{"id":274,"date":"2012-04-24T16:20:20","date_gmt":"2012-04-24T19:20:20","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/caapora\/?p=274"},"modified":"2012-04-24T16:20:20","modified_gmt":"2012-04-24T19:20:20","slug":"a-invisivel-lagoa-da-turfeira-uma-tragedia-ambiental-anunciada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/caapora\/2012\/04\/24\/a-invisivel-lagoa-da-turfeira-uma-tragedia-ambiental-anunciada\/","title":{"rendered":"A invis\u00edvel Lagoa da Turfeira, uma trag\u00e9dia ambiental anunciada&#8230;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\">por Luciano Moreira Lima<\/p>\n<p><em>Uma das \u00faltimas grandes \u00e1reas \u00famidas da regi\u00e3o sul fluminense corre s\u00e9rio risco de desaparecer \u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Das milhares de pessoas que diariamente passam pelo km 299 da Rod. Presidente Dutra (BR 116), poucas devem notar que contornada a oeste por uma abrupta curva do rio Para\u00edba do Sul est\u00e1 uma das \u00faltimas grandes \u00e1reas \u00famidas naturais da regi\u00e3o sul fluminense, a Lagoa da Turfeira (tamb\u00e9m conhecida como Lagoa da Kodak devido a proximidade com uma antiga f\u00e1brica da referida empresa). Essa situa\u00e7\u00e3o, no entanto, causa pouco espanto j\u00e1 que a grande lagoa parece n\u00e3o ser invis\u00edvel apenas para os motoristas concentrados na estrada. N\u00e3o adianta procurar pelos seus cerca de 700.000 metros<sup>2<\/sup> em um detalhado mapa hidrogr\u00e1fico do munic\u00edpio de Resende produzido em parceria com a prefeitura municipal &#8211;<a title=\"hidrografia resende\" href=\"http:\/\/www.nima.puc-rio.br\/index.php\/pt\/projetos-do-nima\/educacao-ambiental\/resende\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">dispon\u00edvel aqui<\/a> \u2013. Voc\u00ea n\u00e3o ver\u00e1 a indica\u00e7\u00e3o de nem um pingo d\u2019\u00e1gua em seu local. Fato no m\u00ednimo inusitado, uma vez que lagoas at\u00e9 10 vezes menores s\u00e3o corretamente indicadas no mapa e se dos dermos conta que a Lagoa da Turfeira pode ser claramente observada a mais de 10.000 metros de altitude via Google Earth.<\/p>\n<div id=\"attachment_276\" style=\"width: 555px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/caapora\/2012\/04\/a-invisivel-lagoa-da-turfeira-uma-tragedia-ambiental-anunciada\/turfeira\/\" rel=\"attachment wp-att-276\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-276\" class=\"size-medium wp-image-276\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/caapora\/wp-content\/uploads\/sites\/209\/2012\/04\/turfeira-545x281.jpg\" alt=\"\" width=\"545\" height=\"281\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-276\" class=\"wp-caption-text\">Vista panor\u00e2mica da Lagoa da Turfeira onde \u00e9 poss\u00edvel ver o Rio Para\u00edba do Sul a direita. Resende, RJ. Fonte: GoogleEarth<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">Se uma \u00e1rea equivalente a mais de 70 campos de futebol pode passar desapercebida, imagine aqueles que a habitam, como o diminuto tricolino (<em>Pseudocolopteryx sclateri<\/em>) de topete invocado e m\u00edseros 9,5 cms. N\u00e3o bastasse o tamanho, esse bonito passarinho vive apenas no meio de densas moitas de taboa (<em>Typha domingensis<\/em>), uma das plantas mais caracter\u00edsticas de \u00e1reas alagadas no Brasil. \u00a0Ornit\u00f3logos e observadores de aves sabem que para poder observ\u00e1-lo n\u00e3o basta apenas vontade \u00e9 preciso se embrenhar-se no taboal, muitas vezes afundar com \u00e1gua acima do joelho e ficar de ouvidos atentos ao seu discret\u00edssimo canto \u2013 <a title=\"voz tricolino\" href=\"http:\/\/www.wikiaves.com.br\/337620&amp;p=1&amp;tm=s&amp;t=s&amp;s=11228\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ou\u00e7a aqui<\/a> &#8211; .<\/p>\n<div id=\"attachment_277\" style=\"width: 555px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/caapora\/2012\/04\/a-invisivel-lagoa-da-turfeira-uma-tragedia-ambiental-anunciada\/167221g\/\" rel=\"attachment wp-att-277\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-277\" class=\"size-medium wp-image-277\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/caapora\/wp-content\/uploads\/sites\/209\/2012\/04\/167221g-545x363.jpg\" alt=\"\" width=\"545\" height=\"363\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-277\" class=\"wp-caption-text\">O pequeno e simp\u00e1tico tricolino (Pseudocolopteryx sclateri). Foto: Bruno Renn\u00f3.