Manchetes comentadas 14 – Onça capturada em condomínio no interior de SP

Às minhas amigas Grazi e Paula, das cidades visitadas pelas onças

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Obtido em www.fiocruz.br

Na manhã de hoje, noticiou o Estadão, uma onça parda foi capturada dentro de um condomínio próximo a Sorocaba, interior paulista. A suçuarana escalou uma árvore e só foi retirada pelos funcionários do Zoológico com a ajuda de dardos tranquilizantes. É a segunda onça dessa espécie encontrada em áreas urbanas do interior de São Paulo essa semana, a outra foi capturada próximo a Jundiaí.
Onças são predadores de topo de cadeia. As duas espécies existentes no Brasil, onça pintada e onça parda ou suçuarana, estão criticamente ameaçadas de extinção segundo a red list da IUCN, ONG responsável pela avaliação do risco de extinção de diversas espécies no mundo todo. O principal motivo do risco que esses animais correm é a destruição de seus habitats. De fato, destruição de habitats é a maior causa de extinções para todas as espécies do mundo, seguido de invasões biológicas, crescimento populacional humano, poluição dos recursos naturais e extrativismo.
Predadores como as onças têm um problema a mais ao terem seus habitats deteriorados, por estarem no topo das cadeias tróficas os predadores precisam de uma quantidade maior de alimento. Na maioria dos ecossistemas a energia vem diretamente do sol, mas é fixada pelos vegetais através da fotossíntese. Esta energia é distribuída para os outros organismos da teia alimentar à medida que herbívoros comem os vegetais, depois servem de alimento para predadores. Contudo, a cada passo dessa cadeia alimentar, um pouco da energia presente no alimento é desperdiçada por pura entropia. Deriva disso o fato das cadeias alimentares nunca serem muito longas. Também deriva disso a necessidade que as onças têm de mais alimento. Se o habitat das onças é degradado junto vai boa parte do alimento de que ela tanto necessita, o que pode levar à morte ou emigração. No caso dessa notícia levou à emigração da onça para o condomínio. Quando o controle de uma população acontece por falta de alimentos dizemos que há um controle bottom-up, ou de baixo para cima da cadeia alimentar.
Após a captura a onça foi levada para o zoológico de Sorocaba, recebeu um chip para rastreamento e fez um exame de DNA. Na tarde do mesmo dia foi solta em uma reserva. O risco dessa introdução não é nulo, a onça introduzida poderia ter levado consigo uma doença que afetará a população local de onças, todo o processo de manuseio pode ter debilitado a onça, favorecendo sua morte ou ainda a onça introduzida poderia impactar a população local de presas. A população de cotias dessa reserva, por exemplo, poderia estar em um fino equilíbrio com a de seus predadores. Com a introdução de um novo predador haveria um efeito top-down, ou de cima para baixo na cadeia alimentar, sobre a população de cotias. A introdução perfeita só seria feita após saber o estado de saúde do animal a ser introduzido e as condições ecológicas do ambiente que o receberá, algo bem improvável em nossas matas megadiversas. A reintrodução foi, certamente, a melhor opção para esses dois animais, mesmo que não fosse em condições ideais.

Discussão - 6 comentários

  1. João Carlos disse:

    Talvez fosse o caso de soltar as suçuaranas em alguma repartição pública, de preferência de um legislativo… Se elas não devorassem o sujeito que faz o cafezinho, teriam alimento farto e ninguém ia perceber coisa alguma… 😉

  2. bessa disse:

    Pois é. Você devia poster esse comentário no post da vida selvagem de pertinho. http://scienceblogs.com.br/bessa/2009/01/vida-selvagem-de-pertinho.php

  3. maroleps - o Marão disse:

    O que esperar de uma Suçuarana dentro da tua casa? Bom, o susto é de ambos, imagino. Adrenalinas à parte, que providências imediatas a tomar serão as mais recomendáveis? Chamar o Corpo de Bombeiros? A Polícia Ambiental? O Ibama? Quem estará mais apto e “ambientalmente correto?” Outros animais têm frequentado com certa periodicidade as manchetes da mídia em situações similares. A mídia espetaculosa compraz-se em noticiar, sem contudo informar sobre as medidas preventivas adequadas. Tranca o cachorro? Fecha as portas e janelas? Acende ou apaga a luz? Liga depois ou antes? Sei lá, em pânico normalmente fazemos besteiras. Será que alguém se aventura a dizer algo óbvio, tipo: tira as crianças de casa! Os chineses têm um ditado:” Não espante a mosca na cabeça do tigre.” Já é alguma coisa.Com a palavra Indiana Jones…

  4. bessa disse:

    Muito boa pergunta, Marão. Algumas dicas: a primeira coisa a se preocupar é com a própria segurança. Tire as crianças de perto, cachorro, se der tranca o animal onde ele estiver, desde que não o deixe lá por muito tempo. Depois de todos em segurança é hora de chamar alguém, sugiro, em ordem de capacitação para a empreitada, um zoológico da região, a polícia ambiental e os bombeiros. Não se preocupe com acender ou apagar a luz ou fechar as janelas se isso pode expor você a um ataque de um animal acuado. Claro que daí deve-se pesar o trabalho de resgatarem o animal com o benefício de devolvê-lo. Não vá ligar para o zoológico se entrar um gambá em casa, esse é só deixar quieto que ele sai de novo e volta para seu habitat ou vai procurar outro mais favorável (desde que você não invente de alimentar o bichinho).

  5. Paula disse:

    É… em Jundiaí é assim: repartição pública lenta ou corrupta, mal motorista ou inadimplente no condomínio, onça neles!

  6. Roseane disse:

    eu quetia saber de verdade
    quantas onças tem nesse mundo

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