{"id":158,"date":"2012-03-16T14:00:35","date_gmt":"2012-03-16T17:00:35","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/caapora\/?p=158"},"modified":"2012-03-16T14:00:35","modified_gmt":"2012-03-16T17:00:35","slug":"perdido-e-achado-o-tie-bicudo-conothraupis-mesoleuca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/caapora\/2012\/03\/16\/perdido-e-achado-o-tie-bicudo-conothraupis-mesoleuca\/","title":{"rendered":"Perdido e achado: o ti\u00ea-bicudo, Conothraupis mesoleuca"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\">por Rafael Marcondes<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Muita gente costuma achar que a maioria dos animais e plantas j\u00e1 s\u00e3o bem conhecidos e n\u00e3o falta muito a se descobrir. Um dos objetivos do Caapora \u00e9 revelar que essa cren\u00e7a est\u00e1 muito longe da realidade: nossa fauna \u00e9 t\u00e3o diversa e o Brasil \u00e9 t\u00e3o grande e relativamente pouco explorado cientificamente que todo ano s\u00e3o descritas dezenas de novas esp\u00e9cies de animais no nosso pa\u00eds, incluindo at\u00e9 mesmo aves, que supostamente est\u00e3o entre os grupos de animais mais bem estudados. Mas talvez mais interessante e surpreendente do que a descri\u00e7\u00e3o de novas esp\u00e9cies \u00e9 o fato de que h\u00e1 diversos casos de aves que foram descritas h\u00e1 d\u00e9cadas ou \u00e0s vezes quase um s\u00e9culo atr\u00e1s e nunca mais foram vistas! Os \u00faltimos anos, felizmente, t\u00eam visto uma s\u00e9rie de redescobertas destas esp\u00e9cies conhecidas apenas de sua descri\u00e7\u00e3o. Como minha primeira contribui\u00e7\u00e3o nessa empreitada do Caapora para revelar as camadas mais obscuras da fauna brasileira, o tema desse post \u00e9 uma dessas aves \u201cperdidas e achadas\u201d: o ti\u00ea-bicudo, <em>Conothraupis mesoleuca<\/em>.<img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/caapora\/wp-includes\/js\/tinymce\/plugins\/wordpress\/img\/trans.gif\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O ti\u00ea-bicudo foi descrito pelo zo\u00f3logo franc\u00eas Jacques Berlioz em 1939 com base em um \u00fanico macho coletado no ano anterior por J. A. Vellard, um especialista em aranhas que era o naturalista de uma expedi\u00e7\u00e3o pelo Brasil do famoso antrop\u00f3logo Claude L\u00e9vi-Strauss. Esse esp\u00e9cime, o hol\u00f3tipo da esp\u00e9cie (principal indiv\u00edduo no qual se baseia a descri\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie nova), encontra-se at\u00e9 hoje no Mus\u00e9um National d\u2019Histoire Naturelle, em Paris e, segundo Berlioz, foi coletado em \u201cJuruena, northeast of Cuyaba\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por mais de seis d\u00e9cadas que seguiram \u00e0 sua descoberta o ti\u00ea-bicudo jamais voltou a ser encontrado, tornando-se uma das maiores inc\u00f3gnitas da ornitologia neotropical. Por praticamente 64 anos tudo que se sabia sobre a esp\u00e9cies resumia-se ao esp\u00e9cime coletado por Vellard e as poucas informa\u00e7\u00f5es fornecidas em sua descri\u00e7\u00e3o. Informa\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas permaneceram completamente ignoradas por todo esse tempo, como por exemplo a morfologia da f\u00eamea, vocaliza\u00e7\u00e3o, alimenta\u00e7\u00e3o e demais aspectos sobre sua biologia. N\u00e3o por acaso o ti\u00ea-bicudo chegou praticamente a ser considerado extinto.<\/p>\n<div style=\"width: 577px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.revistafilosofia.com.br\/eslh\/Edicoes\/15\/imprime120018.asp\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.revistafilosofia.com.br\/eslh\/Edicoes\/15\/imagens\/i84541.jpg\" alt=\"\" width=\"567\" height=\"493\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">L\u00e9vi-Strauss acampado \u00e0 beira do rio Machado, onde ficou quinze dias entre outubro e novembro de 1938, com alguns \u00edndios tupi-cava\u00edba. Agarrando-se \u00e0 bota dele, est\u00e1 a macaquinha Lucinda, que o antrop\u00f3logo adotou durante a viagem. Clique na imagem para ser direcionado a reportagem da revista Leituras da Hist\u00f3ria sobre esse famoso antrop\u00f3logo que chefiou a expedi\u00e7\u00e3o em que foi descoberto o ti\u00ea-bicudo.