<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">Mais de 11 anos de visitas regulares a Lagoa da Turfeira e seu entorno imediato realizadas em parceria com o amigo e tamb\u00e9m ornit\u00f3logo Bruno Renn\u00f3, resultaram no registro n\u00e3o apenas do discreto tricolino mas tamb\u00e9m de pelo menos outras 169 esp\u00e9cies de aves silvestres no local. Nesse total, que representa cerca de 20% das aves do Estado do Rio de Janeiro, est\u00e3o inclu\u00eddas esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o em \u00e2mbito estadual e diversas aves migrat\u00f3rias paras quais a lagoa representa um importante ref\u00fagio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os resultados desse estudo \u2013 <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/caapora\/wp-content\/uploads\/sites\/209\/2012\/04\/Resumo_LagoadaKodak.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">parcialmente apresentados no XVI Congresso Brasileiro de Ornitologia<\/a> &#8211; tornaram evidente a import\u00e2ncia da Lagoa da Turfeira para conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade fluminense e auxiliaram na sensibiliza\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico municipal para que algo fosse feito em prol da sua preserva\u00e7\u00e3o . Dessa forma, em 2010 a Ag\u00eancia do Meio Ambiente do Munic\u00edpio de Resende elaborou o documento <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/caapora\/wp-content\/uploads\/sites\/209\/2012\/04\/RELAT\u00d3RIO-INDICA\u00c7\u00c3O-RPPN-BANHADO.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u201cEstudo T\u00e9cnico Preliminar para Constitui\u00e7\u00e3o de \u00c1rea Protegida no Banhado da Kodak\u201d<\/a>, e entre as principais conclus\u00f5es estavam:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cA cria\u00e7\u00e3o e implanta\u00e7\u00e3o de unidade de conserva\u00e7\u00e3o no Banhado da Kodak alinha-se aos compromissos internacionais do Brasil de proteger o ambiente, conforme metas estabelecidas pela ONU, em se tratando do Ano Internacional da Biodiversidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A cria\u00e7\u00e3o e implanta\u00e7\u00e3o da unidade acarretar\u00e1 ainda um aumento do ICMS do munic\u00edpio, conforme prev\u00ea a Lei no 5.100 de 04 de outubro de 2007 e o Decreto no 41.101 de 27 de dezembro de 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Constata-se, portanto, que a unidade trar\u00e1 grandes benef\u00edcios para o munic\u00edpio [\u2026]\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\">Dois anos se passaram ap\u00f3s finaliza\u00e7\u00e3o desse documento e aos poucos a Lagoa foi novamente caindo no esquecimento dos \u00f3rg\u00e3o governamentais, at\u00e9 a semana passada. Na \u00faltima quinta-feira (19\/04), alertado por amigos, descobri que a prefeitura Municipal de Resende \u00a0havia orgulhosamente publicado uma imagem da Lagoa invis\u00edvel em sua p\u00e1gina do Facebook acompanhada de alguns par\u00e1grafos de not\u00edcia. No entanto, ao inv\u00e9s do t\u00edtulo fazer qualquer men\u00e7\u00e3o a alguma a\u00e7\u00e3o visando a conserva\u00e7\u00e3o da \u00e1rea l\u00e1 estava: \u201cAs obras da Nissan\u201d. Meio sem rumo e sem querer acreditar no que eu havia lido me dei conta que n\u00e3o apenas n\u00e3o seria feito nada para conservar a Lagoa como tamb\u00e9m estava sendo orgulhosamente anunciada o que poderia se tornar em uma das maiores trag\u00e9dias ambientais recentes da regi\u00e3o sul fluminense. Esperei o final de semana chegar e fui para casa em Resende ver com meus pr\u00f3prios olhos a situa\u00e7\u00e3o da \u00e1rea.<\/p>\n<div id=\"attachment_279\" style=\"width: 555px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/caapora\/wp-content\/uploads\/sites\/209\/2012\/04\/nissan.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-279\" class=\"size-medium wp-image-279\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/caapora\/wp-content\/uploads\/sites\/209\/2012\/04\/nissan-545x424.jpg\" alt=\"\" width=\"545\" height=\"424\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-279\" class=\"wp-caption-text\">Lagoa da Turfeira na p\u00e1gina do FaceBook da Prefeitura Municipal de Resende.