As festas de fim de ano aos olhos de um etólogo ateu

Várias pessoas que me conhecem pessoalmente se surpreendem com o minha ligação com as festas de fim de ano, já que sou ateu convicto e um cientista. Por isso resolvi explicar aqui a conexão que tenho com essas datas sob um ponto de vista etológico.

Que venha mais um movimento de translação!

Primeiramente, somos uma espécie altamente adepta a simbologias. A data de nascimento de um importante personagem histórico ou a virada do ano nada mais são que símbolos. Existem fortes imprecisões na determinação da data do nascimento de Cristo. Um ano, nada mais é que o período (com 4 horas de imprecisão) que a Terra leva para rodear o sol. Além disso, não existe nada astronomicamente memorável no momento estabelecido como nosso ano novo. Talvez fosse melhor mudarmos de ano no solstício do dia 21 de Dezembro. É por isso que, sendo puramente racionais, não faria sentido idolatrar esses símbolos.

Mesmo assim não acho incongruente da minha parte celebrar as festividades de fim de ano sendo ateu e materialista (no sentido de valorizar o concreto, não de me apegar aos bens materiais). Encaro o natal como a celebração da nossa vida em sociedade, especialmente nossa unidade social, a família. O natal para mim é a principal época de retribuir o altruísmo que me foi concedido, ou pelo menos agradecer por ele (o agradecimento funcionando como uma nota promissória de reciprocidade futura). Sem reciprocidade a socialidade perece, especialmente se não houver laços fortes de parentesco. Por isso considero o natal uma data extremamente importante.

Já o réveillon para mim é a data da renovação. É quando analisamos o ano que passou para projetar o futuro. Obviamente também é simbólico, uma meia-noite como qualquer outra das 364, mas precisamos de uma data para fazer as coisas, como uma meta socialmente imposta para repensarmos a vida e celebrarmos os acertos.

Assim sendo, seja você cristão, budista, macumbeiro, cubista, corintiano ou ateu, feliz ano novo e até 2014.

Discussão - 3 comentários

  1. Rubem Luiz disse:

    Mas pros cristãos, espíritas, ou muçulmanos, as “festas” de fim de ano também não tem sentido de acordo com suas crenças, a data específica do nascimento de Jesus é o que menos importa, não há uma comemoração como se comemora qualquer aniversario, falar que virou uma data comercial é clichê então digamos que virou um feriado qualquer, sem praticamente nenhuma semelhança com a intenção original da “celebração”. Pra você, ateu, é um feriado tão esquisito quanto pra mim, cristão, muçulmano, ou espírita (Citando quem leva a figura de Jesus a serio, e portanto teria motivos pra comerar um aniversário).

    O “fim de ano” idem, tanto faz se é hoje ou semana que vem as 14h, não tem absolutamente nenhum “peso” para as grandes religiões, a comemoração é sincretista e incomoda os “religiosos” tanto quanto a você.

    São festas populares, não tem nenhum vínculo técnico/teologico com o calendário religioso. Teologia você muda com bons argumentos, mas crença popular… essa é imutável, e esse fato incomoda muito a maioria das religiões, tenta convencer todo mundo que acender vela não faz sentido, não tem nenhum embasamento teologico, não é oficialmente incentivado, mas o povo não desgruda dessa mania.

  2. Luis disse:

    4 horas de imprecisão?!?! Acho que seus conceitos astronômicos que estão um pouco imprecisos…

  3. Thiago disse:

    Texto simples, porém diz muita coisa importante. Acredito que nem 0,05% da população pense desta forma, elas simplesmente seguem a tradição, ou a simbologia, nem se quer fazem o esforço de questionar tudo isso que acontece.

    Obrigado por compartilhar.

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