<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">Os poucos ornit\u00f3logos que se empenharam em redescobrir a esp\u00e9cie esbarravam em uma outra dificuldade al\u00e9m de sua raridade: o rio Juruena fica a noroeste de Cuiab\u00e1, n\u00e3o a nordeste, como mencionado por Berlioz, o que levantava certa suspeita sobre o real local de coleta da esp\u00e9cie. Essa hist\u00f3ria s\u00f3 come\u00e7ou a mudar em 2003, quando o ti\u00ea-bicudo foi encontrado no Parque Nacional das Emas, no estado de Goi\u00e1s, surpreendentemente a 750 km de dist\u00e2ncia do rio Juruena! (Buzzeti &amp; Carlos, 2005) Desde ent\u00e3o, o ti\u00ea-bicudo, inclusive f\u00eameas, tem sido regularmente observado nessa localidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas a virada mesmo para o ti\u00ea-bicudo s\u00f3 veio tr\u00eas anos depois, em 2006, quando o ornit\u00f3logo Carlos Ernesto Candia-Gallardo, da Universidade de S\u00e3o Paulo, gravou e fotografou um macho da esp\u00e9cie \u00e0s margens do rio Juruena, na regi\u00e3o da Chapada dos Parecis, estado do Mato Grosso. Esse registro acabou levando ao primeiro estudo da esp\u00e9cie desde sua descri\u00e7\u00e3o, publicado por Candia-Gallardo em 2010 na revista Bird Conservation International, em parceria com Lu\u00eds F\u00e1bio Silveira e Adriana Akeni Kuniy. \u00c9 desse artigo que retiro a maior parte da informa\u00e7\u00e3o nesse post.<\/p>\n<div style=\"width: 522px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.wikiaves.com.br\/midias.php?t=s&amp;s=11549\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.wikiaves.com.br\/fotos\/m0370\/370134.jpg\" alt=\"\" width=\"512\" height=\"363\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Ti\u00ea-bicudo, Conothraupis mesoleuca. Fotografado por Carlos Candia-Gallardo no local de sua descoberta original. Clique na imagem para ver mais fotos da esp\u00e9cie no Wikiaves.<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">A grava\u00e7\u00e3o do canto da esp\u00e9cie nesse primeiro encontro permitiu, atrav\u00e9s da t\u00e9cnica do play-back (em que aves, altamente territoriais, s\u00e3o atra\u00eddas pela reprodu\u00e7\u00e3o do canto de sua pr\u00f3pria esp\u00e9cie), a localiza\u00e7\u00e3o de mais indiv\u00edduos em diversas localidades na mesma regi\u00e3o. Descobriu-se que o h\u00e1bitat preferencial da esp\u00e9cie s\u00e3o matas ou campinas alagadas ao longo de rios, contrariando a descri\u00e7\u00e3o original da esp\u00e9cie, que dava o h\u00e1bitat como \u201carid forest or scrub\u201d. Isso talvez ajude a explicar por que o ti\u00ea-bicudo passou tantos anos desaparecido: os ornit\u00f3logos estavam simplesmente procurando no h\u00e1bitat errado!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"http:\/\/www.wikiaves.com.br\/502642&amp;p=1&amp;tm=s&amp;t=u&amp;u=1414&amp;s=11549\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Clique para ouvir a vocaliza\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie gravada por Bruno Salaroli e dispon\u00edvel no site Wikiaves.<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A redescoberta tamb\u00e9m levou \u00e0 primeira descri\u00e7\u00e3o detalhada da f\u00eamea do ti\u00ea-bicudo, com base em um esp\u00e9cime coletado e depositado no Museu de Zoologia da USP, onde ficar\u00e1 para sempre dispon\u00edvel a todos os pesquisadores interessados em estudar a esp\u00e9cie.