{"id":19,"date":"2009-05-07T10:47:47","date_gmt":"2009-05-07T13:47:47","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/carbono14\/2009\/05\/em_uma_caverna_na_indonesia_vi\/"},"modified":"2009-05-07T10:47:47","modified_gmt":"2009-05-07T13:47:47","slug":"em_uma_caverna_na_indonesia_vi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/carbono14\/2009\/05\/07\/em_uma_caverna_na_indonesia_vi\/","title":{"rendered":"Em uma caverna na Indon\u00e9sia vivia um hobbit"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"mt-enclosure mt-enclosure-image\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" alt=\"pedohobbit.jpg\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/carbono14\/wp-content\/uploads\/sites\/202\/2011\/08\/pedohobbit1.jpg\" width=\"500\" height=\"328\" class=\"mt-image-left\" style=\"float: left;margin: 0 20px 20px 0\" \/><\/span><br \/>\n<span style=\"float: left;padding: 5px\"><a href=\"http:\/\/www.researchblogging.org\"><img decoding=\"async\" alt=\"ResearchBlogging.org\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/carbono14\/wp-content\/uploads\/sites\/202\/2011\/08\/rb2_large_gray8.png\" style=\"border:0\" \/><\/a><\/span>\u00c9 por essas e outras que a paleoantropologia e a arqueologia s\u00e3o t\u00e3o fascinantes: ningu\u00e9m se entende. Ou, ao menos, tem alguns pontos a respeito dos quais <em>ningu\u00e9m<\/em> se entende. \u00c9 o caso do hobbit da ilha de Flores, na Indon\u00e9sia &#8212; que para alguns \u00e9 o homin\u00eddeo <em>Homo floresiensis<\/em> e, para outros, n\u00e3o passa de um ser humano moderno com 18 mil anos de idade e portador de uma forma severa de defici\u00eancia f\u00edsica e mental. Muitos defendem o status da criaturinha como uma esp\u00e9cie separada de homin\u00eddeo, mas h\u00e1 uma minoria um bocado barulhenta de especialistas que &#8220;l\u00ea&#8221; as caracter\u00edsticas primitivas de seu esqueleto como, na verdade, sinais de microcefalia ou outra s\u00edndrome igualmente brava.<br \/>\nA imagem acima \u00e9 do pezinho do LB1, o principal exemplar de hobbit (na verdade <em>uma<\/em> hobbit; seria a c\u00e9lebre Lob\u00e9lia Sacola-Bolseiro?), objeto de uma an\u00e1lise detalhada na edi\u00e7\u00e3o de hoje da revista &#8220;Nature&#8221;. Escrevi sobre isso para o G1 hoje. Confira a reportagem abaixo.<br \/>\n&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-<br \/>\n\u00c9 um novo cap\u00edtulo na saga do hobbit, e n\u00e3o estamos falando de Frodo, do cl\u00e1ssico &#8220;O senhor dos an\u00e9is&#8221;. Duas an\u00e1lises publicadas hoje na prestigiosa revista cient\u00edfica &#8220;Nature&#8221; refor\u00e7am a tese de que o hobbit em quest\u00e3o, cujos restos de 18 mil anos de idade foram achados na ilha indon\u00e9sia de Flores, \u00e9 mesmo uma esp\u00e9cie bizarramente \u00fanica de homin\u00eddeo (grupo a que pertencem os parentes primitivos do homem e os pr\u00f3prios seres humanos). E, a julgar pelos p\u00e9s da criaturinha de 1,10 m de altura, ele pode ter sido um homin\u00eddeo ainda mais primitivo e estranho do que imagin\u00e1vamos.<br \/>\nA pol\u00eamica nunca se afastou muito da misteriosa criatura desde que um grupo de pesquisadores indon\u00e9sios e australianos anunciaram sua exist\u00eancia para o mundo em 2004, tamb\u00e9m nas p\u00e1ginas da &#8220;Nature&#8221;. O homin\u00eddeo foi batizado como <em>Homo floresiensis<\/em> e, por causa de caracter\u00edsticas espec\u00edficas de seu cr\u00e2nio e esqueleto, foi considerado um descendente do <em>Homo erectus<\/em>, que j\u00e1 habitava o Sudeste Asi\u00e1tico h\u00e1 cerca de 1,7 milh\u00e3o de anos.<br \/>\nA ideia \u00e9 que alguns <em>H. erectus<\/em> teriam ficado isolados em Flores e simplesmente encolhido &#8212; um fen\u00f4meno que, por incr\u00edvel que pare\u00e7a, \u00e9 comum com mam\u00edferos isolados em ilhas. (Para efeito de compara\u00e7\u00e3o, elefantinhos extintos das ilhas europeias de Sic\u00edlia e Malta chegavam, quando adultos, ao tamanho de um filhote de elefante africano de hoje.)<br \/>\nO problema \u00e9, que desde ent\u00e3o, outros pesquisadores contestaram o status do hobbit, afirmando que se trataria apenas de um humano moderno com defici\u00eancias f\u00edsicas e presumivelmente mentais, por conta do cr\u00e2nio e c\u00e9rebro diminutos. Os cr\u00edticos argumentavam que o c\u00e9rebro de um homin\u00eddeo jamais encolheria tanto assim, mesmo preso numa ilha, onde o \u00f3rg\u00e3o diminui pela falta de amea\u00e7as e predadores.