{"id":77,"date":"2009-09-30T16:00:24","date_gmt":"2009-09-30T19:00:24","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/caapora\/2009\/09\/tubarao_rarissimo_encontrado_n\/"},"modified":"2009-09-30T16:00:24","modified_gmt":"2009-09-30T19:00:24","slug":"tubarao_rarissimo_encontrado_n","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/caapora\/2009\/09\/30\/tubarao_rarissimo_encontrado_n\/","title":{"rendered":"Tubar\u00e3o rar\u00edssimo encontrado no litoral do Rio de Janeiro"},"content":{"rendered":"<p>Em julho deste ano Salvatore Siciliano, Bruno Renn\u00f3 e eu fizemos uma incr\u00edvel e inesperada descoberta zool\u00f3gica. Encontramos um exemplar com mais de cinco metros de comprimento do rar\u00edssimo tubar\u00e3o <em>Megachasma pelagios<\/em> (popularmente conhecido como tubar\u00e3o-de-boca-grande, em portugu\u00eas, e Megamouth, em ingl\u00eas) encalhado nas areias de uma das praias que monitoramos regularmente na costa centro-norte do Estado do RIo de Janeiro para o estudo de aves, quel\u00f4nio e mam\u00edferos marinhos.<\/p>\n<p>A decoberta foi primeiramente divulgada na edi\u00e7\u00e3o de setembro da revista de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica Ci\u00eancia Hoje, abaixo segue o texto do artigo na \u00edntegra e duas fotos do tubar\u00e3o.<\/p>\n<p><font><em>BIOLOGIA MARINHA: Um dos mais raros tubar\u00f5es do mundo \u00e9 encontrado na costa brasileira<\/em><\/font><\/p>\n<p><font><em>    <b>Gigante dos mares em areias fluminenses <\/b><\/em><\/font><\/p>\n<p><font><em>    Em 9 de julho \u00faltimo, um macho adulto de <u>Megachasma pelagios<\/u> &#8211; rar\u00edssimo tubar\u00e3o descrito pela primeira vez nos anos 80 &#8211; foi encontrado encalhado e rec\u00e9m-morto na Praia Grande, em Arraial do Cabo (RJ), pelo pesquisadores brasileiros que assinam esse artigo. O esp\u00e9cime representa o 43\u00ba exemplar de <u>M. pelagios<\/u> conhecido no mundo e apenas o terceiro registrado no oceano Atl\u00e2ntico. Um animal jovem havia sido capturado na costa de S\u00e3o Paulo em 1995 e outro achado no mesmo ano em Dakar, Senegal.<\/em><\/font><\/p>\n<p><font><em>    A descoberta foi feita durante um dos monitoramentos regulares de praia conduzidos pelo Projeto Aves, Quel\u00f4nios e Mam\u00edferos Marinhos da Bacia de Campos, realizado pela Escola Nacional de Sa\u00fade P\u00fablica, da Fiocruz, dentro do Projeto Habitats &#8211; Heterogeneidade Ambiental da Bacia de Campos, coordenado pelo Centro de Pesquisas (Cenpes) da Petrobras.<\/em><\/font><\/p>\n<p><font><em>    Com 5,39 m de comprimento, o exemplar APARENTA ter morrido por causas naturais, uma vez que n\u00e3o foram encontradas marcas que pudessem ser atribu\u00eddas \u00e0 captura em redes ou \u00e0 colis\u00e3o com embarca\u00e7\u00e3o a motor. A necropsia mostrou que o est\u00f4mago do tubar\u00e3o estava completamente vazio, o que pode indicar que ele n\u00e3o vinha se alimentando h\u00e1 algum tempo.<\/em><\/font><\/p>\n<p><span class=\"mt-enclosure mt-enclosure-image\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" alt=\"Megachasma2_caapora.JPG\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/caapora\/wp-content\/uploads\/sites\/209\/2011\/08\/Megachasma2_caapora1.jpg\" class=\"mt-image-center\" style=\"margin: 0pt auto 20px;text-align: center\" width=\"500\" height=\"250\" \/><\/span><\/p>\n<p><font><i>Figura 1: Exemplar de Megachasma pelagios encalhado na Praia Grande, em Arraial do Cabo (RJ), em julho de 2009. Foto Bruno Renn\u00f3 \/ Projeto Aves, Quel\u00f4nios e Mam\u00edferos Marinhos da Bacia de Campos. <\/i><\/font><br \/><font><em>    <\/em><\/font><\/p>\n<p><font><em><b>Uma descoberta ao acaso<\/b><\/em><\/font><\/p>\n<p><font><em>    O primeiro <u>Megachasma pelagios<\/u> foi descrito em 1983. A descoberta aconteceu totalmente ao acaso, envolvendo um exemplar que se prendeu acidentalmente em uma \u00e2ncora de um navio da marinha norte-americana ao largo de Oahu, Hava\u00ed, em 1976. Ao ser examinado por especialistas, revelou que n\u00e3o se tratava apenas de uma nova esp\u00e9cie, mas tamb\u00e9m de um novo g\u00eanero e fam\u00edlia de tubar\u00e3o, mais tarde denominada Megachasmidae. Foi considerada uma das descobertas zool\u00f3gicas mais fant\u00e1sticas do s\u00e9culo 20, rivalizando at\u00e9 com o celacanto, conhecido como &#8216;f\u00f3ssIL vivo&#8217;.<\/em><\/font><\/p>\n<p><font><em>    O nome do g\u00eanero \u00e9 composto por um prefixo grego (mega = grande) e um sufixo latino (chasma = cavidade); pelagios vem do latim e significa &#8216;oce\u00e2nico, do mar&#8217;. Considerado extremamente raro, cada registro do tamb\u00e9m chamado tubar\u00e3o-de-boca-grande \u00e9 documentado em detalhe e passa a integrar um cat\u00e1logo internacional.