Homem primata

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Semana passada, em meio aos posts sobre seleção sexual, fui a um show conjunto dos Paralamas do Sucesso e Titãs, duas de minhas bandas nacionais favoritas desde a adolescência. O show foi excelente, uma meninada numerosa muito mais nova do que eu e as bandas, Hebert Vianna cantando Polícia e Paulo Miklos cantando Óculos, duelo de cordas entre o Bellotto e o Bi Ribeiro, músicas das antigas que eu nem achei que eles fossem tocar. MARAVILHOSO!!! Como não podia deixar de ser, no meio do show minha cabeça insana foi invadida por pensamentos etológicos.
No meio do solo de Uma Brasileira, reparei que a platéia toda levantou os braços e começou a acenar no ritmo da música. Até vi mais ou menos a hora que a idéia surgiu de um grupo que estava bem perto do palco, mas logo se disseminou por toda a pista. Naquele exato momento saquei meu celular para filmar o comportamento e ilustrar esse post, que àquela altura já estava prontinho na minha cabeça, mas a imagem ficou tão ruim que desisti de usá-lo.
A socialidade traz uma série de vantagens aos organismos que optam pela vida em grupo, proteção contra predadores, melhores resultados na caça, acesso fácil a parceiros sexuais, por exemplo. Mas também há custos como a competição por alimento e a disseminação veloz de doenças contagiosas. Nossa espécie, como bom primata, é uma das mais sociáveis que existe, por isso temos muitos comportamentos que favorecem nossa socialidade. Coexistir num grupo depende muito de aceitação, cada integrante tem que viver na tênue linha que separa o prazer dos interesses pessoais e o dever dos interesses grupais sem que nenhum dos dois prevaleça. Assim, toda oportunidade de demonstrar que integramos um grupo é aceita muitas vezes sem nem passar pela nossa consciência.
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Quantas zebras você vê na foto?

Outras espécies sociais, como as zebrinhas listradas, vivem em bandos que são uma boa forma de evitar virar comida de leão. Aquele monte de barras pretas e brancas correndo causam uma grande confusão no predador, desde que o grupo ande sempre coeso e em sintonia. As zebras que fogem a este padrão são presas mais fáceis e são negativamente selecionadas segundo a teoria de Charles Marvin Darwin. Portanto, teimar em não copiar um comportamento que uma parte do bando realiza pode ser uma boa forma de morrer.
Pode ser que tenha sido por causa desse comportamento de manada que todo o mundo ergueu os braços junto e começou a acenar no ritmo da música. Reagir de forma homogênea e comportar-se igual aos que nos cercam traz segurança e aceitação. Deve ser lindo ver do alto do palco a platéia toda reagindo à sua música em sintonia, ritmo e harmonia. Valeu pelo show Titãs e Paralamas!
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Obtido em: www.oglobo.com.br

Discussão - 2 comentários

  1. lucas disse:

    Eu e minha pequena tivemos a mesma sensação no final de semana passado durante o show do Radiohead, no Rio. Estavamos na arquibancada e de repente ela me sacudiu e apontou para um mar de gente de braços levantados a balançar (alguns até com celulares e/ou isqueiros).
    Foi massa! 😀

  2. Rafael [RNAm] disse:

    Bessa,
    Lembre que sempre há um pessoal que não vai muito na onda da galera. Como sempre tem um “weirdo” (tmb fui no show do Radiohead) este tmb deve ter um valor adaptativo. Afinal, todo gênio é excêntrico, e pode trazer, eventualmente, vantagens para o grupo. Há um equilíbrio de estranheza na população, não?

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