<br \/>\nAs an\u00e1lises de hoje, por\u00e9m, mostram que o hobbit, seja l\u00e1 quem ele for, talvez seja realmente uma esp\u00e9cie bizarra e primitiva, diferente da nossa. A equipe liderada por William Jungers, da Universidade de Stony Brook (EUA), fez uma an\u00e1lise anat\u00f4mica detalhada dos pezinhos do principal exemplar hobbit, uma f\u00eamea conhecida pelo c\u00f3digo LB1.<br \/>\nO que acontece \u00e9 que, embora o ded\u00e3o da criatura tivesse a mesma posi\u00e7\u00e3o do nosso, diferentemente do dos chimpanz\u00e9s, o p\u00e9 como um todo \u00e9 um bocado comprido em termos relativos, em especial quando comparado com os ossos da perna. Trata-se de uma caracter\u00edstica t\u00e3o estranha que sugere que a criatura provavelmente n\u00e3o conseguia correr pelas mesmas dist\u00e2ncias ou com a mesma velocidade que um ser humano moderno.<br \/>\nEssa caracter\u00edstica, ao lado de algum detalhes mais t\u00e9cnicos, \u00e9 mais primitiva do que se v\u00ea entre os <em>Homo erectus<\/em>, o que pode indicar que o verdadeiro ancestral do Homo floresiensis \u00e9 um homin\u00eddeo mais antigo que j\u00e1 tinha passado antes pela \u00c1sia, sem deixar vest\u00edgios detectados at\u00e9 hoje. Por enquanto, os antrop\u00f3logos n\u00e3o arriscam dizer quem seria esse ancestral.<br \/>\nEm outro artigo cient\u00edfico na mesma edi\u00e7\u00e3o da &#8220;Nature&#8221;, Eleanor Weston e Adrian Lister, do Museu de Hist\u00f3ria Natural de Londres, estudaram outros mam\u00edferos f\u00f3sseis que viviam em ilhas para entender a misteriosa redu\u00e7\u00e3o cerebral do hobbit. As contas que eles fizeram mostram que outros animais, como hipop\u00f3tamos e elefantes an\u00f5es, passaram por redu\u00e7\u00f5es cerebrais compat\u00edveis com as do hobbit ao viver ilhados. Resta saber se esse argumento calar\u00e1 os cr\u00edticos.<br \/>\n&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<br \/>\n<span class=\"Z3988\" title=\"ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;rft.jtitle=Nature&amp;rft_id=info%3Adoi%2F10.1038%2Fnature07989&amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;rft.atitle=The+foot+of+Homo+floresiensis&amp;rft.issn=0028-0836&amp;rft.date=2009&amp;rft.volume=459&amp;rft.issue=7243&amp;rft.spage=81&amp;rft.epage=84&amp;rft.artnum=http%3A%2F%2Fwww.nature.com%2Fdoifinder%2F10.1038%2Fnature07989&amp;rft.au=Jungers%2C+W.&amp;rft.au=Harcourt-Smith%2C+W.&amp;rft.au=Wunderlich%2C+R.&amp;rft.au=Tocheri%2C+M.&amp;rft.au=Larson%2C+S.&amp;rft.au=Sutikna%2C+T.&amp;rft.au=Due%2C+R.&amp;rft.au=Morwood%2C+M.&amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Other%2CArchaeology\">Jungers, W., Harcourt-Smith, W., Wunderlich, R., Tocheri, M., Larson, S., Sutikna, T., Due, R., &amp; Morwood, M. (2009). The foot of Homo floresiensis <span style=\"font-style: italic\">Nature, 459<\/span> (7243), 81-84 DOI: <a rev=\"review\" href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1038\/nature07989\">10.1038\/nature07989<\/a><\/span><br \/>\n<span class=\"Z3988\" title=\"ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;rft.jtitle=Nature&amp;rft_id=info%3Adoi%2F10.1038%2Fnature07922&amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;rft.atitle=Insular+dwarfism+in+hippos+and+a+model+for+brain+size+reduction+in+Homo+floresiensis&amp;rft.issn=0028-0836&amp;rft.date=2009&amp;rft.volume=459&amp;rft.issue=7243&amp;rft.spage=85&amp;rft.epage=88&amp;rft.artnum=http%3A%2F%2Fwww.nature.com%2Fdoifinder%2F10.1038%2Fnature07922&amp;rft.au=Weston%2C+E.&amp;rft.au=Lister%2C+A.&amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Other%2CArchaeology\">Weston, E., &amp; Lister, A. (2009). Insular dwarfism in hippos and a model for brain size reduction in Homo floresiensis <span style=\"font-style: italic\">Nature, 459<\/span> (7243), 85-88 DOI: <a rev=\"review\" href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1038\/nature07922\">10.1038\/nature07922<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 por essas e outras que a paleoantropologia e a arqueologia s\u00e3o t\u00e3o fascinantes: ningu\u00e9m se entende. 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