{"id":82,"date":"2009-11-18T22:57:55","date_gmt":"2009-11-19T01:57:55","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/carbono14\/2009\/11\/cidades_perdidas_do_xingu\/"},"modified":"2009-11-18T22:57:55","modified_gmt":"2009-11-19T01:57:55","slug":"cidades_perdidas_do_xingu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/carbono14\/2009\/11\/18\/cidades_perdidas_do_xingu\/","title":{"rendered":"Cidades perdidas do Xingu"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"mt-enclosure mt-enclosure-image\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" alt=\"xingu.jpg\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/carbono14\/wp-content\/uploads\/sites\/202\/2011\/08\/xingu1.jpg\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"mt-image-left\" style=\"float: left;margin: 0 20px 20px 0\" \/><\/span>Uma edi\u00e7\u00e3o recente da revista &#8220;Scientific American&#8221; traz a descri\u00e7\u00e3o mais did\u00e1tica e saborosa feita at\u00e9 agora sobre os achados do arque\u00f3logo Michael J. Heckenberger, da Universidade da Fl\u00f3rida, no Xingu. J\u00e1 faz algumas d\u00e9cadas que os pesquisadores est\u00e3o mostrando uma complexidade social e econ\u00f4mica insuspeita na Amaz\u00f4nia antes de Cabral, mas o trabalho de Heckenberger tem um sabor todo pr\u00f3prio porque ele mostra como essa complexidade p\u00f4de gerar uma popula\u00e7\u00e3o densa e, ao mesmo tempo, n\u00e3o produzir uma civiliza\u00e7\u00e3o urbana propriamente dita.<br \/>\nEm vez de metr\u00f3poles como a Tenochtitl\u00e1n dos astecas ou a Cuzco inca, a civiliza\u00e7\u00e3o do Xingu produziu o que mais parece uma rede altamente interligada de condomin\u00edos fechados, daqueles que usam a express\u00e3o &#8220;lotes com muito verde&#8221; na propaganda.<br \/>\nHeckenberger e companhia descobriram que as antigas vilas do Xingu se organizavam de maneira hier\u00e1rquica, com grandes centros populacionais e ceremoniais que podiam abrigar uns 2.000 habitantes, sendo dez vezes maiores do que as atuais aldeias ind\u00edgenas da \u00e1rea, complementados por vilas menores, tudo isso conectado por uma rede de estradas cuja largura ia de dez a 40 metros.<br \/>\n<strong><br \/>\nMuralhas de madeira<\/strong><br \/>\nEsses centros eram cercados por altas pali\u00e7adas e fossos defensivos com per\u00edmetro de alguns quil\u00f4metros. Os fossos podiam ter cerca de 2 metros de profundidade e dez metros de largura. Imagens de sat\u00e9lite indicam que muitas das \u00e1reas hoje cobertas por floresta na regi\u00e3o s\u00e3o, na verdade, mata secund\u00e1ria, com composi\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies modificada pelo uso humano intensivo. Por meio de um sistema de rota\u00e7\u00e3o de culturas, os xinguanos pr\u00e9-s\u00e9culo XVI parecem ter obtido boas colheitas de mandioca, pequi e sap\u00ea para a constru\u00e7\u00e3o de malocas.<br \/>\nOs rios da regi\u00e3o tamb\u00e9m parecem ter sido modificados pela a\u00e7\u00e3o humana, com coisas como a cria\u00e7\u00e3o de diques para a pesca em grande escala. Ao todo, a regi\u00e3o pode ter abrigado at\u00e9 50 mil pessoas em seu auge pr\u00e9-cabralino, calcula Heckenberger. \u00c9 um tipo alternativo de desenvolvimento urbano, que pode ter ido para o espa\u00e7o com a diminui\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o ligado \u00e0s doen\u00e7as trazidas pelos europeus.<br \/>\nOutro detalhe genial das pesquisas \u00e9 a proximidade dos arque\u00f3logos com a popula\u00e7\u00e3o da tribo cuicuro, moradora da regi\u00e3o, cujos membros chegaram a assinar as pesquisas em revistas cient\u00edficas de renome e contribu\u00edram com o que sabiam sobre a hist\u00f3ria oral de seus ancestrais para a interpreta\u00e7\u00e3o dos achados arqueol\u00f3gicos.<br \/>\n&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-<br \/>\n<a href=\"http:\/\/livraria.folha.com.br\/catalogo\/1026370\/alem-de-darwin\"><strong>Conhe\u00e7a Al\u00e9m de Darwin, meu primeiro livro de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica<\/strong><\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/twitter.com\/reinaldojlopes\"><strong>Siga-me no Twitter<\/strong><\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/buscatextual.cnpq.br\/buscatextual\/visualizacv.jsp?id=K4757041Y9\"><strong>Para saber quem sou: meu Curr\u00edculo Lattes<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma edi\u00e7\u00e3o recente da revista &#8220;Scientific American&#8221; traz a descri\u00e7\u00e3o mais did\u00e1tica e saborosa feita at\u00e9 agora sobre os achados do arque\u00f3logo Michael J. 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