{"id":147,"date":"2010-06-08T05:00:00","date_gmt":"2010-06-08T08:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/carbono14\/2010\/06\/abelhas_biblicas\/"},"modified":"2010-06-08T05:00:00","modified_gmt":"2010-06-08T08:00:00","slug":"abelhas_biblicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/carbono14\/2010\/06\/08\/abelhas_biblicas\/","title":{"rendered":"Abelhas b\u00edblicas"},"content":{"rendered":"<p>Simp\u00e1tica materinha b\u00edblica que publico hoje na Folha.com pra galera curtir:<br \/>\n&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<br \/>\nPara a B\u00edblia, Israel \u00e9 &#8220;a terra onde corre leite e mel&#8221;. N\u00e3o era s\u00f3 for\u00e7a de express\u00e3o: arque\u00f3logos anunciaram ontem a descoberta das mais antigas colmeias com abelhas dom\u00e9sticas do mundo, no territ\u00f3rio israelense.<br \/>\n<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" alt=\"colmeias.JPG\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/carbono14\/wp-content\/uploads\/sites\/202\/2011\/08\/colmeias1.jpg\" width=\"500\" height=\"263\" class=\"mt-image-left\" style=\"float: left;margin: 0 20px 20px 0\" \/><br \/>\nA equipe liderada por Amihai Mazar, da Universidade Hebraica de Jerusal\u00e9m, j\u00e1 tinha forte suspeitas de que os cilindros de argila achados em Tel Rehov (norte do pa\u00eds), no vale do rio Jord\u00e3o, tinham servido para criar abelhas. Uma pequena abertura de um lado e uma tampa do outro sugeriam locais para a entrada dos insetos e para a manipula\u00e7\u00e3o dos favos.<br \/>\nMas foi s\u00f3 agora, com a ajuda de um bi\u00f3logo brasileiro, que a equipe conseguiu estudar em detalhe os restos de abelhas achados dentro de duas das colmeias. Tiago Francoy, professor da Escola de Artes, Ci\u00eancias e Humanidades da USP, explica que foi procurado pelos israelenses gra\u00e7as \u00e0 sua colabora\u00e7\u00e3o com outro autor do estudo, o alem\u00e3o Stefan Fuchs.<br \/>\n&#8220;Eu fiz parte do meu doutorado na Alemanha e desenvolvi um m\u00e9todo para identificar esp\u00e9cies de abelhas com base apenas em pedacinhos da asa&#8221;, conta. As nervuras que d\u00e3o sustenta\u00e7\u00e3o \u00e0s asas dos insetos formam um desenho t\u00edpico, que \u00e9 \u00fanico de cada tipo de abelha, diz Francoy. &#8220;Como eles tinham esses f\u00f3sseis, deram uma busca na literatura e viram que eu podia ajudar na identifica\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma o bi\u00f3logo, que fez o trabalho usando fotos. &#8220;\u00c9 uma pena, infelizmente n\u00e3o pude ir at\u00e9 l\u00e1 para o trabalho&#8221;, brinca.<br \/>\nCom pouco menos de 3.000 anos de idade, as colmeias podem datar da \u00e9poca em que o rei Salom\u00e3o governava as tribos israelitas ou ser um pouco mais recentes, quando o pa\u00eds tinha se dividido nos reinos rivais de Jud\u00e1 (no sul) e Israel (no norte). Apesar de antigas, elas sugerem que a cria\u00e7\u00e3o de abelhas no Oriente Pr\u00f3ximo pode ter uma origem ainda mais remota que a apicultura em Tel Rehov.<br \/>\nIsso porque Francoy usou o programa de computador que desenvolveu para identificar a subesp\u00e9cie de abelha criada l\u00e1, e os pesquisadores perceberam que o bicho provavelmente n\u00e3o era a subesp\u00e9cie nativa de Israel (a <em>Apis mellifera syriaca<\/em>), mas sim a que existe hoje na Turquia (a <em>Apis mellifera anatoliaca<\/em>).<br \/>\n&#8220;Pode ser que a distribui\u00e7\u00e3o das subesp\u00e9cies fosse diferente no passado, ou ent\u00e3o a abelha criada l\u00e1 foi trazida originalmente da Turquia&#8221;, diz ele. O transporte de longa dist\u00e2ncia da subesp\u00e9cie turca faz sentido porque ela \u00e9 menos agressiva e produz mais mel do que a variante de Israel. Al\u00e9m do mais, os apicultores de Tel Rehov montavam suas colmeias no meio da cidade, provavelmente para proteger um recurso valioso, o que poderia causar problemas se os bichos sa\u00edssem do controle.<br \/>\n&#8220;Na verdade, n\u00e3o seria t\u00e3o dif\u00edcil transportar as abelhas. N\u00e3o sabemos se, na \u00e9poca, eles sabiam que a rainha era a respons\u00e1vel por manter a colmeia funcionando. Nesse caso, poderiam transportar s\u00f3 a rainha. Tamb\u00e9m seria poss\u00edvel fazer algo que ainda \u00e9 comum hoje: de noite, fecha-se a entrada da colmeia com um pano, para permitir a ventila\u00e7\u00e3o, e a\u00ed d\u00e1 para carregar a colmeia por at\u00e9 uma semana&#8221;, afirma ele.<br \/>\nOu seja, \u00e9 prov\u00e1vel que a domestica\u00e7\u00e3o tenha acontecido antes, talvez na pr\u00f3pria Turquia. E mais: talvez houvesse um com\u00e9rcio constantes de rainhas ou colmeias de um lugar para o outro. Isso porque as rainhas turcas, caso se acasalassem com zang\u00f5es de Israel, teriam menos chance de transmitir sua docilidade e produtividade \u00e0s descendentes. Valeria a pena, portanto, continuar trazendo animais de fora.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/livraria.folha.com.br\/catalogo\/1026370\/alem-de-darwin\"><strong>Conhe\u00e7a Al\u00e9m de Darwin, meu primeiro livro de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica<\/strong><\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/twitter.com\/reinaldojlopes\"><strong>Siga-me no Twitter<\/strong><\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/buscatextual.cnpq.br\/buscatextual\/visualizacv.jsp?id=K4757041Y9\"><strong>Para saber quem sou: meu Curr\u00edculo Lattes<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Simp\u00e1tica materinha b\u00edblica que publico hoje na Folha.com pra galera curtir: &#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212; Para a B\u00edblia, Israel \u00e9 &#8220;a terra onde corre leite e mel&#8221;. 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