A evolução da fofura e o bebê de 2 meses

Da primeira vez que minha esposa deixou nosso bebê para eu cuidar enquanto ela colocou meu macacãozinho preferido nele. Como ficar indiferente àquela coisinha fofa quando ele precisou de mim?

Como resistir? A fofura do bebê pode ser produto da evolução para despertar nosso instinto de proteção e cuidado. (Imagem: bebeequilibrado.com)

A mesma estratégia que minha esposa fez vem sendo repetida pela seleção natural há muitas gerações. Provavelmente toda a aparência de um bebezinho é produto de um longo processo de seleção. Ao que tudo indica, olhos grandes, bochechas redondas, uma cabeçona com boca e nariz pequenos têm um efeito cativante sobre todo ser humano, aumentando a chance de que os donos dessas características sejam protegidos e cuidados.

Em comportamento animal, sempre que um sinal é aproveitado para uma nova finalidade na comunicação, chamamos isso de exploração sensorial. Um exemplo seriam os lebistes. Parece que as fêmeas desse peixe adoram frutinhos alaranjados porque eles possuem um nutriente essencial para elas. Casualmente, alguns machos desenvolveram manchas laranja na cauda e se tornaram os queridinhos das meninas. É provavelmente isso que ocorre com bebês.

Para confirmar basta olhar os bonzinhos e os malvados numa animação do tipo Pokemon. Em geral vilões têm espinhos, olhos pequenos e uma boca com dentes grandes. Os mocinhos, por outro lado, tendem a lembrar a forma de um bebê, sendo roliços e de olhos grandes.

Qual dos personagens acima você diria que é o mocinho e qual é o vilão? Formas arredondadas com cabeça e olhos grandes são naturalmente cativantes. (Imagem: pokemon.com)

Qual dos personagens acima você diria que é o mocinho e qual é o vilão? Formas arredondadas com cabeça e olhos grandes são naturalmente cativantes. (Imagem: pokemon.com)

E como teria evoluído esse padrão? Imaginemos que, por algum motivo essas formas já apelassem a alguns adultos, que houvesse um gene para o gosto pela fofura. Quando seus bebês nasceram eles herdaram essa preferência. Dentre esses bebês, alguns eram mais rechonchudos e tinham olhos maiores, outros não. Imaginemos que exista um gene da fofura também. Os donos das características mais cativantes foram mais bem cuidados e tiveram maiores chances de sobreviver à infância. Por isso eles produziriam filhos igualmente ou mais fofos, mas também teriam maior propensão a cuidar desses bebês. Melhor cuidada, essa segunda geração, ainda mais fofa que a anterior, cresceria mais saudável, melhor cuidada, até chegar a sua vez de ter filhos. Os bebês da terceira geração poderiam nascer até mais fofos que seus pais, que teriam uma grande propensão a proteger esses bebês. E assim por diante.

Perceberam como forma-se uma espiral de evolução explosiva a partir do momento em que esses genes passarem a viajar juntos nos corpos dos bebês? O bebê com genes para ser fofo também carrega os genes para cuidar de seres fofos, potencializando a seleção da fofura ao extremo que temos atualmente. Os evolucionistas, com suas teorias, chamam isso de seleção “runaway”. Pessoalmente, prefiro chamar de cute-cute.

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