Vamos mostrar quem é que manda

à minha e a todas as mulheres em homenagem (meio atrasada) ao seu dia

 

 

É certo que o machismo anda meio em baixa. Pelo menos da boca para fora, nós homens já não nos vangloriamos mais de sermos os donos do lar. Até porque os tempos mudaram e a participação da mulher na economia familiar é indispensável. Mas entre nós ainda mantemos o orgulho masculino, esse ar de superioridade talvez, de supridores, protetores. A impressão de que somos nós que mandamos. Doce delírio! Não é exclusividade da espécie humana, mas em todos os seres vivos as mulheres têm um direito garantido: o direito de escolher.

 

De fato, a definição de macho e fêmea refere-se diretamente a esse direito. Por definição machos são aqueles indivíduos que produzem gametas pequenos e numerosos. Fêmeas, por outro lado produzem gametas grandes, caros e raros.

 


obtido em www.correios.com.br

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Quando eu era moleque tinha uma coleção de selos enorme e adorava ir a locais em que colecionadores se reuniam para trocar, comprar e vender selos. Logo descobri que alguns selos tinham uma história única e uma tiragem bastante limitada. Havia poucos em circulação. Isso os tornava extremamente caros e desejados. Os meus, na grande maioria, eram bastante comuns e sem grande valor. Precisaria reunir quase toda minha coleção para obter o selo comemorativo do milésimo gol do Pelé, por exemplo. Quem tinha um olho de boi podia escolher à vontade o que queria em troca e quantos selos queria. Quem tinha selos comuns não. É exatamente o que acontece com nossos gametas. Os óvulos das mulheres são pouco numerosos e muito custosos, suas donas podem fazer exigências. Nossos espermatozóides são baratos e numerosos. Ninguém lhes dá muito valor e precisamos adicionar promessas às nossas negociações.

 

A essa diferença entre os gametas damos o nome de anisogamia. É por culpa dela que existem tantas diferenças entre machos e fêmeas, inclusive homens e mulheres. Quer ver? Na negociação por um óvulo, nós homens temos que investir, além dos espermatozóides, a promessa de proteção de nossas fêmeas. Em tempos remotos a proteção era abrigar contra um tigre dente-de-sabre ou prover a fêmea de comida. Ambos só eram conseguidos se nosso longínquo avô tivesse força muscular, por exemplo, no músculo peitoral. Talvez por isso nós homens tenhamos um peito mais largo e mais massa muscular que as mulheres.

 


obtido em: www.hstern.net

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Em tempos modernos segurança é muito mais uma questão de ter recursos para adquirir uma casa ou pagar as compras do mês. Não admira que muitos dos comportamentos de corte modernos envolvam demonstrações de posses e dela ser tão abundante que podemos destinar nossas economias a produtos relativamente inúteis só para impressionar a fêmea. Que utilidade tem um anel de ouro branco cravejado de brilhantes? Apenas demonstrar para a mulher que temos tanto dinheiro que podemos torrar mil reais com isso sem ir à bancarrota. Que dirá dinheiro para as compras ou a casa?

 

Já as fêmeas fazem propaganda dos gametas preciosos que têm e de sua habilidade em dar-lhes uso, isto é, serem boas reprodutoras. Mesmo que o homem nem tenha interesse em ser pai, nada como um quadril largo ou seios generosos para fazer testosterona jorrar dos nossos poros. Assim persiste essa contínua guerra de interesses chamada sexo. Com seus ardis irresistíveis. Ainda bem!

Discussão - 7 comentários

  1. Marão disse:

    já se deram conta que o problema de posse de terras,que dilacera palestinos e israelitas,como de resto toda a humanidade há milênios,(MST que o diga)não faz o menor sentido se não fosse apenas para abrigar “nossas” fêmeas, dar-lhes um adequado sustento? A prole só é consequência dessa batalha sexual, para produzir a “célula mater” da sociedade – a família. Só então as coisas se ajustam para reproduzir o sistema, né Paulinha!

  2. Bhingo disse:

    Nessa briga dos sexos. Hoje somos três em um: o machão, o em crise e o o metrosexual. O vilão todos somos! Mas diga-se de passagem: sempre vale a pena, quando a alma não é pequena (plágio do poeta).

  3. Cristina disse:

    Acho que somos valiosas mesmo e vcs machos devem investir pesado, afinal quem foi a imbecil que resolveu queimar soutien em praça pública? Hoje trabalhamos mais que os homens, ganhamos menos, dividimos contas, temos jornada dupla de trabalho e mesmo com cólica temos que sorrir para todos no escritório… coitada da mulher que se descontrolar na TPM, já fica rotulada de louca… rs … brincadeirinha, mas com um fundo de verdade… bjus marido!!!!

  4. claudia disse:

    Concordo em parte. Discordo com “Ninguém lhes dá muito valor e precisamos adicionar promessas às nossas negociações”. O problema é justamente as promessas e essas normalmente não são cumpridas! Nós mulheres (é claro q algumas não pensam assim) não precisamos de casa, comida e roupa lavada. Isso nós nos proporcionamos. O que queremos é alguém que pense com os neurônios e não somente com os “espermatozóides baratos e numerosos”.

  5. Marão disse:

    Quê isso? Sessão de pugilato insurrecional de fêmeas insaciáveis? Somos baratos, numerosos, mas autênticos, sem toda essa neurologia racionalista e interesseira. Também podemos viver onanisticamente…vejam os padres. Só não aguentamos viver sem saias (vejam os padres).

  6. José Barros Nina disse:

    Adorei os comentários e informações aqui prestadas. Genial! Mas fica uma dica filatélica, sei que nada tendo a ver com as coisas escritas aqui mas úteis para conhecimento geral: o selo do milésimo gol de Pelé custa muito barato, na quase totalidade das vezes, e bem menos que grande parte de nosso selos comemorativos. Há apenas uma exceção, que é um selo do Pelé saído com defeito da Casa da Moeda (impresso com defeito). Mas até para isso temos outros selos meio recentes (1950 para cá) com outros ou mesmo com defeitos semelhantes, e muitooo caros – às vezes mais (da ordem de milhares de reais para 1 selo, apenas). Abraços, Eduardo.

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