{"id":22,"date":"2009-05-13T17:11:47","date_gmt":"2009-05-13T20:11:47","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/carbono14\/2009\/05\/lancando_luz_sobre_artefatos_d\/"},"modified":"2009-05-13T17:11:47","modified_gmt":"2009-05-13T20:11:47","slug":"lancando_luz_sobre_artefatos_d","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/carbono14\/2009\/05\/13\/lancando_luz_sobre_artefatos_d\/","title":{"rendered":"Lan\u00e7ando luz sobre artefatos do passado"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"mt-enclosure mt-enclosure-image\"><img decoding=\"async\" alt=\"bannerluz.jpg\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/carbono14\/wp-content\/uploads\/sites\/202\/2011\/08\/bannerluz1.jpg\" width=\"270\" height=\"157\" class=\"mt-image-left\" style=\"float: left;margin: 0 20px 20px 0\" \/><\/span>Pouca gente (fora cientistas, claro; bom, \u00e0s vezes nem eles&#8230;) tem est\u00f4mago pra ficar pensando em metodologia e ferramentas t\u00e9cnicas diante de uma descoberta realmente sensacional. Mas nunca \u00e9 demais lembrar que, sem essas coisas aparentemente chatinhas, nenhuma boa descoberta acontece, fora raros golpes de sorte. Por isso, como parte da nossa blogagem coletiva sobre luz, resolvi abordar rapidamente um dos m\u00e9todos de data\u00e7\u00e3o mais legais e pouco conhecidos em arqueologia (e outras ci\u00eancia do &#8220;tempo profundo&#8221;, claro): a termoluminesc\u00eancia.<br \/>\nEssa t\u00e9cnica, junto com sua &#8220;irm\u00e3 g\u00eamea&#8221;, a data\u00e7\u00e3o \u00f3ptica, quebra um galh\u00e3o em contextos nos quais o arque\u00f3logo ou paleoantrop\u00f3logo d\u00e1 o azar de n\u00e3o ter \u00e0 m\u00e3o mat\u00e9ria org\u00e2nica para datar. E, sem mat\u00e9ria org\u00e2nica &#8212; carv\u00e3o, osso, conchas etc. &#8211;, adeus possibilidade de usar o tradicional m\u00e9todo do carbono-14, o qual depende, claro, da presen\u00e7a dessa forma inst\u00e1vel do elemento carbono em mat\u00e9ria anteriormente viva. (Ali\u00e1s, nota mental: explicar a metodologia do carbono-14 em post futuro.)<br \/>\nPortanto, sem restos desse tipo (imaginemos que voc\u00ea s\u00f3 achou ferramentas de pedra), o que o sujeito faz? Senta e chora? N\u00e3o, gra\u00e7as \u00e0 termoluminesc\u00eancia. Se houver ind\u00edcios de que essas ferramentas foram jogadas numa fogueira, ou passaram um tempo de baixo do sol quente, ou se as amostras a datar s\u00e3o representadas por utens\u00edlios de cer\u00e2mica, nem tudo est\u00e1 perdido.<br \/>\nO que acontece \u00e9 que minerais como os que comp\u00f5em uma ponta de lan\u00e7a ou um vaso tupi possuem uma estrutura microsc\u00f3pica de cristal. Isso sugere que essa estrutura \u00e9 ordenad\u00edssima, e pode ser mesmo, mas volta e meia aparecem impurezas e imperfei\u00e7\u00f5es cuja a\u00e7\u00e3o funciona como &#8220;armadilhas&#8221; para os el\u00e9trons do cristal. Com o passar do tempo, aumenta a quantidade de el\u00e9trons aprisionados nessas armadilhas microsc\u00f3picas.<br \/>\nAcontece que, quando um objeto \u00e9 submetido a calor ou luz intensos, essas armadilhas s\u00e3o &#8220;zeradas&#8221; e os el\u00e9trons voltam para onde deveriam estar na estrutura cristalina, liberando f\u00f3tons &#8212; isso mesmo, part\u00edculas de luz. Portanto, quando o vaso de cer\u00e2mica foi produzido originalmente, ou quando as ferramentas ca\u00edram no fogo do acampamento, \u00e9 como se seu rel\u00f3gio tivesse zerado, criando, portanto, um per\u00edodo inicial a partir do qual determinar a idade do objeto. (\u00c9 o equivalente da morte no caso do carbono-14: quando algu\u00e9m morre, seu organismo cessa de absorver carbono-14, tendo, portanto, uma propor\u00e7\u00e3o fixa do elemento, que da\u00ed pra frente s\u00f3 diminui.)<br \/>\nPois bem: em laborat\u00f3rio, basta esquentar a amostra ou ilumin\u00e1-la com for\u00e7a e observar a energia luminosa que vem do objeto &#8212; no caso da data\u00e7\u00e3o \u00f3ptica, luz ultravioleta. A quantidade de f\u00f3tons \u00e9 correspondente \u00e0 quantidade de el\u00e9trons antes aprisionados, que corresponde, por sua vez, \u00e0 idade do objeto. O limite da t\u00e9cnica \u00e9 de 230 mil anos &#8212; bem melhor que os cerca de 50 mil anos do carbono-14.<br \/>\nObjetos como a mais antiga forma de arte humana &#8212; o bloco de pedra de Blombos, na \u00c1frica do Sul, com 77 mil anos (abaixo) &#8212; foram datados com ajuda dessa t\u00e9cnica.<br \/>\n<span class=\"mt-enclosure mt-enclosure-image\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" alt=\"blombos.jpg\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/carbono14\/wp-content\/uploads\/sites\/202\/2011\/08\/blombos.jpg\" width=\"500\" height=\"230\" class=\"mt-image-left\" style=\"float: left;margin: 0 20px 20px 0\" \/><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pouca gente (fora cientistas, claro; bom, \u00e0s vezes nem eles&#8230;) tem est\u00f4mago pra ficar pensando em metodologia e ferramentas t\u00e9cnicas diante de uma descoberta realmente sensacional. Mas nunca \u00e9 demais lembrar que, sem essas coisas aparentemente chatinhas, nenhuma boa descoberta acontece, fora raros golpes de sorte. Por isso, como parte da nossa blogagem coletiva sobre [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":460,"featured_media":23,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[],"class_list":["post-22","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-paleolitico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/carbono14\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/carbono14\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/carbono14\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/carbono14\/wp-json\/wp\/v2\/users\/460"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/carbono14\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/carbono14\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/carbono14\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/carbono14\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/carbono14\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/carbono14\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}