7) Como escolher o seu orientador?

Durante a série sobre orientação (para ler a série desde o início clique aqui) recebi um comentário do Vinicius Placco, astrofísico do IAG USP e autor do Café com Ciência, sugerindo que eu abordasse como escolher um orientador. Como não cobri este tema nos posts anteriores resolvemos escrever a quatro mãos uma sétima parte sobre isto. O texto abaixo é o resultado.

Escolher um orientador não é tarefa fácil, então como escolher um orientador que vá lhe trazer bons frutos? Nós dois concordamos que o primeiro passo seria encontrar alguém que atue na sua área de interesse. Para isso você precisa já ter em mente pelo menos um esboço do projeto que pretende desenvolver. Claro que é interessante que você esteja disposto a modificá-lo junto com o orientador, mas saber o que se quer é primordial. Falando assim parece bobagem, mas acredite, chove gente pedindo orientação sem saber ao certo o que quer fazer.

Tendo-se em mente o que se pretende estudar há várias alternativas. Você pode ir a um congresso e interagir com outros participantes garimpando um orientador, pode pedir dicas a colegas e professores. Mas nossa sugestão é a ferramenta de busca do currículo Lattes. Basta desmarcar “Buscar por Nome” e marcar “Buscar por assunto”, marcar “Doutores”, daí digitar com que quer trabalhar e mandar buscar que todos os potenciais orientadores surgirão, só resta garimpar os inscritos em programas de pós bons. Tendo o Lattes do cara você ainda terá informações sobre artigos publicados, participações em projetos de pesquisa, colaborações dentro do departamento, no país e fora dele, histórico de bolsas contempladas (porque ainda precisamos de dinheiro para sobreviver) etc.

No segundo passo você terá que descobrir se seu pretendente está disponível para te orientar. Se achar um orientador fosse pegar uma mina na balada, essa fase seria a hora em que você pergunta: “E aí, a princesa tem namorado?”. Claro que ela pode dizer que não e depois você descobrir o Rogerião PitBull, que só não estava com ela naquele dia porque foi para a final do campeonato de vale-tudo. Ou pior, descobre que compete pela garota com outros 30. Se você optou por um orientador que arrasta atrás de si um séquito de 29 orientandos, saiba que receberá um trigésimo da sua atenção. Existem orientadores que falam que vão conseguir, prometem mundos e fundos e no meio do caminho o aluno acaba meio perdido e com a orientação comprometida.

Neste passo cabe um pouco de autoconhecimento, o aluno deve saber se é mais pró-ativo ou mais reativo. Existem alunos muito capazes, autodidatas mesmo, que no fim das contas precisam apenas de um supervisor ou “conselheiro” para trabalhar. Para eles um orientador ausente não gera grande transtorno. Já os reativos precisam de uma pessoa mais presente, que oriente e que os cobre com regularidade, aí tem que ser alguém com menos alunos. Para saber isso não há currículo Lattes que resolva, o ideal é conversar seriamente com alunos e ex-alunos de iniciação, pós, pós-docs que trabalharam com seu pretendente, representação discente da pós ou colegas de departamento. Isto dá uma visão bem mais realista do futuro chefe.

Você pode estar pensando que um terceiro passo seria ver se os santos de vocês batem. Simpatia pode ajudar bastante, mas reforçamos que não é primordial. Se o trabalho for profissional ninguém precisa ser super amigo de ninguém. Uma boa dose de respeito mútuo é bem suficiente para manter um bom ambiente de trabalho.

Discussão - 5 comentários

  1. Clarissa disse:

    Muito interessante, Eduardo.
    Eu venho pensando sobre o assunto há bastante tempo e uma coisa que me surpreende é ver os conhecidos da pós (orientandos e orientadores) algumas vezes esquecerem de que essa relação é profissional.
    Os estudantes deveriam ter esse tipo de orientação (como a série sobre orientação que você escreveu no blog) no início de sua vida profissional.

  2. Fernanda disse:

    Olá, Eduardo
    Tudo bem? Sou da Duetto Editorial, que publica a revista Scientific American Brasil. Como seu blog aborda assuntos de ciência, acredito que você possa se interessar em receber nossas sugestões de pauta sobre o tema quando elas surgirem, para futuros posts. Entre em contato comigo para recebê-las
    Talvez o Átila (do ScienceBlogs Brasil) tenha comentado algo sobre um selo/widget que pretendemos disponibilizar em breve.
    Se quiser conhecer o website da Scientific American Brasil, visite http://www2.uol.com.br/sciam
    Muito obrigada,
    Fernanda Figueiredo
    Redatora Web
    fernanda.figueiredo@duettoeditorial.com.br

  3. Fernanda disse:

    Olá, Eduardo
    Tudo bem? Sou da Duetto Editorial, que publica a revista Scientific American Brasil. Como seu blog aborda assuntos de ciência, acredito que você possa se interessar em receber nossas sugestões de pauta sobre o tema quando elas surgirem, para futuros posts. Entre em contato comigo para recebê-las
    Talvez o Átila (do ScienceBlogs Brasil) tenha comentado algo sobre um selo/widget que pretendemos disponibilizar em breve.
    Se quiser conhecer o website da Scientific American Brasil, visite http://www2.uol.com.br/sciam
    Muito obrigada,
    Fernanda Figueiredo
    Redatora Web
    fernanda.figueiredo@duettoeditorial.com.br

  4. Paula de Pádua disse:

    Olá Eduardo!
    Quero agradecer as dicas sobre a busca de orientador. Defendi meu mestrado há um ano e estou rascunhando minha futura tese. Essa semana percorri sites de programas de pós e gostei bastante da dica da procura no lattes por assunto. Mas a melhor delas é o contato com os alunos e ex-alunos do pretendente. Vou fazer isso com certeza!
    Confesso que meu descontentamento com a “postura” do meu antigo orientador me desanimou muito na escolha de continuar na academia. Só de pensar em encarar outro doutor “estrela” cheio de arrogância, me assusta.
    Obrigada pelas dicas! Agora vou à luta com mais “pé no chão”, não dependendo tanto de reza pra achar um cara legal.
    Um abraço!
    Paula de Pádua Moreira
    Oceanógrafa
    Mestre em Sistemas Aquáticos Tropicais

  5. bessa disse:

    Paula,
    Que bom que ajudei em alguma coisa. Só sugiro cuidado com a teoria da banca futura, acho que mencionei-a nos posts. O universo científico brasileiro é relativamente estreito, ainda mais nas áreas específicas. Não vale a pena criar mal-estar e correr o risco do cara mais para a frente ser seu referee num artigo ou banca.

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