{"id":63,"date":"2009-09-24T17:07:27","date_gmt":"2009-09-24T20:07:27","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/carbono14\/2009\/09\/guerra_santa\/"},"modified":"2009-09-24T17:07:27","modified_gmt":"2009-09-24T20:07:27","slug":"guerra_santa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/carbono14\/2009\/09\/24\/guerra_santa\/","title":{"rendered":"Guerra santa"},"content":{"rendered":"<p>Fazia tempo que eu n\u00e3o babava tanto com uma descoberta arqueol\u00f3gica (embora nesse caso eu seja obviamente suspeito pra dizer, claro). Est\u00e1 em todas as ag\u00eancias de not\u00edcias o achado de pelo menos 650 objetos de ouro e 530 objetos de prata em Staffordshire (centro-oeste da Inglaterra), provavelmente datados do s\u00e9culo VII, \u00e9poca em que a \u00e1rea fazia parte do reino anglo-sax\u00e3o da M\u00e9rcia. Estamos falando de cerca de 5 kg de ouro puro, indicando que os guerreiros germ\u00e2nicos que conquistaram a Gr\u00e3-Bretanha depois da queda do Imp\u00e9rio Romano constru\u00edram uma civiliza\u00e7\u00e3o bem mais opulenta do que se imaginava antes.<br \/>\n<span class=\"mt-enclosure mt-enclosure-image\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" alt=\"anglo1.jpg\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/carbono14\/wp-content\/uploads\/sites\/202\/2011\/08\/anglo11.jpg\" width=\"500\" height=\"627\" class=\"mt-image-left\" style=\"float: left;margin: 0 20px 20px 0\" \/><\/span><br \/>\nComo testemunho da cultura guerreira dos mercianos, a imensa maioria desses objetos ricamente decorados \u00e9 de uso b\u00e9lico (ou ao menos cerimonial-b\u00e9lico; n\u00e3o \u00e9 muito esperto partir para a porrada coberto de metais preciosos). S\u00e3o bainhas de espadas, cabos de espadas, peda\u00e7os de elmos (como a linda pe\u00e7a vista acima, que provavelmente protegia a parte lateral do rosto do usu\u00e1rio).<br \/>\nMais interessante ainda \u00e9 a folha de ouro vista abaixo, com a inscri\u00e7\u00e3o latina (com errinhos de ortografia) <em>Surge domine et dissipentur inimici tui et fugiant qui oderunt te a facie tua<\/em>. Na tradu\u00e7\u00e3o da CNBB: &#8220;Levanta-te, SENHOR, que se dispersem os inimigos! Fujam diante de ti os que te odeiam&#8221;. CNBB? Sim, a frase \u00e9 do Antigo Testamento (livro de N\u00fameros, cap\u00edtulo 10, vers\u00edculo 35). Era a frase que, segundo a B\u00edblia, Mois\u00e9s pronunciava toda vez que a Arca da Alian\u00e7a punha os israelitas em marcha no deserto.<br \/>\n<span class=\"mt-enclosure mt-enclosure-image\"><img decoding=\"async\" alt=\"anglo2.jpg\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/carbono14\/wp-content\/uploads\/sites\/202\/2011\/08\/anglo2.jpg\" width=\"500\" height=\"334\" class=\"mt-image-left\" style=\"float: left;margin: 0 20px 20px 0\" \/><\/span><br \/>\nN\u00e3o \u00e9 nem um pouco esquisito que ex-b\u00e1rbaros rec\u00e9m-cristianizados como os mercianos usassem a B\u00edblia como inspira\u00e7\u00e3o para a guerra. A jun\u00e7\u00e3o entre f\u00e9 e coragem militar foi aparentemente uma das grandes estrat\u00e9gias da Igreja para conseguir converter as elites b\u00e1rbaras. E isso aparece at\u00e9 na poesia religiosa em anglo-sax\u00e3o ou ingl\u00eas antigo: num dos poemas da \u00e9poca, <em>The Dream of the Rood<\/em> (&#8220;O Sonho do Lenho&#8221;), a cruz na qual Jesus foi pregada fala com ele com a mesma linguagem empregada pelos guerreiros anglo-sax\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o a seus lordes guerreiros.<br \/>\nO porqu\u00ea da minha empolga\u00e7\u00e3o? \u00c9 muito simples, Comiss\u00e1rio. Os cavaleiros de Rohan em <em>O Senhor dos An\u00e9is<\/em> falam o dialeto anglo-sax\u00e3o merciano, que Tolkien apreciava muito. Ali\u00e1s, o pr\u00f3prio nome <em>Mark<\/em> (Marca dos Cavaleiros) \u00e9 claramente derivado do reino da M\u00e9rcia. <em>Westhu h\u00e1l<\/em>!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fazia tempo que eu n\u00e3o babava tanto com uma descoberta arqueol\u00f3gica (embora nesse caso eu seja obviamente suspeito pra dizer, claro). 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