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os pesquisadores que redescobriram o ti\u00ea-bicudo tamb\u00e9m esclareceram com precis\u00e3o a localidade-tipo da esp\u00e9cie (localidade onde foi coletado o hol\u00f3tipo). Pesquisando nos di\u00e1rios de Castro Faria, um antrop\u00f3logo brasileiro que tamb\u00e9m acompanhava a expedi\u00e7\u00e3o de L\u00e9vi-Strauss, descobriram que na data em que o ti\u00ea-bicudo foi coletado, Vellard estava acampado na Esta\u00e7\u00e3o Telegr\u00e1fica de Juruena (a noroeste de Cuiab\u00e1, confirmando o erro na descri\u00e7\u00e3o original). Essa esta\u00e7\u00e3o era parte da linha telegr\u00e1fica completada em 1915 pela comiss\u00e3o liderada pelo marechal C\u00e2ndido Rondon, e que at\u00e9 a d\u00e9cada de 1960 era o \u00fanico acesso \u00e0quela regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Observou-se que o ti\u00ea-bicudo vive geralmente solit\u00e1rio ou em casais, e alimenta-se de insetos e principalmente sementes. Esse h\u00e1bito alimentar n\u00e3o \u00e9 comum dentre os Thraupidae, a fam\u00edlia em que o ti\u00ea-bicudo tem sido classificado e que tamb\u00e9m inclui os demais tipos de ti\u00eas, as sa\u00edras, sa\u00eds e sanha\u00e7os. Isso nos leva a um dos aspectos mais surpreendentes sobre o ti\u00ea-bicudo: ele talvez sequer seja um ti\u00ea! O comportamento em geral da esp\u00e9cie, incluindo h\u00e1bitos alimentares e a vocaliza\u00e7\u00e3o, e os padr\u00f5es de plumagem assemelham-se mais aos de esp\u00e9cies de outra fam\u00edlia, os Emberizidae, que inclui aves como os tico-ticos, os cardeais e os papa-capins. Especificamente, a plumagem, formato do bico e h\u00e1bitat do ti\u00ea-bicudo s\u00e3o muito semelhantes aos do papa-capim-de-coleira, <em>Dolospingus fringilloides<\/em>, uma esp\u00e9cie pouco conhecida da fam\u00edlia Emberizidae que vive no norte do Brasil, Venezuela e Col\u00f4mbia. Estudos do esqueleto e moleculares (lembrando que apesar da redescoberta, o ti\u00ea-bicudo ainda \u00e9 absolutamente desconhecido do ponto de vista gen\u00e9tico e da anatomia interna) poder\u00e3o revelar o verdadeiro parentesco do ti\u00ea(?)-bicudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O cap\u00edtulo mais recente na hist\u00f3ria do ti\u00ea-bicudo veio em 2010, quando o ornit\u00f3logo Guilherme R. R. Brito e colegas, do Museu Nacional da UFRJ, descobriram na Serra do Cachimbo, no Par\u00e1, mais uma nova popula\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie. Essa popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 a 400km do alto Juruena e a 1000km do Parque Nacional das Emas. Para uma esp\u00e9cie que passou d\u00e9cadas desaparecida, a distribui\u00e7\u00e3o do ti\u00ea-bicudo est\u00e1 se revelando mais ampla do se imaginava, ressaltando que uma das principais raz\u00f5es para o &#8220;sumi\u00e7o&#8221; foi a simples falta de explora\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Sabendo onde e como procurar, aos poucos o ti\u00ea-bicudo est\u00e1 se revelando. Quantas esp\u00e9cies desaparecidas ou novas ser\u00e1 que n\u00e3o est\u00e3o por a\u00ed nesse Brasil, esperando serem (re)descobertas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Infelizmente, esse post tem que terminar com um par\u00e1grafo sombrio. O ti\u00ea-bicudo est\u00e1 criticamente amea\u00e7ado de extin\u00e7\u00e3o, e estima-se que existam apenas entre 50 e 250 indiv\u00edduos vivos da esp\u00e9cie, somando as popula\u00e7\u00f5es do Parque Nacional das Emas e do alto rio Juruena (BirdLife, 2011) &#8211; a nova popula\u00e7\u00e3o, na Serra do Cachimbo, ainda n\u00e3o entrou nesse c\u00e1lculo. Seu h\u00e1bitat, \u00e1reas alag\u00e1veis \u00e0s margens de rios, \u00e9 naturalmente fragmentado e vulner\u00e1vel, e toda a regi\u00e3o do Centro-Oeste brasileiro est\u00e1 sob forte expans\u00e3o agr\u00edcola, principalmente da soja. Para piorar a situa\u00e7\u00e3o, a