Tudo em um ano 7 – A célula

Da mesma forma que o mundo do RNA, o surgimento da primeira célula pauta-se por modelos experimentais, obviamente fósseis destes eventos seriam virtualmente impossíveis de serem deixados. Há diversas teorias sobre a origem das células e dos componentes básicos desta estrutura, vou apresentar um pout-pourri do que converge entre elas.

Ácidos graxos, gorduras, são moléculas orgânicas capazes de terem se originado espontaneamente. Devido a sua natureza imiscível à água, os ácidos graxos se organizam na forma de vesículas diminutas com duas camadas encerrando dentro de sim um pequeno volume de líquido e o que nele estiver presente. Estas vesículas podem conter moléculas importantes como a de RNA do último post da série, podem encerrar substâncias em suas superfícies capazes de modificar seu funcionamento, podem ser química e osmoticamente diferentes de seu entorno, isolando fatores hostis do ambiente, podem fundir-se e dividir-se e até apresentar um metabolismo rudimentar.

A célula propriamente dita é uma questão de como esta vesícula, que alguns chamariam de coacervado, se formará. Seu surgimento dependeria apenas de concentrar as funções listadas acima todas em uma mesma vesícula destas.

Ainda há muito que mudar para que tenhamos uma célula complexa como as modernas, mas o pequeno passo de hoje, foi fundamental para a história da vida. Na verdade, usei a data de 3,7 milhões de anos atrás como a da origem da célula, mas encontrei referências desde este número até 4,3 milhões de anos, colocando as células como um evento anterior ao mundo do RNA. Nesta escala de grandeza eventos marcantes ainda não são facilmente datados.

Discussão - 5 comentários

  1. Joey Salgado disse:

    Muito legal o texto, Bessa.
    Só uma coisa, ácidos graxos podem ser gorduras ou óleos, depende do tamanho da molécula e da estrutura dela. Falar gordura implica, de certa forma, que o ácido graxo é um sólido nas CNTP. Por isso, acho que o termo mais adequado seria óleo, nesse caso. 😉
    Abraço!

  2. bessa disse:

    Valeu a dica, Joey. Corrigido!

  3. Marão disse:

    “Ácidos graxos, gorduras, são moléculas orgânicas capazes de terem se originado espontaneamente”. Bem, não imaginava que algo, neste mundo, seria capaz de tal proeza. Elas sempre me deram a impressão de que “sobram” de alguém. Logo, a vinculação é inevitável, pelo menos na pequenez de minha leiga visão. Ainda mais considerando-se que encontram-se normalmente ocluídas num outro meio. Bem, como “gato que nasce no forno, não é biscoito”, posso até crer nisso, afinal, “muito sabe o rato, mas muito mais o gato”; isto é, voces biólogos ratinhos brancos de laboratório, devem saber bem mais que nós, os Arquitetos, que somos, humildemente – DEUSES!

  4. bessa disse:

    Marão, é capaz que eu não tenha me expressado direito. Claro que não foi algo do tipo: “faça-se a gordura” SHAZAM! E a gordura se fez. As pecinhas para montá-la estavam lá, só que ligadas a coisas diferentes. Chacoalhe com força e por tempo o suficiente as peças e elas se montam espontaneamente.

  5. Neilton disse:

    To adorando a série. Porém acho confuso esse milhão no lugar de bilhão.

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