<\/em><\/font><\/p>\n<p><font><em>    O Megachasma pelagios poder ser considerado um gigante dos mares, chegando a medir mais de 5,5 m de comprimento e passar de 1 tonelada, Megachasma pelagios tem uma apar\u00eancia bizarra, o que o torna facilmente distingu\u00edvel de qualquer outro tubar\u00e3o. Como o seu nome bem diz, sua boca \u00e9 extremamente grande, coberta por mais de 50 fileiras de pequenios dentes pontiagudos e curvados para tr\u00e1s, das quais apenas tr\u00eas s\u00e3o funcionais. Al\u00e9m disso, a nadadeira dorsal&nbsp; elativamente pequena e a cauda com o lobo superior bastante alongado contribuem para dar um aspecto desproporcional ao animal, o que o torna facilmente distingu\u00edvel de qualquer outro tubar\u00e3o.<br \/><\/em><\/font><\/p>\n<p><font><em>    Diferente de qualquer outra esp\u00e9cie de elasmobr\u00e2nquio e curiosamente semelhante \u00e0s grandes baleias, como a jubarte (<u>Megaptera novaeangliae<\/u>), a estrat\u00e9gia de busca por alimento do tubar\u00e3o-de-boca-grande envolve o engolfamento de zoopl\u00e2ncton. Ao se alimentar, o animal engolfa grande quantidade de \u00e1gua na cavidade bucofaringeal enquanto nada ativamente com a boca aberta. Para suportar esse volume de \u00e1gua e as presas nela contidas, a pele dos lados ventrais e laterais da boca, que \u00e9 muito el\u00e1stica, \u00e9 distendida. Posteriormente, a boca se fecha, a \u00e1gua \u00e9 expelida pelas guelras e o alimento, engolido. Dada a sua depend\u00eancia por zoopl\u00e2ncton, o <u>Megachasma pelagios <\/u>realiza deslocamentos verticais di\u00e1rios na coluna da \u00e1gua acompanhando suas presas, podendo atingir at\u00e9 180 m de profundidade.<\/em><\/font><\/p>\n<p><span class=\"mt-enclosure mt-enclosure-image\"><img decoding=\"async\" alt=\"Megachasma1_caapora.JPG\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/caapora\/wp-content\/uploads\/sites\/209\/2011\/08\/Megachasma1_caapora.jpg\" class=\"mt-image-center\" style=\"margin: 0pt auto 20px;text-align: center\" width=\"333\" height=\"500\" \/><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><font><i>Figura 2: Detalhe da cabe\u00e7a do exemplar de Megachasma pelagios encalhado na Praia Grande,<br \/>\nem Arraial do Cabo (RJ), mostrando a boca extremamente grande do animal. Foto Bruno Renn\u00f3 \/ Projeto<br \/>\nAves, Quel\u00f4nios e Mam\u00edferos Marinhos da Bacia de Campos. <\/i><\/font><font><em>    <\/em><\/font><\/p>\n<p><font><em><b>Entre os mais raros do mundo<\/b><\/em><\/font><\/p>\n<p><font><em>    Passados 25 anos de sua descoberta, o Megachasma pelagios \u00e9 ainda hoje considerado um dos tubar\u00f5es mais raros do mundo. No total, somando-se os esp\u00e9cimes capturados, encontrados encalhados em praias e observados no mar, eram conhecidos at\u00e9 o momento 42 registros da esp\u00e9cie espalhados pelas zonas tropicais e subtropicais dos tr\u00eas oceanos. A maior parte dos esp\u00e9cimes encontrados concentra-se no Pac\u00edfico, seguido pelo \u00cdndico; no Atl\u00e2ntico, apenas dois exemplares haviam sido reportados.<\/em><\/font><\/p>\n<p><font><em>    Embora o ecossistema marinho corra s\u00e9rio risco de entrar em colapso por conta da superexplora\u00e7\u00e3o de seus recursos, nosso conhecimento sobre os oceanos ainda \u00e9 incipiente, fato nitidamente ilustrado por diversas descobertas fant\u00e1sticas relacionadas \u00e0 vida marinha nas tr\u00eas \u00faltimas d\u00e9cadas. Entre esses achados, o tubar\u00e3o-de-boca-grande pode ser apontado como um dos mais not\u00e1veis e um exemplo vivo do nosso desconhecimento sobre a fauna marinha. Um artigo cient\u00edfico sobre o animal dever\u00e1 ser apresentado em breve em uma revista especializada.  <\/em><\/font><\/p>\n<p><font><em>    A descoberta de um novo <u>M. pelagios<\/u> na costa brasileira demonstra a import\u00e2ncia do monitoramento regular de trechos de costa e de estudos de caracteriza\u00e7\u00e3o da biodiversidade marinha em longo prazo. Pesquisas dessa natureza podem ser apontadas como uma efetiva ferramenta para melhor compreender o desconhecido, mas criticamente amea\u00e7ado, ecossistema marinho.      <\/em><\/font><\/p>\n<p><font><em>    Luciano M. Lima, Bruno Renn\u00f3 e Salvatore Siciliano<\/em><\/font><\/p>\n<p><font><em>    Projeto de Monitoramento de Aves, Quel\u00f4nios e Mam\u00edferos Marinhos da Bacia de Campos   <\/em><\/font><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em julho deste ano Salvatore Siciliano, Bruno Renn\u00f3 e eu fizemos uma incr\u00edvel e inesperada descoberta zool\u00f3gica. 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