Um pequeno passo para um peixe, um grande passo para os vertebrados!

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40 anos da conquista da Lua

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Não foi confusão na digitação, aproveitei o aniversário de 40 anos da conquista da Lua para escrever sobre o aniversário de 370.000.000 de anos da conquista da terra pelos vertebrados. Da terra, não da Terra, claro. Numa ensolarada tarde de 20 de julho de 369.997.991 a.C. (licença poética pura, nada científica, só para a data bater) um simpático peixinho de nadadeiras carnosas e respiração pulmonar deu este pequeno passo para um peixe, mas um grande passo para a evolução dos vertebrados.

 

Por volta deste momento na história geológica da Terra, os vastos oceanos presentes até então começaram a se retrair e deixar mais terra exposta. Isto ocorreu por uma conjunção de fatores. Primeiro o eixo de rotação da Terra sofreu uma leve inflexão, levando a uma forte glaciação e à formação de extensas calotas polares, isto roubou parte da água do planeta deixando mais terra descoberta. Segundo, as plantas aquáticas e os vegetais terrestres que começavam a surgir fixaram muito do carbono atmosférico, levando a um revés de aquecimento global que resfriou toda a atmosfera do planeta, acelerando a ocupação das terras emersas por plantas formadoras de florestas e por artrópodos, os verdadeiros donos do nosso planeta, montando o cenário para a chegada dos vertebrados. Por fim, a colisão de placas tectônicas levou ao soerguimento dos continentes que antes estavam cobertos por mares rasos.

 

Vovó ictiostega, uma pioneira sobre a terra

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Dentro da água havia menos espaço, muita competição e um ambiente em retração. Fora dela havia espaço de sobra, o alimento e a sobra das matas em formação e nenhum vertebrado com quem competir. Não é de surpreender que tenhamos mudado de habitat. Naquele tempo existiam muitas lagoas temporárias e com baixa concentração de oxigênio, o que favorecia dois fatores: os peixes deveriam ser capazes de utilizar oxigênio de fora da água para respirar e ser capazes de se arrastarem até outras poças quando a lagoa secasse. Aqueles que não suportavam estas condições simplesmente pereciam, seleção natural no doze (como dizem os matogrossenses).

 

Neste contexto havia alguns peixes que aproveitaram os mecanismos de inflar e desinflar sua bexiga natatória, um órgão ligado ao posicionamento dos peixes na coluna de água, para capturar ar atmosférico e transferi-lo para o sangue. Nosso pulmão nada mais é do que uma gambiarra evolutiva de aproveitamento de peças já existentes. A capacidade de resistir à dessecação é encontrada hoje em várias outras espécies como um peixe de manguezal australiano e algumas espécies de cascudos que habitam lagoas temporárias aqui no pantanal. Mas sustentar-se fora da água exigia membros possantes, algo que começava a aparecer nas nadadeiras carnosas dos sarcopterígios, um grupo de peixes numeroso naquela época. O passo que faltava para a conquista da terra veio com a capacidade de se sustentar sobre os membros, o que possivelmente surgiu de sarcopterígios predadores que se apoiavam nas nadadeiras para espreitar as presas. Nossos ancestrais estão representados até hoje no grupo dos Dipnoi, incluindo a pirambóia amazônica. Ainda levaria muito tempo para o corpo dos vertebrados ser resistente à dessecação e seus ovos conseguirem se desenvolver em terra, mas havíamos conquistado a terra.

                          

 

Para quem gostar do tema, não perca os livros À beira d’água, do Carl Zimmer e A história de quando éramos peixe, de Neil Shubin.

Discussão - 3 comentários

  1. Rachel disse:

    Momento ‘Teardrop’
    .Pela consideração com os artrópodes e as plantinhas;
    .Por dar saudade dos tempos de caloura, quando a Tia Terezinha e o Tio Feio contavam essas histórias… não dessa forma, mas tudo bem…

    Fiquei curiosa com a expressão ‘no doze’, o único link que passa na minha cabeça é com as pílulas ‘No doz’ rsrs Tem outra possibilidade???

  2. Bessa disse:

    Ih, rapaz, comi a maior bola. Soltei o post na data errada!

  3. Lucena disse:

    Acredito que isso cairá na prova..
    que bom que eu já li ..
    mas, vou elencar junto aos meus favoritos,
    para uma breve revisão.
    Bjim D’ana

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