{"id":539,"date":"2011-03-24T15:38:23","date_gmt":"2011-03-24T18:38:23","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/bessa\/2011\/03\/doutores_demais\/"},"modified":"2011-03-24T15:38:23","modified_gmt":"2011-03-24T18:38:23","slug":"doutores_demais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/bessa\/2011\/03\/24\/doutores_demais\/","title":{"rendered":"Doutores demais?"},"content":{"rendered":"<div align=\"right\">Ao <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/rnam\">Rafael<\/a>, que nada disso o aflija<\/div>\n<p>Algumas semanas atr\u00e1s saiu na Nature (<a href=\"http:\/\/www.nature.com\/news\/2011\/110302\/full\/471007a.html\">Jenifer Rohn, Give postdocs a career, not empty promises. <span class=\"journalname\">Nature<\/span>     <span class=\"journalnumber\">471<\/span>,        7         (2011); doi:10.1038\/471007a<\/a>) uma mat\u00e9ria acerca do que fazer com os doutores que se formam sem que haja vagas suficientes para absorv\u00ea-los. A autora sugere abrir uma nova carreira de pesquisador auxiliar em um laborat\u00f3rio j\u00e1 estabelecido e reduzir o n\u00famero de pessoas aceitas para o doutorado ou o p\u00f3s-doutorado em fun\u00e7\u00e3o do n\u00famero de vagas dispon\u00edveis no mercado de trabalho, evitando assim as falsas esperan\u00e7as referidas no t\u00edtulo. O texto desencadeou uma onda de coment\u00e1rios que eu nunca tinha visto em mat\u00e9rias desta coluna. Boa parte deles fizeram dos coment\u00e1rios um consult\u00f3rio sentimental dando vaz\u00e3o a seus medos e experi\u00eancias ruins. No entanto, n\u00e3o me senti de todo confort\u00e1vel com a posi\u00e7\u00e3o da autora, ao que responderei aqui.<br \/>O principal temor da autora era a escalada de buscas por cursos de p\u00f3s-doc como uma alternativa \u00e0 falta de um emprego formal para os pesquisadores (<a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/brontossauros\/2009\/06\/10_razoes_para_se_contratar_um.php\">e tenham em mente que no exterior a ind\u00fastria tem muito mais olhos para os cientistas do que no Brasil<\/a>, ampliando a \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o do cientista). De fato, <a href=\"http:\/\/www.nature.com\/nature\/journal\/v470\/n7332\/full\/nj7332-129a.html\">outra mat\u00e9ria da Nature<\/a> aponta que 43% dos doutores formados procuram um p\u00f3s-doutorado, 16% fazem um segundo p\u00f3s doc e 3,6% um terceiro. N\u00e3o se sabe quantos destes o fazem em busca de maior conhecimento, incremento das redes de trabalho ou para aprender uma nova t\u00e9cnica, mas a autora acredita que a maioria \u00e9 levada ao p\u00f3s-doutorado simplesmente por falta de emprego. <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/bessa\/2011\/02\/doutores_e_o_mercado_de_trabal.php\">Felizmente o Brasil passa por um per\u00edodo diferente deste anunciado nas duas mat\u00e9rias, pelo menos em compara\u00e7\u00e3o com o passado recente<\/a>. A crise financeira ainda afeta o or\u00e7amento de muitas institui\u00e7\u00f5es de pesquisa nos EUA e na Europa, enquanto que a pol\u00edtica brasileira tem investido fortemente nas universidades, <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/bessa\/2011\/03\/doutores_e_o_mercado_de_trabal_1.php\">inclusive em contrata\u00e7\u00f5es<\/a>. Desta forma, talvez estejamos em situa\u00e7\u00e3o menos desesperadora. E \u00e9 exatamente por a\u00ed que vai minha discuss\u00e3o.<br \/>Se uma coisa \u00e9 certa nesse mundo \u00e9 que <a href=\"http:\/\/translate.google.com.br\/translate?hl=pt-BR&amp;langpair=en%7Cpt&amp;u=http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/This_too_shall_pass\">as coisas ir\u00e3o muda<\/a>r. Se est\u00e3o boas ir\u00e3o piorar, se est\u00e3o ruins uma hora melhoram. Ent\u00e3o, se reduzimos hoje as vagas de doutorado e p\u00f3s-doc, o que nos garante que em breve o n\u00famero de empregos n\u00e3o ir\u00e1 aumentar e ent\u00e3o teremos escassez de pessoas aptas a ocup\u00e1-las? Cercear a qualifica\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 disponibilidade de empregos seria um tiro no p\u00e9. Imagine se quando o mercado mudasse os cursos de p\u00f3s reabrissem suas vagas de doutorado. Vagas n\u00e3o podem esperar por quatro anos para serem preenchidas, elas terminariam por ser ocupadas por pessoas com menor qualifica\u00e7\u00e3o e os doutores formados dali a quatro anos permaneceriam sem emprego. Assim como a institui\u00e7\u00e3o que teve que se dobrar e contratar mestres teria de abrir m\u00e3o deles em seguida para que estes se qualificassem.<br \/>Em conclus\u00e3o, formar profissionais que ter\u00e3o que duelar a faca as vagas existentes pode ser uma <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/rainha\/2011\/03\/a_usp_forma_bons_alunos_ou_sel.php\">boa maneira de obter os melhores<\/a>, mas n\u00e3o \u00e9 por isso que vale a pena manter as taxas atuais de p\u00f3s-graduados. Flutua\u00e7\u00f5es que vir\u00e3o com o tempo t\u00eam que ser previstas e supridas pelos <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/bessa\/2010\/08\/entrevista_com_gilson_volpato.php\">pensadores que devem ser formados na p\u00f3s gradua\u00e7\u00e3o<\/a>.<\/p>\n<div class=\"zemanta-pixie\"><img decoding=\"async\" class=\"zemanta-pixie-img\" alt=\"\" src=\"http:\/\/img.zemanta.com\/pixy.gif?x-id=f95e7c7b-cea0-8fc8-89ae-4793535649a0\" \/><\/div>\n<p class=\"scribefire-powered\">Powered by <a href=\"http:\/\/www.scribefire.com\/\">ScribeFire<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao Rafael, que nada disso o aflija Algumas semanas atr\u00e1s saiu na Nature (Jenifer Rohn, Give postdocs a career, not empty promises. Nature 471, 7 (2011); doi:10.1038\/471007a) uma mat\u00e9ria acerca do que fazer com os doutores que se formam sem que haja vagas suficientes para absorv\u00ea-los. 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