<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">Era por volta de 14:00 do \u00faltimo s\u00e1bado (21\/04). Da Dutra j\u00e1 era poss\u00edvel ver uma gigantesca \u00e1rea de terra exposta meio enevoada pela poeira levantada pelo ir e vir constante de uma verdadeira frota de m\u00e1quinas escavadeiras e caminh\u00f5es. Segui pela estrada de ch\u00e3o paralela a lagoa e encarado pelo olhar apreensivo das pessoas que l\u00e1 trabalhavam fui desviando das escavadeira e caminh\u00f5es. O barulho constante dos motores e a poeira contribu\u00edam deixando o cen\u00e1rio de destrui\u00e7\u00e3o ainda mais desolado e logo me dei conta que eu n\u00e3o era o \u00fanico perdido por ali, uma gar\u00e7a-branca-grande (<em>Ardea alba<\/em>) e duas gar\u00e7as-brancas-pequenas (<em>Egretta thula<\/em>) voavam sem rumo entre duas po\u00e7as j\u00e1 lamacentas sendo\u00a0 repetidamente espantadas pelas m\u00e1quinas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Procurei em v\u00e3o pela \u00e1rea onde em 2001 havia feito o primeiro registro documentado da triste-pia (<em>Dolichonyx oryzivorus<\/em>) no Estado do Rio de Janeiro \u2013 veja a publica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica aqui &#8211; e onde tamb\u00e9m observ\u00e1vamos com frequ\u00eancia o amea\u00e7ado coleiro-do-brejo (<em>Sporophila collaris<\/em>). Tarde demais, a passarada havia simplesmente virado terra nua. Um pouco mais para frente em uma \u00e1rea que ainda mantinha um pouco de vegeta\u00e7\u00e3o uma concentra\u00e7\u00e3o impressionante de aves, onde chamava aten\u00e7\u00e3o o colorido dos chopim-do-brejo (<em>Pseudoleistes guirahuro<\/em>) e da pol\u00edcia-inglesa-do-sul (<em>Leistes superciliaris<\/em>), lembravam refugiados aglomerando-se as centenas e fugindo de um verdadeiro massacre.<\/p>\n<div id=\"attachment_280\" style=\"width: 555px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/caapora\/wp-content\/uploads\/sites\/209\/2012\/04\/168755.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-280\" class=\"size-medium wp-image-280\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/caapora\/wp-content\/uploads\/sites\/209\/2012\/04\/168755-545x407.jpg\" alt=\"\" width=\"545\" height=\"407\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-280\" class=\"wp-caption-text\">Coleiro-do-brejo (Sporophila collaris) fotografado na Lagoa da Turfeira. Foto: Ciro Albano.<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_281\" style=\"width: 555px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/caapora\/wp-content\/uploads\/sites\/209\/2012\/04\/454g.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-2\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-281\" class=\"size-medium wp-image-281\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/caapora\/wp-content\/uploads\/sites\/209\/2012\/04\/454g-545x393.jpg\" alt=\"\" width=\"545\" height=\"393\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-281\" class=\"wp-caption-text\">Pol\u00edcia-inglesa-do-sul (Sturnella superciliaris), fotografado na Lagoa da Turfeira. Foto: Luiz Ribenboim<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">Um pouco mais pra frente na estrada dirigi at\u00e9 o alto de uma colina e de l\u00e1 pude avaliar melhor o estrago. A extens\u00e3o da \u00e1rea aterrada era impressionante\u00a0 e embora at\u00e9 aquele momento tenha sido poupado o espelho d\u2019\u00e1gua principal diversas \u00e1reas \u00famidas existentes ao seu redor foram completamente aterradas. De l\u00e1 tamb\u00e9m pude rever tamb\u00e9m algo que sempre me causou especial press\u00e1gio. Um antigo canal localizado no canto nordeste ligando-a ao Rio Para\u00edba do Sul, embora hoje esteja parcialmente assoreado j\u00e1 funcionou como sangradouro de suas \u00e1guas podendo novamente ser utilizado para extingu\u00ed-la. No caminho de volta, entrei por uma estrada que acabava de ser aberta e estranhamente terminava no espelho d\u2019 \u00e1gua, fiquei ainda mais apreensivo me perguntando a fun\u00e7\u00e3o daquele caminho.<\/p>\n<div id=\"attachment_285\" style=\"width: 555px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/caapora\/wp-content\/uploads\/sites\/209\/2012\/04\/lagoa3_LMLima.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-3\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-285\" class=\"size-medium wp-image-285\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/caapora\/wp-content\/uploads\/sites\/209\/2012\/04\/lagoa3_LMLima-545x408.jpg\" alt=\"\" width=\"545\" height=\"408\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-285\" class=\"wp-caption-text\">Cen\u00e1rio de destrui\u00e7\u00e3o junto a Lagoa da Turfeira. Foto: Luciano Lima<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_286\" style=\"width: 555px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/caapora\/wp-content\/uploads\/sites\/209\/2012\/04\/lagoa2_LMLima.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-4\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-286\" class=\"size-medium wp-image-286\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/caapora\/wp-content\/uploads\/sites\/209\/2012\/04\/lagoa2_LMLima-545x408.jpg\" alt=\"\" width=\"545\" height=\"408\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-286\" class=\"wp-caption-text\">Cen\u00e1rio de destrui\u00e7\u00e3o junto a Lagoa da Turfeira. Foto: Luciano Moreira Lima<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_283\" style=\"width: 555px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/caapora\/wp-content\/uploads\/sites\/209\/2012\/04\/lagoa5_LMLima.