{"id":57,"date":"2012-02-02T09:12:00","date_gmt":"2012-02-02T12:12:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/caderno\/2012\/02\/morte-e-vida-de-um-experimento\/"},"modified":"2012-02-02T09:12:00","modified_gmt":"2012-02-02T12:12:00","slug":"morte-e-vida-de-um-experimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/caderno\/2012\/02\/02\/morte-e-vida-de-um-experimento\/","title":{"rendered":"&gt;Morte e Vida de um experimento"},"content":{"rendered":"<p>&gt;<\/p>\n<div class=\"separator\" style=\"clear: both;text-align: center\"><a href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-gBUuJygonCg\/Typ9U-Er_eI\/AAAAAAAAAGE\/9tjK-qrZ1XA\/s1600\/Cartaz-morte-e-vida-severina.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" border=\"0\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-gBUuJygonCg\/Typ9U-Er_eI\/AAAAAAAAAGE\/9tjK-qrZ1XA\/s1600\/Cartaz-morte-e-vida-severina.jpg\" \/><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">Eu j\u00e1 constru\u00ed um experimento. Do nada. Absolutamente nada. \u00c9 como um filho, que voc\u00ea faz crescer, coloca as partes no lugar, faz funcionar e depois de cuidar muito dele, o v\u00ea dando frutos, funcionando quase sozinho. Todas aquelas pe\u00e7as\/m\u00e1quinas\/equipamentos que sozinhos n\u00e3o fazem nada, fazendo ci\u00eancia quase &#8220;automagicamente&#8221;, com seu pr\u00f3prio humor, sua pr\u00f3pria vontade.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">Quando eu abandonei &#8220;meu filho&#8221; no Brasil, sofri um bocado. Mas deixei ele em boas m\u00e3os que ainda hoje dele cuidam. Aqui onde estou eu assumi &#8220;o filho dos outros&#8221;. E trabalhei duro nele, para melhor\u00e1-lo, cur\u00e1-lo dos seus defeitos, das suas feridas, das suas imperfei\u00e7\u00f5es&#8230; e esse meu filho &#8220;adotivo&#8221; deu frutos. Passei a gostar dele, ele de mim&#8230; a gente conversa, trabalha junto, se d\u00e1 bem.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">Voc\u00ea v\u00ea: eu criei um experimento. Eu cuidei do experimento dos outros como se fosse meu. Mas eu nunca tive a chance de ver um experimento morrer. At\u00e9 agora.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">O meu novo filho tem data para morrer. Dez de fevereiro. Daqui a uma semana. Uma. Semana.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">Pode parecer loucura, mas hoje eu estou triste. Porque \u00e9 como conviver com algu\u00e9m que tem data marcada pra morrer. Dia e hora. Condenado \u00e0 morte. E eu vou ser aquele \u00e0 quem o experimento vai dizer suas \u00faltimas palavras, oferecer seus \u00faltimos resultados, dar seu \u00faltimo suspiro. E isso \u00e9 triste pra caramba. Eu nunca pensei que fosse assim. Sempre pensei: desliga, chega, acabou. Vamos fazer outra coisa. Mas agora que isso \u00e9 concreto&#8230; \u00e9 angustiante.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">Semana que vem, depois que eu rodar a \u00faltima sequ\u00eancia experimental, obtiver o \u00faltimo dado e, finalmente, desligar os equipamentos pela \u00faltima vez, eu vou fazer um minuto de sil\u00eancio pelo meu experimento.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">P.S.: Nem tudo \u00e9 tristeza. Um experimento se vai porque um novo, melhor, mais forte e mais vers\u00e1til est\u00e1 sendo montado. E o velho experimento vai doar muitas das suas partes para o novo e, tal qual em transplantes, continuar\u00e1 a viver, n\u00e3o s\u00f3 na mem\u00f3ria dos que ali trabalharam, mas tamb\u00e9m no corpo do novo experimento que nasce.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&gt; Eu j\u00e1 constru\u00ed um experimento. Do nada. Absolutamente nada. \u00c9 como um filho, que voc\u00ea faz crescer, coloca as partes no lugar, faz funcionar e depois de cuidar muito dele, o v\u00ea dando frutos, funcionando quase sozinho. 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