regi\u00e3o do alto Juruena \u00e9 alvo de projetos de nada menos do que doze usinas hidrel\u00e9tricas, sendo duas de grande porte. Pelo menos cinco j\u00e1 est\u00e3o em constru\u00e7\u00e3o (http:\/\/www.oeco.com.br\/reportagens\/37-reportagens\/23761-o-bicudo-e-as-barragens). Os alagamentos causados por essas usinas podem suprimir grande parte do h\u00e1bitat da esp\u00e9cie. Talvez o ti\u00ea-bicudo tenha sido redescoberto apenas para logo ser perdido de novo, dessa vez para sempre. Ou bem a tempo de ser salvo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Refer\u00eancias:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"http:\/\/www.birdlife.org\/datazone\/speciesfactsheet.php?id=9217\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">BirdLife, 2011. Species factsheet: <em>Conothraupis\u00a0mesoleuca.<\/em><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Brito, G. R. R. et al. 2011. First record of the Cone-Billed Tanager (<em>Conothraupis mesoleuca<\/em>) in Par\u00e1 state, Brazil, with inferences about its potential distribution. <a href=\"http:\/\/www.ixconperu2011.org\/adjuntos\/Libro_de_Resumenes.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Libro de Resumenes &#8211; IX Congresso de Ornitologia Neotropical<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Buzzeti, D. e Carlos, B. A. 2005. A redescoberta do ti\u00ea-bicudo (<em>Conothraupis mesoleuca<\/em>) (Berlioz, 1939). Atualidades Ornitol\u00f3gicas, vol. 127, p. 4\u20135.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"http:\/\/carloscandia.webs.com\/files\/Candia-Gallardo%20et%20al%202010%20%28cone-billed%20tanager%29.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Candia-Gallardo, C. E., et al. 2010. A new population of the Cone-billed Tanager <em>Conothraupis mesoleuca<\/em>, with information on the biology, behaviour and type locality of the species. Bird Conservation International. vol. 20, n. 2, p. 149-160.<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Rafael Marcondes Muita gente costuma achar que a maioria dos animais e plantas j\u00e1 s\u00e3o bem conhecidos e n\u00e3o falta muito a se descobrir. Um dos objetivos do Caapora \u00e9 revelar que essa cren\u00e7a est\u00e1 muito longe da realidade: nossa fauna \u00e9 t\u00e3o diversa e o Brasil \u00e9 t\u00e3o grande e relativamente pouco explorado [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":519,"featured_media":200,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[2,6,19],"tags":[],"class_list":["post-158","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-biodiversidade","category-descobertas","category-ornitologia"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/caapora\/wp-content\/uploads\/sites\/209\/2012\/03\/trans.gif","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/caapora\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/158","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/caapora\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/caapora\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/caapora\/wp-json\/wp\/v2\/users\/519"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/caapora\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=158"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/caapora\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/158\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/caapora\/wp-json\/wp\/v2\/media\/200"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/caapora\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=158"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/caapora\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=158"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/caapora\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=158"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}