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-5\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-283\" class=\"size-medium wp-image-283\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/caapora\/wp-content\/uploads\/sites\/209\/2012\/04\/lagoa5_LMLima-545x408.jpg\" alt=\"\" width=\"545\" height=\"408\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-283\" class=\"wp-caption-text\">Cen\u00e1rio de destrui\u00e7\u00e3o junto a Lagoa da Turfeira. Foto: Luciano Moreira Lima<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">Por conta do mestrado sou obrigado a morar em S\u00e3o Paulo e aos poucos vou me acostumando com os engarrafamentos, polui\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia urbana. Por isso, nada contra a montadora de carros, tampouco contra o dito progresso que prev\u00ea que a popula\u00e7\u00e3o de Resende aumente cerca de 50.000 pessoas nos pr\u00f3ximos 5 anos. Mas, vale lembrar que lagoas s\u00e3o caracterizadas como \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente, por isso s\u00e3o \u00e1reas intoc\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Al\u00e9m disso, certamente deve ter sido produzido um estudo de impacto ambiental para uma obra dessa magnitude, o qual certamente tamb\u00e9m deve ter identificado que qualquer atividade que afete a lagoa poder\u00e1 resultar em uma trag\u00e9dia irrevers\u00edvel para biodiversidade da regi\u00e3o. Sendo assim, gostaria tamb\u00e9m de ter tido a oportunidade de participar de alguma audi\u00eancia p\u00fablica onde o destino da Lagoa da Turfeira pudesse ser seriamente debatido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Embora seu entorno j\u00e1 tenha sido bastante impactado ainda h\u00e1 tempo de salvar o que restou da \u00faltima grande \u00e1rea \u00famida natural da regi\u00e3o meridional do vale do Rio Para\u00edba do Sul. A implementa\u00e7\u00e3o de uma unidade de conserva\u00e7\u00e3o no local, em \u00e2mbito municipal ou estadual, seria n\u00e3o apenas uma forma de garantir a exist\u00eancia a longo prazo da Lagoa da Turfeira e sua rica biodiversidade, mas tamb\u00e9m a oportunidade de cria\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o onde atrav\u00e9s de trilhas interpretativas e um centro de visita\u00e7\u00e3o a popula\u00e7\u00e3o resendense conquistasse uma nova op\u00e7\u00e3o de lazer que vai totalmente de encontro a voca\u00e7\u00e3o ambiental do munic\u00edpio. Vale lembrar o grande potencial da \u00e1rea para pr\u00e1tica de uma das atividades ao ar livre que mais crescem no pa\u00eds a observa\u00e7\u00e3o de aves. N\u00e3o por acaso, a Lagoa da Turfeira ocupa tr\u00eas p\u00e1ginas do livro \u201cA Birdwatching guide to South-East Brazil\u201d, o qual traz informa\u00e7\u00f5es detalhadas sobre alguns dos principais locais para observa\u00e7\u00e3o de aves no sudeste do pa\u00eds. Sem contar nas in\u00fameras fotos clicadas no local e dispon\u00edveis no site WikiAves \u2013 <a href=\"http:\/\/www.wikiaves.com.br\/midias.php?tm=f&amp;t=b\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">veja aqu<\/a>i \u2013 e que demonstram que os ambientes da lagoa s\u00e3o frequentemente procurados por observadores de aves.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por volta das 16:30 o c\u00e9u nublado evolui para uma chuva fraca que ajudou a esconder os olhos cheios. De fato a ignor\u00e2ncia \u00e9 o melhor caminho para felicidade. Minha tristeza maior n\u00e3o era por ser testemunha ocular de tamanha agress\u00e3o a natureza, mas principalmente por saber a import\u00e2ncia daquele lugar para a vida e conhecer pelo nome e sobrenome todos aqueles fadados a buscar em v\u00e3o um novo lar. Voltei para casa desolado mas disposto a fazer todo o poss\u00edvel para mostrar que as cores e os sons das milhares de vida que dependem da Lagoa da Turfeira fazem que ela seja considerada qualquer coisa, menos invis\u00edvel. Cientes que a trag\u00e9dia estava anunciada depende de n\u00f3s deixar ou n\u00e3o que ela aconte\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Luciano Moreira Lima Uma das \u00faltimas grandes \u00e1reas \u00famidas da regi\u00e3o sul fluminense corre s\u00e9rio risco de desaparecer \u00a0 Das milhares de pessoas que diariamente passam pelo km 299 da Rod. 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