nunca é demais reforçar) Obtido em: www.famousscientists.com

Jane Goodall (à esquerda, nunca é demais reforçar) Obtido em: www.famousscientists.com


Pelo lado mais cultural, a adolescência é o momento da socialização. O rapaz sai mais constantemente de casa, faz amizades e integra pequenos grupos. O pertencimento a determinado grupo está relacionado a ouvir as mesmas músicas, praticar os mesmos esportes, vestir as mesmas roupas e… odiar os mesmo inimigos. Dessa forma, a coesão do grupo é proporcional à sua capacidade de isolar integrantes de outros grupos, às vezes pela agressão. A ação agressiva resulta numa recompensa em aceitação social pelos colegas, tudo o que um adolescente mais precisa. Assim, o comportamento fica estimulado a repetir-se não só naquele indivíduo como em outros que também busquem aceitação no grupo. Se não há uma punição severa para reprimir o comportamento o ciclo torna-se vicioso.

Eu cresci em Brasília e acho que tenho um pouco, se não de autoridade, de experiência para falar disso. Com a maior parte da população em empregos públicos recebendo bem e com suas ruas seguras, pelo menos no Plano Piloto, Brasília oferece a seus jovens uma grande oportunidade de socializar-se. Muitas vezes esses jovens não têm pais muito presentes devido ao trabalho, muitas vezes essa ausência é compensada financeiramente, mas com poucas regras. Muitas vezes os jovens confiam tanto no status de seus pais que acham que estão acima das regras sociais e seus reguladores, como a polícia. Temos aí uma combinação perigosa.

Antes de terminar vale lembrar. Ser fisiologicamente e socialmente explicável não implica em aprovação ou compreensividade. Talvez implique em uma solução, jamais em uma desculpa. 

 
 

 
 

 

Discussão - 8 comentários

  1. Marcos Claro disse:

    Logo logo pais preocupados com a atitude hormonal de seus filhos estarão castrando-os ainda na puberdade. Tudo pra evitar violência arbitrária e tornar o mundo mais seguro e macio.

  2. João Carlos disse:

    Exatamente por isso a sociedade “vitoriana” punha tanta ênfase na prática de esportes coletivos (pelo menos para as crianças da aristocracia) e encorajava movimentos como o escoteirismo.
    Atualmente, ridicularizam o escoteirismo e o esporte, profissionalizado, virou “meio de ascensão social” para os pobres. E não puseram coisa alguma em seu lugar para canalizar a agressividade dos jovens machos.
    “Denunciar hipocrisias” é sempre bom… Mas, como dizem os britânicos, “cuidado para não jogar fora o bebê, junto com a água suja da banheira”…

  3. smx disse:

    Sou Jovem, de Brasília, adoro física,matérias que envolvem Meio Ambiente,Música,Artes Cênicas em geral…
    e lhe digo: Nada vai mudar.
    A metodologia de ensino é ridícula,mesmo em escolas “tradicionais” particulares que cobram horrores(sou Bolsista). Ninguém vai fazer nada.Esses jovens só vão mudar de escola e pronto.
    o dinheiro compra o ingresso deles em qualquer lugar, sem punição, reeducação..etc
    o sistema público então, é mais ridículo ainda, sem ferramentas,sem laboratórios,sem direção firme em sua decisões. E SIM, eu posso generalizar!

  4. Henrique disse:

    Nossa.
    Eu não acredito nem que essa história foi chegar aqui, sou de Brasília, frequento o Lablogatórios e estudo no Sigma, uma das escolas que tiveram alunos envolvidos.
    Um dos espertinhos, inclusive é “amigo” meu. Particulamente eu achei essa coisa toda ridícula, não consigo entender porque essas pessoas chegam a fazer isso.
    Lá na escola a repercussão foi grande, vários professores ficaram indignados e deram grandes sermões(de forma positiva) nos alunos, tentando ajudar.
    Mas a verdade é que coisas do tipo acontecem o tempo todo, quem é de Brasília sabe. Só dessa vez que isso foi noticiado e acabou causando esse alarde todo.

  5. Eduardo Bessa disse:

    Henrique, SMX, Marcos e João Carlos
    Nem castrar nem comprar o ingresso noutra escola. Conhecer o momento biológico-cultural que um adolescente passa e oferecer-lhe segurança e direcionamento para atravessar essa (assim como todas as outras) fase deve ser a saída. Gosto de acreditar que tem solução, sim. Até porque o lustre aqui de casa não aguenta o meu peso e não tenho uma boa corda. E essas coisas são e continuarão sendo interesse do Ciência à Bessa. Quem tiver sugestões de matérias a comentar não deixe de mandar.
    Bessa

  6. Marão disse:

    O caso é corriqueiro e de longevas eras. O Cientista tem razão, tudo isso é muito natural e repete-se e repetir-se-á infinitamente em todas as sociedades do Planeta. Passamos todos por isso, há gerações. Não há por que alarmar-se muito, a menos que jovens das nossas relações diretas estejam envolvidos. O escotismo como válvula de escape vitoriana não funciona nesse sentido, a competividade continua lá como cá, apenas com alguma agressividade controlada ou melhor direcionada. A Psicologia não dárá jeito nisso também, nem a polícia, nem as academias de artes marcias e nem o Papa. Achei interessante haver uma certa ética nos embates, entre os jovens protagonistas, como outrora às vezes havia. A parada na base do mano-a mano e sem a intromissão de terceiros ainda é mais \saudável\ do que aquelas apelações para verdadeiros linchamentos de gangues, armas brancas e de fogo. Diversão de \mauricinhos\ para exibição às excitantes jovens fêmeas. Balada no tapete verde do romântico e paradisíaco Parque da Cidade, com presença de padrinhos e tudo mais, como nos elegantes duelos do séc.XIX. Já é alguma coisa. Agora, porrada é porrada…e vale tudo mesmo. Assim, de camarote,até eu gostaria de assistir…Marão, 59, arquiteto

  7. israele disse:

    ₢₢pó e muito bom de gente se reunimos com a gente para para com essas brigas em escolas ruas é etc…
    como a gente pode ver e filhp bateno na mãe e filho matano o pai pora para com isso espero que vc aceitas os fatos que eu soum muito foda!!!!!₢₢

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