{"id":2270,"date":"2016-10-18T14:54:22","date_gmt":"2016-10-18T17:54:22","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/bessa\/?p=2270"},"modified":"2016-10-18T14:54:22","modified_gmt":"2016-10-18T17:54:22","slug":"de-volta-a-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/bessa\/2016\/10\/18\/de-volta-a-vida\/","title":{"rendered":"De volta \u00e0 vida"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 primavera. Aqui no cerrado as chuvas come\u00e7am a voltar. Na parte mais ao sul do Brasil s\u00e3o as temperaturas que sobem. Por todo lado a vida recome\u00e7a.<\/p>\n<p>Sempre que o ambiente imp\u00f5e condi\u00e7\u00f5es dif\u00edceis demais \u00e0 vida, uma op\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel para os animais (e as plantas tamb\u00e9m) \u00e9 abrir m\u00e3o da vida. N\u00e3o no sentido de se deixar, ou de se fazer, morrer, mas no sentido de abdicar dos processos vitais pelo menos enquanto as coisas andarem dif\u00edceis demais. Nesse caso, os organismos reduzem drasticamente seu metabolismo, o consumo de nutrientes, oxig\u00eanio e \u00e1gua, paralisam seu crescimento e o investimento reprodutivo e ficam ali, esperando as coisas melhorarem para retomar tudo isso depois. Estes processos s\u00e3o conhecidos por dorm\u00eancia.<\/p>\n<div style=\"width: 286px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/encrypted-tbn0.gstatic.com\/images?q=tbn:ANd9GcTPSAmt3QxJGkHqao8tZooMYKIGMD-F2zdpOrbUDzU-oM42gPfZ\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/encrypted-tbn0.gstatic.com\/images?q=tbn:ANd9GcTPSAmt3QxJGkHqao8tZooMYKIGMD-F2zdpOrbUDzU-oM42gPfZ\" width=\"276\" height=\"183\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Tem hora que n\u00e3o tem jeito, \u00e9 preciso despertar. (imagem: John Connell)<\/p><\/div>\n<p>H\u00e1 diversos processos diferentes relacionados \u00e0 depress\u00e3o metab\u00f3lica dos animais, como a diapausa, o torpor, a hiberna\u00e7\u00e3o e a dorm\u00eancia. A dura\u00e7\u00e3o, intensidade da economia energ\u00e9tica e os gatilhos que desencadeiam cada processo de dorm\u00eancia diferem de um tipo para o outro.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m existem diferentes esp\u00e9cies que entram em dorm\u00eancia metab\u00f3lica nos mais diversos grupos animais. Mesmo protozo\u00e1rios podem se encistar para evitar a perda de \u00e1gua, a falta de um hospedeiro nas esp\u00e9cies parasitas ou a escassez alimentar. Outros animais que encistam (e insistem em continuar vivos) s\u00e3o os vermes nemat\u00f3ides e platelmintos, assim como os legend\u00e1rios e indestrut\u00edveis tard\u00edgrados. Moluscos, minhocas e at\u00e9 peixes pulmonados evitam a morte por congelamento e a perda de \u00e1gua entrando em estiva\u00e7\u00e3o. Mam\u00edferos se escondem do frio e da desnutri\u00e7\u00e3o hibernando. Pequenos mam\u00edferos e aves de metabolismo extremamente alto, como morcegos, camundongos e beija-flores, diariamente entram em torpor para evitar o desperd\u00edcio energ\u00e9tico. Os insetos e os embri\u00f5es dos peixes anuais entram em diapausa durante per\u00edodos de seca intensa. Todos estes grupos s\u00e3o salvos da morte a cada ano (ou mesmo diariamente) gra\u00e7as aos processos de dorm\u00eancia.<\/p>\n<p>A exist\u00eancia \u00e9 um processo delicado que precisa se equilibrar numa corda bamba entre e exist\u00eancia e o desaparecimento. Cruelmente, a sina de todo ser vivo (pelo menos dos sexuados, mas isso fica para uma outra postagem) \u00e9 sempre acabar morrendo, a diferen\u00e7a entre o sucesso ou o fracasso biol\u00f3gico est\u00e1 no que voc\u00ea conseguiu realizar enquanto se equilibrava. A dorm\u00eancia animal aparelha diferentes organismos a se manterem vivos ainda que o ambiente esteja hostil num dado momento, um verdadeiro al\u00edvio para a manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade. Todos passamos por isso, momentos mais dif\u00edceis nos quais suspendemos partes de nossas atividades e mantemos apenas o que for vital, mas chega uma hora em que \u00e9 poss\u00edvel e necess\u00e1rio seguir em frente. O Ci\u00eancia \u00e0 Bessa est\u00e1 de volta!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 primavera. Aqui no cerrado as chuvas come\u00e7am a voltar. Na parte mais ao sul do Brasil s\u00e3o as temperaturas que sobem. Por todo lado a vida recome\u00e7a. Sempre que o ambiente imp\u00f5e condi\u00e7\u00f5es dif\u00edceis demais \u00e0 vida, uma op\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel para os animais (e as plantas tamb\u00e9m) \u00e9 abrir m\u00e3o da vida. 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